A tarde dentro do conto


Li o conto, fechei os olhos e decidi subir no mesmo ônibus da personagem. Levei flores como todos os outros e a observei por algum tempo. Não sei se eu teria descido na mesma parada ou se teria me transformado nela, no alvo dos olhares. Logo abandonei, cochilei e subi em outros ônibus, rumo a outros destinos meus. Quando acordei vi o livro caído e o dia avançando, da chuva só restava o cheiro de mato úmido e uma brisa fria, calmante. As vozes das crianças me deram rumo e canção, além de pretextos. Não escrevi, não fui, não chamei. Um conto aberto sobre a cama, café quente ou orquídeas no quintal, a tarde foi quase uma alegoria: teve cor e sabor, e viagens que podem levar a caminhos inesperados. 

2 comentários:

Clara Lopez disse...

Muito bonito esse trecho de um conto que, possivelmete, vc está escrevendo, continue. Ou está pronto o mini conto, terminando em "alegoria" :))
beijo,
clara

Rita disse...

Só devaneios de um sábado preguiçoso, querida. :-)

 
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