Quem vai querer tocar na banda?*


*Pegunta o Chico, em Saltimbancos.

Passamos as últimas semanas contando os dias. A entrega estava prevista para quinta-feira da semana passada, mas foi preciso se conformar com o atraso. Ontem, no final da tarde, nossa espera acabou. Foi um fuzuê. Recebemos com muita alegria nosso Clavinova e agora nossa sala tem um brinquedão. 

Desde que Arthur e eu começamos a estudar piano, no ano passado, vínhamos treinando em um teclado. Tudo funcionava muito bem, levando-se em conta o nível iniciante dos alunos. Mas foi só avançar um pouquinho (bem pouquinho mesmo) nas aulas para a diferença no peso das teclas começar a interferir no rendimento da prática. Passou a ser comum, por exemplo, eu conseguir executar um exercício com facilidade no teclado, mas ser incapaz de reproduzi-lo no piano da escola de música. As teclas muito mais leves do teclado me davam a falsa sensação de bom desempenho; e as aulas, consequentemente, tinham o rendimento limitado. Agora não tenho mais desculpa e vou precisar enrolar a professora de outro jeito. ;-)

E, ah, quanta diferença! Além da vantagem do peso das teclas, o som do teclado agora me parece aberto demais, metálico demais, enquanto o do piano me parece perfeito. Só falta aprender a tocar. A princípio, cogitamos comprar um piano acústico, então pesquisamos aqui e ali, perguntamos a um e a outro. Vários fatores definiram nossa escolha, e devo dizer que estou muito satisfeita com a opção por um Clavinova. Acho que saio ganhando ao unir o som de um acústico às facilidades de um instrumento digital. Por exemplo, boa parte de minha prática se dá à noite, depois que a casa dorme. O piano digital me permite estudar com fones de ouvido. Fosse um acústico, a família me amarraria ao pé da cama todas as noites.

A diversão já começou. Arthur enche a casa com suas melodias dim-dom-dom de aluno iniciante, muito fofo. E Amanda executa 890 vezes por hora a única minimelodia que o irmão lhe ensinou no ano passado. Eu aplaudo, claro. Ulisses, que estudou piano quando era criança, também anda rondando as teclas e, aposto, logo vai voltar a tocar também.

Ninguém sabe nada sobre o amanhã; tudo sempre pode acontecer e é possível que a música nem ocupe muito espaço na vida de nossos filhos, como saber? Seja como for, o agora, a parte da vida da qual podemos cuidar melhor, está muito mais rica e colorida com a presença de notas e claves ao nosso redor. E eles se esbaldam daquele jeito que as crianças fazem as coisas de que gostam: com entusiasmo e alvoroço, disputando pra ver quem toca mais tempo e adiando a hora do banho com "só mais uma música". Tentei acalmá-los, argumentando que o piano veio pra ficar e não há pressa. Mas quem estou tentando enganar? Hoje me atrasei  toda.



8 comentários:

Deh disse...

Seu último parágrafo me representa MUITO. :) a gente não tem como saber, mas né? Faz o que pode. E aproveita um pouquinho.

(o presente de Natal do menino provavelmente será uma bateria nova, maior)

Luciana Nepomuceno disse...

tá, chorei.

Angela disse...

Ieba!!!! A diferenca eh tanta sim que nem sequer gosto de teclados. Por causa deles torcia o nariz ate para os pianos digitais mas ouvi falar de um amigo que eh que nem um piano sim, com peso nas teclas, vibracao nas cordas e toc da madeira. E isso ha 10 anos atras, imagina agora. Se lambuzem nessas teclas! :)

Fabiana disse...

Que delícia essa casa de vocês. : )

Marília Moschkovich disse...

Inveja da boa!!! <3 Eu toquei piano durante 7 anos, dos 7 aos 14. Desisti porque não tínhamos como ter um piano. Passei 7 anos treinando no mesmo teclado, e uma hora simplesmente perdi o tesão de estudar em casa... Quem sabe um dia eu volto a tocar? :) Quando tiver meu próprio Arthur e um piano? ;)

Anônimo disse...

Que maravilha!!!! Acho que já te falei que Raquel fala que vai ser pianista e que já estendeu p mim e o pai tb. Ano passado ela queria porque queria aprender, dai procurei lá em Aracaju e as escoals que fui só aceitavam com 7 anos... aqui em Salvador nao tive tempo p checar...
Parabéns!!! Aproveitem muuuito seu piano!!
BEijos,

disse...

Parabéns pela clavinova! Acho que foi um otimo investimento sim. Nao entendo do assunto, mas a minha mãe sim. Ela é pianista profissional, tem em casa um piano de cauda e uma clavinova, que ela usa para estudar a noite ou nos finais de semana. Olha que ela sempre odiou teclado e afins, mas ela gostou tanto da clavinova que ja' tem mais 2 na familia: uma na casa da minha irma e outra na casa do meu avô para ela poder tocar. :)

Rita disse...

Nossa, Dé, agora me lembrei totalmente do dia em que você me falou da sua mãe, dos concertos que vcs veem juntas por aí.

Tô adorando a brincadeira, gente. ;-)

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }