Brisa


O verão chegou essa semana com manhãs muito claras e portas escancaradas. O calendário talvez consiga se impor e frear um pouco a afobação das temperaturas; é possível, contudo, que o mormaço que nos cerca já arme sua barraca, para o bem e para o mal. Penso nas providências e na preguiça, na areia e nas chuvas passageiras, e que é preciso prevenir a brotoeja na pequena, manter curto o pelo do cachorro, comprar uma sunga de praia para o pequeno; é preciso se concentrar para não derreter ideias e manter a esperança de que o vento virá. Também é de bom tom ouvir o alvoroço matinal dos passarinhos na varanda, meu deus, que gritaria. É necessário fazer sorvete. É bom abrir as janelas, arejar o coração, andar devagar de chinelos. É imprescindível tomar suco de cajá bem gelado e se lembrar de trazer para dentro da alma a luz dos dias longos. 

Quando saio do trabalho há uma lua quase redonda me olhando lá do alto do céu ainda pálido. Pisco-lhe um olho e, ingrata, quase faço pedidos. Sigo pela rua banhada pela luz da tarde antes que estrelinhas miúdas acenem na noite quente. O ano já vai terminar, observem. Faz calor aqui, dentro dos planos. Tomara que a noite traga uma brisa que cure anseios e aceite perguntas.

1 comentários:

simplesmentefluir disse...

Rita, com esse olhar gentil que você tem para a vida...as noites e os dias serão sempre de paz e tudo estará no lugar certo, pois você tem o dom de transformar. Grande abraço!

 
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