Menos leite, menos remédios


Desde que parei de tomar leite (mas não de consumir produtos com leite na composição, pelo menos não por enquanto), deixei de ser acometida pelas repetidas sinusites e infecções de garganta. Assim, sumiram. Troquei invernos com até três doses de antibióticos em um espaço de 2-3 meses por invernos sem antibióticos (foram dois invernos sem leite até aqui). Os resfriados e gripes que quase invariavelmente se convertiam em faringites e laringites agora são apenas resfriados e gripes - além de menos frequentes. Antes de abandonar os copos de leite diários, minha ficha em uma clínica otorrinolaringológica de Florianópolis já ia tão extensa que o último médico que me atendeu mostrou-se espantado e queria dar início a um longo tratamento com vacinas e remédios tais. Pretendia dar uma controlada na rinite alérgica que, segundo ele, estaria ali de mãos dadas com tantos eventos infecciosos. Ouvi aquilo, achei que fazia sentido, mas deixei pra depois. Algum tempo depois, por motivos que nada tinham a ver com minhas alergias respiratórias, consultei uma nutricionista funcional.

Já na longa entrevista feita na primeira consulta, o consumo de leite virou assunto e me vi tentando resgatar memórias de minha alimentação na infância para entender melhor como meu organismo se comporta em relação a alguns produtos. Minhas alergias respiratórias não seriam, a princípio, o foco da conversa com a nutricionista, mas ela se mostrou interessada no assunto quando leu minhas respostas ao questionário que respondi antes da consulta. Foi a primeira vez que alguém fez perguntas direcionadas ao tema "comida" e iniciou uma pequena investigação em meus hábitos alimentares com a intenção de amenizar minhas crises alérgicas. Ao contrário de todas, absolutamente todas as consultas que fiz com diversos otorrinos, em que, em dez minutos, eu 1) descrevia os sintomas; 2) abria a boca e botava a língua pra fora; 3) recebia uma receita com um antibiótico e um anti-inflamatório; dessa vez fui convidada a fazer pequenas alterações na alimentação para, quem sabe, diminuir a recorrências dos processos infecciosos. Dois invernos depois, ainda comemoro o fato de não ter mais precisado recorrer aos remédios. Nenhum médico especialista em garganta fez mais pela minha garganta do que a nutricionista; nenhum otorrino jamais me fez sequer uma pergunta sobre minha alimentação - não quero com isso dizer qualquer coisa sobre quão competentes são esses médicos; mas, né, cabem questionamentos sobre alguns aspectos de nossa medicina tradicional, não cabem? E a quem duvida dos tratamentos ditos "alternativos" à medicina tradicional, espero que não torçam para que uma laringite ferrenha me derrube. ;-) Se houver necessidade de remédios, tomarei, oras. Mas, se puder, melhor sem eles.

Cada vez que um resfriado me pega, fico me perguntando se o ciclo vai se quebrar e dessa vez uma laringite vai me deixar sem voz e com dor. Ainda não aconteceu. Estou agora às voltas com um ciclo de gripes e resfriados rondando minha casa; todos sucumbiram, eu inclusa. Ontem, depois de um final de semana em que praticamente não parei de tagarelar (duas festas infantis, churrasquinho, rodada de Catan), cheguei a pensar que minha garganta iria pifar de vez e que a tosse está um tanto esquisita. Vamos observar. Por enquanto, vou de chá de hortelã adoçado com mel. Bem longe do leite.



2 comentários:

Terla disse...

Já li bastante sobre isso, de fontes diversas e nem sempre confiáveis. A primeira vez foi num email daqueles "tipo corrente" que dizia que o leite era super prejudicial, aumentava o muco, entre outras coisas. Eu reduzi os laticinios um período e To considerando tentar parar. Qdo reduzi notei muita diferença no corpo. Legal, né? Alimento realmente muda muito a qualidade da vida da gente.

K disse...

Tenho intolerância a lactose confirmada por exame laboratorial e sempre me sinto muito mal depois de ingerir leite e/ou derivados. O gastro pediu que eu cortasse absolutamente tudo por 45 dias porque essa intolerância tende a regredir ou desaparecer. Não consegui. Qualquer dieta de restrição alimentar é osso.
Aguardo o resultado da endoscopia para saber se meu problema é o leite ou algo mais.

 
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