O bombom


Houve uma vez uma menina que ganhou uma caixa de bombons. Mal podia acreditar quando recebeu a caixa de tampa dourada e laço de fita. Reconhecendo o nome que tinha visto na TV, já desmanchou o laço sabendo o que seus olhos encontrariam. Sua boca salivou com urgência e um "obrigada" emocionado lhe saltou pelos lábios. Sorriu agarrando-se à caixa, já temendo que alguém lhe pedisse um. Guardou em seu quarto, à vista, ao alcance fácil da mão. Comeu o primeiro como quem viaja pela primeira vez. Foi feliz.

Quando restavam cinco bombons, achou por bem parar. Quis prolongar aquele estado de felicidade simples, poder pensar por mais tempo que tinha bombons finos para comer quando quisesse. Suspendeu a alegria da boca e se contentou com o saber que estavam ali e eram seus. Chegava eventualmente a tocar as bordas do papel brilhoso que envolvia um ou outro. Cheirar, não, era muito perigoso. Até o dia em que o verão ia alto e a menina, que agora tinha o laço de fita no cabelo, resolveu se permitir. E ao abrir o papel laminado colorido viu derretido e disforme o que deveria ter sido um bombom de consistência boa e certa. 

Nunca mais adiou abraços.

2 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Tão redondo que dói.

Raphaela Rezende disse...

Ah, como é bom passar por esse blog! Adoro sua sensibilidade.

Abraços,

Rapha

Ciranda Materna

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }