De outonos e amores


Hoje o céu amanheceu nublado, nas ruas víamos as marcas da chuva que caiu longa durante a noite. Um vento frio soprou de vez em quando ao longo do dia, e aquela blusinha de mangas compridas pôde ser usada com conforto. Ontem à noite nós tiramos as mantas do armário e as crianças trocaram os pijamas curtos por outros mais quentinhos. Não demora muito e estarei tomando chá de maçã na cama, encolhida, antes de dormir. Esse poderia ser o  marco deste 16 de abril: o dia em que o outono apareceu. Mas não para nós.

Se tem uma coisa bacana na amizade é o sentimento espichado de pertencimento. A alegria do outro invade a gente, vira uma experiência compartilhada. É a empatia no seu lado mais gostoso. Quando aquele ou aquela de quem gostamos atravessa um momento de conquista ou de vitória, de alegria, ainda que pequena, ou de satisfação de qualquer natureza, saber dessa felicidade, em que grau for, nos faz feliz também. Quando se trata de algo realmente grandioso, então, o coração faz dancinha. No meu caso essa dancinha muitas vezes vem banhada de lagriminhas quase saltitantes. Hoje já chorei diversas vezes, cada vez que olhei o vídeo e a foto da nova filha de nossa amiga, nascida nessa manhã de temperaturas suaves. Olho para aquele rostinho gorducho e imagino a festa no coração de minha amiga, de quem gosto tanto e com quem tenho tido a imensa sorte de conviver nos últimos anos. Foi por causa de nossas filhas, que estudam juntas, que nos conhecemos, mas eu sei que poderíamos ser amigas em qualquer conjuntura. Mais do que trocar ideais sobre os perrengues e as delícias de criarmos nossas crianças, cultivamos uma amizade que, espero, perdure por muito, muito tempo.

Daí que hoje, quando sua nova filhota nasceu, linda e esperta, meu coração se encheu de alegria. Portanto o outono hoje é bem vindo, mas é apenas o cenário de um evento muito mais gostoso. Hoje é o dia da chegada de Catarina. Seja bem vinda. Você ainda não sabe, mas tem uma sorte gigantesca por nascer em uma família tão, tão cheia de luz. Seja feliz, pequena. Te amamos já, e é tão bom que seja assim. 

 Para Cleusa e André


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