Recomendando


Réquiem por um fugitivo.
Visita.
Retratos.
Para uma avenca partindo.
Uns sábados, uns agostos.
Noções de Irene.
Do outro lado da tarde.
O ovo apunhalado.


Talvez sejam esses meus contos favoritos no livro O Ovo Apunhalado, de Caio Fernando Abreu (Ed. Siciliano). Talvez não. Talvez eu releia outros e os inclua na lista. Talvez eu nem ligue para a lista e ame o livro inteiro, apenas grata por ter voltado a ler o Caio depois de tanto tempo. Eu não conhecia os contos de O Ovo, pelo menos não me lembrei de já ter lido nenhum deles à medida que avancei pelo livro. Foi tudo primeiro amor. Visita entra definitivamente para minha gaveta emocional de contos queridíssimos: falar dele me emociona, li suas cinco páginas com o livro em uma mão e o coração na outra, subi junto aquela escada para visitar o quarto (vazio?), também passei por aquele piano. Terminado o livro, voltei lá e li o conto outra vez, como quem duvidava de que era aquilo tudo. Era.

O Ovo é de 1975, prefaciado por Lygia Fagundes Telles, posto que o povo esperto logo percebeu os tesouros de Caio. O exemplar que minha amiga me emprestou é uma edição de 1985. Há nessa edição uma apresentação do autor, O Ovo Revisitado, na qual ele quase se desculpa pelas repetições e diz que rever os contos foi como rever a si próprio "Com algum mau humor pelas ingenuidades cometidas". É verdade que há repetições, algumas até meio inquietantes, imagens que voltam como temas em uma ou outra história, mas minha visão dos textos de Caio já está demasiado parcial para apontá-las como falhas. Digo que as repetições são rimas, ecos - e não é esse livro um poema? ;-)

"Eu te disse que estava cansado de cerzir aquela matéria gasta no fundo de mim, exausto de recobri-la às vezes de veludo, outras de cetim, purpurina ou seda - mas sabendo sempre que no fundo permanecia aquela pobre estopa desgastada." 
Em "O Dia de Ontem", conto de O Ovo Apunhalado.

***

O frio intenso que surpreendeu e encantou tanta gente com seus brancos já passou. Hoje o domingo foi ensolarado e tivemos sensação térmica de deliciosos 22 graus. Mais cedo, no entanto, quando o termômetro ainda apontava 9 graus, o telefone tocou. Era uma amiga animada nos convidando para um café da manhã piquenique na Lagoa da Conceição. Não vou dizer que pulamos da cama, porque seria mentira. Mas nos arrastamos para fora dela atraídos pelo azul lindo lá fora, pela promessa de temperaturas em elevação e pela amiga animada. E lá fomos nós tomar café assim:










Amanda, a gata e a cachorra.

Um levou café, a outra chimarrão; cada um abriu suas geladeiras e armários e de lá levou iogurte, mexerica, banana e amendoim; biscoitos, leite, queijos, presunto; um santo passou na padaria mais legal e levou pães e cuca; e todo mundo se deu bem. Recomendo tudo: os contos, a Lagoa, os amigos, a padaria e a cachorrinha da foto. O azul, a geleia de frutas vermelhas e olhar os barcos. Recomendo sair, respirar e se esticar. Recomendo os sábados. 


6 comentários:

Juliana disse...

li Caio na biblioteca da faculdade. muito amor!

Clara Lopez disse...

Muito linda sua filha, uma gata. Eles também (marido e filho), mas a foto dela está escancarando a fofura.
abraço,
clara

Daniela disse...

Oi Rita,

O Caio mora no meu coração. Desde os 15, 16 anos, quando li morangos mofados. Eu sentia que podia ter escrito muitas das coisas que ele escreveu. Tenho todos livros dele, e releio sempre alguma coisa. Por isso me surpreendi quando você escreveu sobre o livro da Jeane Calegari, do qual eu não tinha ouvido falar. Já encomendei, vou matar um pouco a saudade dele. Eu sempre penso sobre como ele estaria escrevendo se estivesse vivo ainda.

beijo, e obrigada por ter escrito sobre o livro.

Angela disse...

Quantos coracoes cabe em um comentario???? O relato do sabado me inebriou de inveja! Que super gostoso! Beijao

Ana Claudia disse...

Procurei na internet e achei "A visita" disponível em um blog sobre o Caio. Nunca havia lido nada dele. E, realmente, esse conto é de prender a respiração... Depois vou fuçar mais para descobrir os outros contos. Bom mesmo largar um pouco os estudos "técnicos" para aproveitar um pouco a literatura brasileira... Saudade do tempo em que conseguia ser rata de biblioteca...

Ana Claudia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
 
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