Achados e perdidos


Foi de altos e baixos minha primeira leitura dos contos de Bestiário, de Julio Cortázar (Ed. Civilização Brasileira, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman). Gostei de contos como "Casa Tomada" (quantas vezes não nos enchemos de cuidados para não perturbar quem invade nossos espaços? - talvez mais vezes do que conseguimos perceber ou gostamos de admitir) e "Ônibus", com todos aqueles olhares. Outros, como "As Portas do Céu", não me deixaram lá muito empolgada. Mas cada página valeu a pena para chegar ao último conto, aquele que dá nome ao livro e que foi sem dúvida meu favorito. "Bestiário" é envolvente, com tensão que se avizinha e vai crescendo rumo a um final que pode até nem ser tão surpreendente assim, mas é primorosamente construído. 

Mas quem estou querendo enganar? Eu estava louca para terminar. É que no final de semana chegou meu exemplar de Filho de Mil Homens, o primeiro romance de Valter Hugo Mãe em minhas mãos. (Cheguei a perder o livro do Cortázar antes de terminar a leitura, e comentei com algumas amigas que era meu subconsciente trabalhando a meu favor, tanto que eu queria logo começar o livro do Valter. :-))


Comecei e me deparei com "Pensava que quando se sonha tão grande a realidade aprende." - ora, se não era a perfeita explicação para o sumiço do livro do Cortázar, hehe. Ainda estou nas páginas iniciais, mas já gostei do tom de fábula que cerca a narrativa.

"Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."

Acho que não vou querer perder esse por aí. ;-)

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