"Sometimes I'm dreaming..."


"You make me feel like I'm young again."

Quase perdemos o voo, claro. O irmão do Ulisses, inclusive, perdeu o dele lá em BH, e chegou em Sampa horas depois do previsto. Já começou emocionante nossa jornada. Ver o Cure ao vivo faltava no meu currículo de deslumbres. Check.

Cinquentão, Robert Smith atrasou o início do show em uma hora. Bom, eu queria vê-los desde o final dos anos 80, então esperei sem reclamar muito. Outros quarentões e trintões estavam por toda parte, a noite era nossa. Também havia muita gente mais nova, mas certamente boa parte do público de ontem coleciona histórias sobre o primeiro vinil da banda, a saída do guitarrista tal, o vídeoclipe favorito, etc. Olho nossas fotos e vejo nossas caras sorridentes cercadas de gente grisalha. Amor demais. A noite estava começando, o céu de São Paulo estava camarada, nós estávamos lá, a postos. E lá ficamos nas mais de três horas em que a energia da banda nos deixou, a todos, impressionados. Dizem que havia 30 mil pessoas no show. Eu era, de longe, a mais feliz. \o/

Como disse nosso amigo (que já havia visto a banda dois dias antes no Rio, mas estava lá com a gente outra vez), imagine ouvir 40 músicas deitado no sofá da sala - já é muita coisa. Ao vivo, é um desbunde. Deu tempo de fazer tudo: fotografar à vontade, imortalizar o fato de que ele cantou Pictures of You pra nós, na filmadora da máquina fotográfica, ficar na ponta dos pés para vê-lo virar a cabeça daquele jeito que ele faz, grudar os olhos no telão durante as canções mais lentas; deu tempo de sentir os olhos se encherem d'água ao som de Just Like Heaven, cantar aos berros Inbetween Days, dançar Why Can't I Be You, Hot Hot Hot, Mint Car, ou se balançar ao som de Lullaby, Push e Lovesong (desculpa, Adele, você não deveria ter feito aquilo com essa música); incluir A Forest na lista das preferidas porque a música funcionou incrivelmente no palco; deu tempo de sentir saudade das amigas que ouviam junto The Caterpillar; deu tempo de ficar rouca e sentir dor no pé; de dizer "ele não vai tocar Close to Me, né", para, no segundo seguinte, ouvir os primeiros acordes da música, grata pelo talento desse cara descabelado aí da foto. 

Now I have my pictures of you, Bob.

Robert Smith praticamente não conversou com o público, apenas disse obrigado em português algumas vezes e fez dancinhas maluquinhas, ninguém precisa de mais. Sua voz continua a mesma dos discos dos anos 80, o que considero um feito e tanto. Ao final do show, mal tínhamos voz para berrar junto no hino Boys Don't Cry, ou pés para dançar ao som de Killing an Arab (a quadragésima canção da noite), enquanto ele ainda esbanjava vigor e derramava sobre nossas cabeças saltitantes o mesmo som irretocável de sempre. Um fofo, o tiozinho.

Foi assim, perfeitinho. Just like heaven.

   

5 comentários:

Cristina Lopes Cassiano disse...

Sabes que eu não gosto do passado, né? Então até brinquei essa semana que ah, perdi o show do Cure... há 20 anos. Mas fico feliz que você tenha feito essa viagem de tanta qualidade. The Cure era/é o máximo. E Killing an Arab, uau, posso cantar de trás pra frente até hoje. <3

Angela disse...

Que delicia Rita! Eu nao teria feito questao nenhuma de ir novamente ;)

Juliana disse...

eu não sabia que eles eram eles. /o\

que delícia de post.

Anônimo disse...

Você foi!!!! Uau!!!!! Queria ter ido também... mas já que não deu foi ótimo saber do show por você. Valeu!!!!
Beijos,
Ju

Marcia disse...

40 músicas, uau! Bob Smith dando show de energia. Eu fui no show na decada de 80, meu primeiríssimo show. Picture of You, awww eu teria chorado... ♡ Que bom que vocês curtiram!

 
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