Side by side


Bati todos os recordes de abandono deste blog. Desde sua pomposa inauguração com dois leitores, em 2009, até a presente data, com três leitores, esta estrada nunca esteve tanto tempo entregue à poeira. Costumo registrar minhas andanças com minha turma por aqui, sou adepta do diarinho mesmo, escrevo para ler no futuro e relembrar detalhes de nossas sempre divertidas viagens. Dessa vez, no entanto, não deu. Faltou energia no fim do dia, faltou tempo, faltou ânimo para selecionar fotos. Na verdade, eu quis mesmo manter os pés no mundo e a cabeça fora da rede por umas semanas e devo dizer que foi bom demais. Agora deu, quero papear com vocês outra vez. \o/

Passamos os últimos quinze dias em Orlando, na Flórida, com a missão de levar as crianças à Disney. O bom de viajar para um lugar que "todo mundo" já conhece é que abundam as boas dicas. Fomos sabendo mais ou menos o que esperar, preparados para a maratona de montanhas russas e caminhadas, filas, comida deus nos acuda e temperaturas esquizofrênicas. Estávamos empolgados com a perspectiva de passar oito dias brincando e mais uns tantos passeando ou descansando, mas o que mais nos deixava excitadíssimos era a companhia. Minha amiga Ângela, há décadas morando no norte dos Estados Unidos, iria também, com marido e filhos de idades bem próximas das dos meus. A farra seria completa. E foi.

Chegamos primeiro e de cara nos encontramos com outro casal de amigos, daqui de Floripa, pais de um amigão do Arthur. Eles têm PhD em Disney e foram nossos guias e companheiros tudibom. Começamos por um parque da Universal, o Island of Adventure, e não poderíamos ter feito escolha melhor. O "problema" é que o primeiro brinquedo que experimentei se mostrou imbatível para mim. Nada mais me empolgaria tanto quanto o simulador de Hogwarts. Voamos com Harry Potter e tudo mais ficou, no máximo, em segundo lugar. Nem precisa ser fã do bruxo para curtir a ambientação do parque, mas se você gosta do menino, olha, é diversão das grandes. Nota mil, voltei pra fila sempre que deu.

Arthur Potter e Pedro Skywalker. Foi muito bom ver esses dois juntos na "balada". 

Voltaríamos a Hogwarts dias depois, com Ângela e cia. E com eles visitamos os quatro parques da Disney e os dois da Universal, numa variedade de temperaturas para ninguém botar defeito. Usamos bermudas e camisetas num dia, luvas e capas de chuva no dia seguinte. Pegamos sensação térmica de 5 graus no Epcot, 27 no Universal. Num dia, protetor solar; no outro, capa de chuva. Uma alegria. Uma alergia. Meu nariz enlouqueceu, a tosse me invadiu, gripei, piorei, melhorei, encarei. Se não morri naquelas montanhas russas, meu povo, não seria uma gripezinha mequetrefe que ia me tirar da parada. E se Ângela, que mora praticamente no Polo Norte, sentiu frio, eu tinha direito de ficar com tosse, é ou não é? Botei lencinhos na bolsa e fui pras filas. Filas. Fiiiilas, muitas, a toda hora.

Agora entendo o fuzuê em torno de Orlando, embora eu desconfie que dificilmente encararia a mesma maratona. Claro que a companhia apela, né. Se os amigos cutucam, quero ir. Mas é isso: o melhor da viagem foi a companhia, então pretendo cutucar a Ângela para outras paragens. Pelas crianças? Claro, elas adoraram, mas adoram outras paradas também. Falando nisso, elas sempre nos surpreendem: perguntem a Amanda qual seu parque favorito. Não será o Magic Kingdom - ela mal deu bola pro castelo, pra falar a verdade -, mas o Animal Kingdom. Tá, tudo bem, não é exatamente uma surpresa, quem a conhece sabe da fissura por bichos. O barato é quando você pergunta o que no Animal Kingdom foi mais legal. Nada de montanha russa maluca (que ela encarou) ou safári (que ela curtiu e tirou 890 fotos). O que ela mais gostou foi disso aí na foto:


Milhões gastos em engrenagens e efeitos especiais, ambientações incríveis; Amanda gosta mesmo é de enfiar a cara no buraquinho. E ainda comenta, empolgadíssima: "e tem banquinho pra você subir!"


Para Ângela e para mim foi gostoso demais ver nossos filhos brincando juntos. Arthur e Max, cada um agarrado ao seu livro do Harry Potter, mal trocavam duas palavras no carro. Mas quando começavam a caminhar pelos parques davam o jeito deles e engrenavam as conversas bilíngues mais fofas ever. Tomara que eles se lembrem lá na frente que se olhavam na fila, prestes a embarcar nas montanhas russas ou no brinquedo que fosse e, com os polegares e dedos mindinhos esticados, celebravam: "side by side?". Coisa. Mais. Linda. Na loja de varinhas, compraram as suas, claro, e soltaram muitos feitiços pelos parques. Foi bonitinho demais ver o Arthur olhar para as caixas de varinhas e pensar em voz alta: "qual delas vai me escolher?". Vocês já viram, né? Só falo de Hogwarts. The best. Amanda e a pequena Julia mantiveram uma amizade mais, digamos, silenciosa. A língua foi uma barreira para que elas se entrosassem mais, mas ainda assim tiveram seus momentos "side by side". 


O melhor da Disney.

Quase morri de saudades da Ângela quando ela foi embora para os EUA, muitos anos atrás, e fiquei em Campina Grande. Perdi minha companheira de baladas e uma grande colega de trabalho (éramos professoras de inglês na mesma escola, nossa escola). A vida tem sido generosa conosco e já sabíamos que não podemos reclamar muito. Agora, então. Side by side forever, em qualquer continente.

Adorei ter ido, mas estou bem feliz de ter voltado. A alimentação da Amanda estava me dando calafrios - ela definitivamente precisa se tornar menos seletiva - e eu mesma estava morrendo de saudades de algumas manias. Gostei dos parques, nosso hotel foi uma boa escolha, ver os amigos em viagens assim não tem preço. No entanto, no último dia até as crianças pediram clemência e reclamaram do cansaço. Estou feliz com minhas malas ainda espalhadas pela sala, abandonadas que foram para que eu pudesse correr para a escola e entregar material escolar, conhecer as novas professoras, comprar as últimas peças de uniforme. Amanhã eles voltam às aulas cheios de histórias. 

Sempre falam do brilho nos olhos das crianças diante dos personagens na Disney. Bom, aqui em casa trouxemos o brilho: Amanda anda por aí com sua fantasia de Ariel toda trabalhada na purpurina. Nossa casa tem definitivamente um toque de brilho que veio da terra dos sonhos. O sofá tá cheio dele. :-)

***
Max, Arthur e Amanda, em atitude rock & roll. (Aliás: Aerosmith, melhor montanha russa.)

Junta todo mundo! Anda, Amanda, bate a foto! Corre, Ulisses! Deu, vamos pra fila.

Junta, bate! Aqui, na frente da loja? É, tá bom! Deu, vamos pra fila.


E íamos e curtíamos. De cabeça pra baixo, voando numa vassoura ou rodando numa xícara. Side by side. Disney, check.


7 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Amei o post, tão vívido que vou considerar check pra mim também ;-)

simplesmentefluir disse...

Uau!!!Que maravilha, Rita! Grande abraço.

Anônimo disse...

Huum! Que maravilha minha amiga!! Bateu saudades... Vou te ligar.
Beijos,
Ju

Ana Claudia disse...

Tudo o que tenho a dizer é: :) :) :)
Fico feliz que você tenha curtido a viagem. E, realmente, Orlando cansa horrores!!!! A melhor época para ir e não pegar filas ridiculamente homéricas, é em setembro: temperatura agradável, ninguém está em férias escolares (nem nos EUA, nem na terra brasilis) e aí você chega nos brinquedos e só tem duas pessoas na fila! Uma maravilha! Quem sabe vc não se anima a voltar... ;)

Silvia disse...

Bom regresso, beijinhos

Clara Lopez disse...

Bela viagem, ritinha, as crianças jamais esquecerão, nem os pais, claro :)) merci por compartilhar,
clara

Angela disse...

Entao bem cedinho da manha do dia 06 li o titulo do post, instantaneamente comecei a chorar e deixei para depois.

Quanto mais lia e escutava sobre o Arthur, mas tinha a certeza de que ele e o Max precisavam passar uns dias juntos, urgente! Sao dois do mesmo Rita, interesses e indole! Cada musculo do rosto do Max relaxou de amor assim que viu as fotos do Arthur aqui. Muito doce.

A Jujuba lembra da Amanda e leva com ela a pulseirinha azul.

Continuamos morrendo de saudades...

"DE NOVO!!"

 
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