Envelopes de afeto



Um bolo de limão siciliano deixa o dia mais perfumado, vão por mim. Usei uma receita do TK, substituí o sour cream por creme de leite mesmo e deu tudo certo. Fofo e azedinho, cresceu e ficou bem lindo. Um bolo de afeto: tirei a receita de um blog que adoro, usei a fruta mais cheirosa do mundo, minha filha me rondou e lambeu a forma, pus fatias fofinhas nas lancheiras, levei um pedaço para dividir com amigas queridas no trabalho.

Sem que vocês me peçam mais detalhes, o dia foi difícil. Quando alguém de quem gostamos enfrenta desafios, de certa forma remamos junto. Mas há aqueles desafios imensos em que nos sentimos um tanto impotentes, incapazes de fazer mais do que torcer e emprestar o ombro. Pode não ser pouco, um ombro pode fazer muita diferença, mas, ah, a gente gostaria de fazer tão mais que isso. E o bolo, que parecia capaz de perfumar o dia inteiro, foi comido por caras tristes, pensativas, torcendo. 


E aí uma outra amiga cruza comigo no corredor e me presenteia com um sachê de chá de maçã. Esquentei um pouco d'água e descobri que o chá era tão perfumado quanto meu bolo saindo do forno. Minha amiga não sabe, mas sua pequena gentileza foi um afago, um cafuné em forma de envelopinho vermelho.

Eu acredito nas luzes do fim do túnel, de verdade. O problema é que ainda não sei como transformar minha crença em afago. Eu tento e mando um pedaço do meu coração nas mensagens que vão pelo celular e que, espero, levam junto meu amor e minha torcida. Meus pequenos envelopinhos vermelhos, cheios de carinho. 


5 comentários:

Renata disse...

Rita, nunca deixo de me surpreender com o quanto você consegue construir poesia em forma de post. Hoje, mais uma vez, o Estrada Anil me deixou mais feliz, como se eu tivesse recebido um carinho delicado e lindo.
Queria que esse carinho que você faz com suas palavras voltasse a você e te desse tudo o que precisa pra passar por esse dia difícil. Um beijo, querida.

Luciana Nepomuceno disse...

Rita, querida,

faz tempo que deixei de saber como comentar seus posts mas, de vez em quando, insisto. Porque há a história, que às vezes sei e tocam, doem ou alegram. E há a beleza, a estrutura, a escolha das palavras, o arranjo delas, a literatura. E as duas coisas chegam assim, como se fosse fácil, possível, um mundo e um tempo de delicadeza e força. A sensibilidade, eu sempre vi, desde a primeira vez que cheguei na sua estrada. Mas a sensibilidade é pontinha de um iceberg de lucidez, força, energia. E eu ia dizer mesmo é que o bolo e o ombro são, na minha opinião, um bom começo nessa transformação de crença em afeto, viu.

Anônimo disse...

Até seu blog é perfumado...

Dri.

Silvia disse...

Rita, desejo que corra tudo bem. Beijinhos

Marissa Rangel-Biddle disse...

Pensando nela. Pensando em ti. Obrigada.

 
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