Dentes pretos e beiços


(caprichei no título, hein? digam lá!)

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Tenho coisas a contar, mas o tempo é um riozinho apressado. E agora, não. Hoje vou adormecer lentamente, com cafuné. Vou ver o dia amanhã que, dizem, será azul. Vou esperar as fotos que mandei revelar. Vou tecer retalhinhos, alinhavar uns paninhos. Vou. Agora, não. Agora meu tempo é o sossego que encerra uma semana lotada de mais do mesmo, intercalada por pitadas de boas pérolas. Fiz até muffins. E amanhã vamos ver o mar.

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Há um filme antigo com Michelle Pfeiffer e Bruce Willis em que seus personagens perguntam aos filhos qual o melhor e o pior momento do dia, todos os dias. De vez em quando, faço o mesmo com os meus, no carro, a caminho de casa. Normalmente Amanda responde algo relacionado à aula de dança para o melhor momento, e fica sem resposta para o pior; Arthur faz o mesmo, falando do recreio. Agora há pouco me perguntei sobre minha semana. Tenho uma listinha de piores momentos, todos relacionados ao trânsito ou a detalhes chatos de meu trabalho. Um pote de clichê. O melhor momento, no entanto, salta isolado em meus pensamentos, dançando: as bocas das crianças cheias de muffins, os dentes pretos de chocolate, bochechas arredondadas enquanto mastigam e gemem - hhhuuuummmm, mãe, que delícia!! Que trânsito, o quê. Vidão. 

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Ao cafuné. Nos próximos capítulos: tecido, barco, fotos.

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E, talvez, gatos. Amanda quer adotar um gatinho. Eu expliquei que, veja bem, seria complicado, temos os cachorros, o gato pode fugir, etc. Ela esticou o olhar. E o beiço. Suspirei. Vamos pensar, tá? Beiço. Olhar. Suspiro. Estamos pensando. Beiço. Oh, dear.  

2 comentários:

Tina Lopes disse...

Ah, os dentes pretos <3
Olha, Amanda, aqui em casa é o contrário: a Nina tem duas gatas muito bravas e agora ela quer um daqueles cachorrinhos que parecem uns bibelôs, acho que são lulus-da-pomerânea. Quando ela me fala disso eu pergunto: "cachorrinho? de que sabor?" ;)

Daniela disse...

Oi Rita,

Desculpa a intromissão, mas tenho que dar meu pitaco. Gato em casa é muito complicado, porque a chance de sumir é grande (fugir, ser atropelado, envenenado, etc). E é uma tristeza sem fim quando o bichinho some. Já tive um cachorro que saía para a rua e sumiu, e até hoje penso no que aconteceu com ele.

Eu entendo a Amanda, eu sou louca por gatos e hoje acharia muito difícil não ter um na minha vida.

Beijo, Daniela

 
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