Cortes


Ontem, na academia onde minha filha faz natação, apoiei a mão no batente da porta para dar uma espiada no ambiente das piscinas e ver se ela ainda estava lá ou se já havia se encaminhado para o chuveiro. A porta de alumínio bateu e mordeu meu dedo médio da mão direita, abrindo dois buraquinhos. 

À noite, escolhi a melhor faca para cortar tomates e abri um talho no polegar da outra mão. 

Mas isso não foi nada. Pior foi procurar o leque que era da minha mãe e não encontrá-lo. Não sei onde está, não faço ideia. Isso sim, tá doendo como um corte fundo. Não acredito que perdi esse leque e não há band-aid que me console.

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Estou iniciando os preparativos para o lançamento de Contos do Poente em Campina Grande. Se tudo correr bem, será em março, dia 14. Mal posso esperar.

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Para manter alguma dignidade durante o verão, preciso dedetizar a casa todos os anos. Quando as temperaturas começam a subir e as baratas começam a enlouquecer, ligo pra galera do veneno e mando ver. Todos ficam felizes: eu garanto parte da clientela da empresa de dedetização, não fico pelos cantos da casa tendo sustos pavorosos e as baratas... bem, quem mandou nascer barata. A natureza, contudo, dá seu jeito para o bem e para o mal. Esse povo cascudo deve estar ficando mais resistente. Ulisses diz que não, que tá tudo certo. E pergunta:

- É claro que de vez em quando uma ou outra barata vai entrar na casa. Entram e morrem. O que você queria? Que elas se desintegrassem quando se aproximassem? 
- É ló-gi-co!!

Poderia ser melhor, elas poderiam nem chegar perto do bairro. As formigas, então, ah. Essas não só ignoraram a dedetização como chamaram as amigas. Foi só o moço dar as costas e todas as formigas do sul do país encontraram o meu pote de mel.

O reforço a que tenho direito já foi acionado. Oremos. (O povo da empresa jura que o produto é amigo da natureza - a natureza boa, não me venham defender as baratas. Eu acredito, porque preciso.)

Para completar a alegria, enquanto eu corto os dedos, Florianópolis resolveu brincar de cortes no fornecimento de energia. As luzes se apagam, o ar condicionado dorme, o calor aumenta, o marido abre a sacada, eu grito que as baratas vão entrar, o marido fecha a sacada, e derretemos até que a energia elétrica volte a nos brindar com sua presença. Bem divertido. 

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Fico aqui jogando conversa fora, mas só penso no leque. Vou lá procurar de novo. 


 

1 comentários:

K disse...

Meus filhos, pasme, ja defenderam uma barata. Disseram que a infeliz também tinha direito vida.
Espero que a essas alturas ja tenha encontrado o leque. Eu teria ataque de pânico se fosse eu que houvesse perdido.Sou dessas, infelizmente.

 
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