Easy Weekend


Meu corpo pediu repouso e dei a ele um final de semana em câmera lenta. Li um pouco, escrevi menos, toquei. Meu momento de maior agito deve ter sido montar um quebra-cabeças do Charlie & Lola. Nada de reuniões para jogatinas com os amigos, meu jogo de tabuleiro do sábado chuvoso foi Candy Land com a Amanda. Para o domingo eu tinha planos radicais de fazer brigadeiro com ela, mas não havia leite condensado em casa; na volta do mercado, o dia já estava se despedindo e ela estava envolvida em alguma caça ao tesouro com o irmão. Só me restou fazer um rápido bolo formigueiro para o café com eles. O que, de verdade, é sempre bom: acho que o bolo formigueiro vai ter para meus filhos um papel semelhante aos bolinhos de nata que minha mãe fazia quando eu era bem pequena. Será uma lembrança de "comidinha que a mamãe fazia" de um jeito muito bom: doce, morninho, com olhares compridos pedindo mais e o papai brincando de que vai esconder o bolo pra comer sozinho. Faço o brigadeiro outro dia.

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Enquanto preparava o bolo, comentei com o Ulisses que vi no mercado o pacote com 100g de rúcula sendo vendida por mais de sete reais. Se eu quiser comprar um quilo de rúcula, preciso de mais de 70 reais. Um quilo de carne dita "de primeira" custa, no mesmo mercado, algo em torno de 31 reais, que já é caro. Acho que não entendo nada de custos de produção. E não vai haver rúcula na salada até eu dar uma passada no outro mercado.

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Eu tenho a sorte de ter amigos que fazem coisas muito docinhas. Uma amiga havia lido uma tradução de The Catcher in the Rye em português (O Apanhador no Campo de Centeio) e tinha um exemplar em inglês "sobrando" na estante dela. Há umas duas semanas, ela me deu esse exemplar, a docinha. Como estava lendo outra coisa, dei uma rápida passada de olhos nas duas primeiras páginas e o pus num canto bagunçado da estante, furando a fila. Uns três dias depois, reconheci, em português, o teor dessas duas primeiras páginas no Facebook da tradutora Denise Bottmann. Pelo que entendi, ela está traduzindo a recém-lançada biografia de Salinger e brincou de traduzir parte de Catcher. A partir daí, seguiram-se em seu perfil diversas conversas em torno de Salinger e seu famoso livro. Ou seja, o universo conspirando... não, nada disso. Só uma coincidência engraçada. Foi só eu ganhar o livro e quase todas as vezes que visitei o FB esses dias vi alguma referência a ele ou ao seu autor. Assim que terminar Sépia, da Allende (que está bem mais ou menos), vou ler o tal. 

Outra amiga docinha: ela vai ao lugar onde trabalho resolver alguma coisa. Como sabe que trabalho lá, aproveita e me leva uma trufa. Ela me liga. Aí eu não estou lá. Eu não estou no trabalho no momento em que a amiga vai lá me dar uma trufa. Só eu, viu.

E eu, azeda: errei o ponto da mousse, de novo.

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Nosso pé de manjericão subiu no telhado. Bem agora quando o de tomate tá carregadinho. Terá sido uma crise de ciúmes?

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As crianças me contam entusiasmadíssimas sobre os incríveis feitos deles no jogo tal. Eles falam com os olhos arregalados, as mãozinhas desenhando no ar os zumbis e sei lá mais o quê; Arthur fala alguma coisa da incrível gruta que Amanda fez; eles falam, falam, falam e eu não entendo nada. Nada. Mas adoro o jeito que eles falam. E tô achando graça do pai deles que vai lá mandar desligar, olha a hora, já jogaram muito, aí senta junto e jogam mais um monte, os três. Vou me manter á distância, para garantir que alguém vai desligar o negócio.

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Tá bom, tá bom, eu me rendo: dei uma espiada em Breaking Bad. Ainda não estou chamando de A Melhor Série, mas já entendo o barulho. E é sempre bom ter cartas na manga para finais de semana de molho, certo? Além de, claro, poder participar das conversas animadas sobre a série. Ou não: sei que agora está no ar o último episódio da última temporada, bem na hora em que vou publicar o post. Aí ninguém vai ler. La vie.

4 comentários:

Daniela disse...

Final de semana muito gostoso esse teu.

E agora que Breaking Bad acabou posso considerar começar a assistir. Agora só faço assim, só começo séries terminadas ou canceladas pra saber por quanto tempo dura o compromisso...rs

K disse...

Uma vez, ha muitos anos, ouvi Jô Soares comentando sobre a tradução do titulo The Catcher in the Rye para o português e explicava porque era um erro. Ha anos tento me lembrar. Quem sabe a Denise possa me ajudar?

Rita disse...

K, eu sei que há vários títulos para publicações da obra em português, né? E, se não estou enganada, a Denise andou falando disso outro dia lá no FB.

Beijocas!

K disse...

Merci!

 
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