Quando o carteiro chegou


É bom saber por antecipação quem chega lá fora quando a campainha toca. Era final de manhã, quase na hora em que minha mãe encerrou sua caminhada, três anos atrás. Arrastei a caixa pela sala, pesada demais para que eu conseguisse erguê-la. Usei a tesoura. 

Tirei fotos para que Joana e Luciana pudessem recebê-lo comigo, mas elas não estavam online. Foi em silêncio, então. Abri, fechei, virei, cheirei. É isso, a aventura começa agora. Os exemplares já foram levados para a livraria de onde partirão carregados por mãos amigas ou desconhecidas, rumo aos destinos mais imprevisíveis. As letras dançarão entre as páginas e os olhos de quem flertar com elas. Cada leitor, uma dança diferente. Receio não define tudo, mas faz parte do pacote.



***

No almoço, um brinde à memória de minha mãe, outro à chegada do livro. Ulisses, marido coruja-mor, avisou aos filhos:

- Vocês podem se orgulhar muito da mãe de vocês, viu?

Ao que Amanda, do alto de seus seis anos de idade, prontamente respondeu, dando de ombros:

- Eu já me orgulhava desde antes dela fazer livro. 

Desconfio que ela nem sabe o que vem a ser "ter orgulho de alguém", mas não importa. Vocês podem nem achar doce, mas todo mundo aqui achou e brindou de novo.

Quanto a mim, não se trata de orgulho, mas de genuína alegria. Obrigada, Luciana e Joana, mais uma vez. Honra tampouco define tudo, mas é um pedaço gigante do pacote.  
  

2 comentários:

simplesmentefluir disse...

Sim, é muito doce e você merece essa alegria. Parabéns!

Silvia disse...

Muitos parabéns, Rita!! Você merece! beijos

 
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