Sons de junho



Pode parecer estranho, mas talvez a aparente ausência de pauta some a favor. Para qualquer causa que se olhe, lá está ela, dona política. A correria que nos impomos para manter o sistema funcionando não nos deixa tempo para pensar no... sistema que nos leva a nos impor a correria...  e a engrenagem do Chaplin nem parece tão velha assim. Talvez seja justamente a pauta ampla e irrestrita, difusa, indefinida e, por isso mesmo, acolhedora, que leve tanta gente a parar um pouco ruas e algumas engrenagens, e se lembrar de que é preciso encarar a política e repensar o sistema, as prioridades, o respeito pela coisa pública. Olhando bem de perto, a pauta está lá: é o público, a retomada da noção de que uma democracia se faz ouvindo o povo - e não somente nas urnas. É claro que nem é preciso fazer concha com a mão junto à orelha para ouvir os brados diários por mais respeito vindos de quem precisa de transporte público decente, por exemplo (e todos nós precisamos, ainda que muitos de nós não percebamos). Mas é bom saber que ainda há o grito coletivo.

É claro que a pauta difusa cobra seu preço, e vejo gente gritar contra coisas que apoio, ou pedir outras das quais discordo. Mas sejamos otimistas e chamemos a isso de conversa. Que a conversa cresça, que o barulho vire música e seja como a serenata dos gatos dos Saltimbancos: longa, animada, revolucionária de verdade. O caminho é longo, aproveitemos a disposição para caminhar. 




3 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

To assinando esse seu post, assim, na cara dura. Você leu o da jeanne? me comoveu tanto <3

beijos barulhentos

Iara disse...

Adorei também!

Clara Lopez disse...

Sim!

 
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