Uns dias e uns torcicolos


A semana me atropelou e mal vi. Pisquei e eis a sexta-feira outra vez. 

Eu tinha 

uma amiga para quem telefonar, 
um evento para tentar espiar e 
uns textos para ler. 

A amiga já deve ter voltado para a cidade dela, nem cheguei a visitar a página do evento e sequer abri os textos. 

No outro lado do espectro, meu filho teve febre e fez o primeiro exame de sangue da vida dele, enquanto minha filha teve o primeiro torcicolo da vida dela. Fui a três consultórios médicos e um laboratório em quatro dias, cheguei atrasada mais vezes do que minha chefe deveria achar bacana, busquei filho mais cedo na escola, essas coisas. Para deixar tudo mais engraçado, a médica disse que não seria necessário jejum para o exame, informação negada pela recepcionista do laboratório - o Arthur não estava em jejum, claro. Tudo bem, nada demais, voltamos amanhã, moça. É óbvio que chovia torrencialmente no momento da viagem perdida ao laboratório e, quando saíamos de lá, Amanda correu e se jogou dentro do carro, batendo a cabeça no banco e fazendo o torcicolo. Tudo bem concatenado; vejam que foi uma semana corrida, mas organizada no quesito "uma lambança gera outra". Eu não teria dado grande importância ao caso se, dois dias depois, não tivesse visto Amanda incrivelmente torta, com os ombros desalinhados e a coluna em S. Cheguei a ficar assustada, mas o quadro regrediu direitinho.

No meio do caminho havia uma aniversariante com o pescoço torto. Seis anos, miladyCom o pescoço reto outra vez, há chances de ela participar da apresentação de dança agendada para domingo. Se a previsão do tempo se confirmar, será um dia de dilúvio e haverá atenções redobradas ao voltar para o carro, só por precaução.

By the way, se chover metade do que tem alardeado a previsão, terei guelras na próxima segunda-feira.

Allende me espera, paciente, na cabeceira.

No meio de alguma correria, em uma manhã de sol que parece longe no tempo, observamos que a árvore da calçada mostra sinais de floração. Há botões, pela primeira vez em seus sete ou oito anos de vida. E olhares. E uma chuva que parece nunca passar para eu saber o que será desses botões. De tanto espiar e tentar adivinhar o que virá, que cores terão, que ares trarão, não tardo a ser eu a do torcicolo. Vão vendo.


4 comentários:

simplesmentefluir disse...

Com essa forma compreensiva de ver a vida tudo fica mais fácil, não é mesmo Rita! Que seu fim de semana seja leve e aquecido, assim como seu coração. Beijo

Clara Lopez disse...

Abraços guélricos :))
clara

K disse...

Puxa tenho pânico de guelras. Detesto peixes mais que qualquer outra coisa no mundo.

Uma vez escrevi um texto no qual me apareceram guelras mas foi depois de tanta lagrima e não de chuva.

Melhoras. Me conte depois da dança.

Jô Bibas disse...

Goste de te ler. E vejo que gosta de Allende, como eu. Falei dela dois posts atrás, fã incondicional.
Boa semana,

 
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