Luz, água, adeus


"Na noite de quarta-feira, como em todas as quartas-feiras, os pais foram ao cinema. Os meninos, donos e senhores da casa, fecharam as portas e janelas, e quebraram a lâmpada acesa de um lustre da sala. Um jorro de luz dourada e fresca feito água começou a sair da lâmpada quebrada, e deixaram correr até que o nível chegou a quatro palmos. Então desligaram a corrente, tiraram o barco, e navegaram com prazer entre as ilhas da casa."

Gabriel García Márquez -
"A luz é como a água", em Doze Contos Peregrinos 
(Trad. Eric Nepomuceno).

Vai estar sempre no topo, entre os nomes que indicarei aos meus filhos, torcendo que eles aceitem e experimentem. Cem Anos de Solidão vai ser sempre o primeiro livro cuja leitura desacelerei para não acabar nunca, de cujos personagens senti saudades como se família fossem, aqueles loucos. Que grandeza, uma vida com feitos tão notáveis. Que sorte a nossa que a arte nunca morre, e que ele pode morar para sempre em nossas estantes e em nossos corações.

Adeus, Gabo. Obrigada. 

1 comentários:

Clara Lopez disse...

Penso o mesmo de Cem anos, foi um livro importantíssimo em minha vida de jovem, me levou a territórios que eu sabia existirem, e existiam. Mas sempre dói perder alguém que fez tanta diferença.
abraço pra você,
clara

 
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