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Hoje alguém falou na minha timeline do Facebook que estava se sentindo "uma sucuri engolindo um boi informacional" (oi, Jeanne, tudo bem?), tamanha a quantidade de informações por minuto nas últimas semanas. De fato, não tem sido moleza digerir tantas opiniões desencontradas, tantos dados e retratos da grande movimentação no país por esses dias - falo exclusivamente da internet, não tenho visto os jornais na TV ou lido qualquer revista impressa. Torci muito por um saldo positivo da barulheira do último dia 20, que me pareceu tão confusa e, apesar de muito próxima no tempo, estranhamente distante do dia 17. Se os grandes saldos positivos para o país de fato vierem, saberemos. Para mim, pessoalmente, já chegaram.
  
Na primeira vez que ouvi as palavras "passe livre para todos", ri, simplesmente. E julguei, do altar colossal da minha falta de informação, que se tratava de alguma peleja exagerada de adolescentes empolgados. Aí fiquei em silêncio quando me dediquei por algumas horas a buscar um pouco de informação sobre o assunto.  

Tenho gostado desse silêncio que me faz apoiar o queixo sobre as mãos em frente à tela e ler com humildade. E se me permitem a ironia, fico impressionada como tanta gente consegue emitir opiniões seguras sobre assuntos acerca dos quais conhecem tão pouco. Como eu, quando ri da ideia do transporte público gratuito. De repente todo mundo tem opinião embasada sobre a PEC 37, por exemplo. Embasada no barulho. Bom, vai ver que só eu sou lenta mesmo.

Tive um professor no mestrado que gostava de nos lembrar da importância de questionar nossas certezas e da sabedoria que há em reconhecer que nunca sabemos muito. Por mais que saibamos, ora, há tanto mais além do nosso campo de visão. Sempre há. Nos últimos dias, vejo pessoas (amigos, jornalistas, colunistas, pitaqueiros de plantão) que considero muito bem informadas, engajadas em seus respectivos campos de atuação, com visão crítica afiada, questionando-se o tempo todo, revisando suas certezas e aceitando suas limitações; perguntando "será?". Ou pelo menos exercitando a cartilha de observar, refletir e estudar antes de se pronunciar. Por outro lado, aqui e ali, vejo o esbravejamento de quem se baseia em ecos somente. Aprendo com as várias nuances dos dois grupos, sem saber direito onde me situo - sem qualquer pretensão de me tornar uma pessoa "bem informada" (não dou conta, claro), luto pelo menos para não cair na armadilha tentadora do esbravejamento.  

Não acho pouco, tomara que eu consiga.

2 comentários:

Fabiana disse...

A PEC 37 pra mim é simbólica dessa necessidade de todo mundo ser especialista em tudo: de guerra bioquímica a vacinação infantil.

Pode não saber, gente, pode não entender.

Daniela disse...

Que post lindo! Me sinto assim também. Lendo desesperadamente sobre temas que até ontem não sabia nada. É um caudal imenso de informações. Muita quantidade, mas também muita qualidade.

 
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