Meu jeitinho


Dia desses eu estava conversando com uma amiga. Ela estava sentada no sofá de minha casa, enquanto eu me encaminhava para a cozinha. Eu tinha a linda intenção de nos servir um pouco de vinho e, por isso, carregava em minhas mãos duas taças. Parei no meio do caminho para falar alguma coisa com ela; Arthur entrou na sala e caminhou em minha direção; eu  me virei e esbarrei nele, quebrando uma das taças em sua cabeça. Foi lindo. (Ele não se feriu, mas não podemos dizer o mesmo sobre a taça.)

Dias antes eu havia quebrado uma irmã da taça na pia, enquanto lavava a louça. Funciona assim: eu lavo toda a louça antes e reservo as taças para o final. Daí lavo as beldades separadamente para evitar acidentes. O bom é que quando eu finalmente lavo e quebro a taça, os cacos não se misturam com o restante da louça. Sou bem cuidadosa com isso. 

Voltando um pouco mais no tempo, eu havia seguido esse ritual aí semanas antes. Tinha secado e organizado umas seis taças sobre a mesa, antes de guardá-las. Resolvi guardar uma panela antes e esbarrei em uma das taças. Foi legal porque foi um evento só, economizei nos xingamentos: quebrei três de uma vez. Mas os cacos não se misturaram com o restante da louça, observem. (Já dizimei um conjunto de doze xícaras ao longo de dois anos. Uma a cada dois meses, uma boa média, fora os copos quebrados no mesmo período. O problema é que na época eu não era tão organizada e os cacos viviam se misturando com o restante da louça. Experiência é tudo nessa vida, não é mesmo?)

No sábado passado eu recebi visitas e não quebrei nenhuma taça. Foi bom,  pude reservar todos os xingamentos e lamentações para a máquina fotográfica que deixei cair e rolar escada abaixo. Quer dizer, rolar não é o termo. Ela quicou em cada um dos degraus. Toc toc tuc tic pou. Não se quebrou, apenas ganhou uma pequena avaria e, dizem as más línguas, perdeu algum tempo de vida útil. A conferir. 

Eu me esforço, juro. Mas acho que entrei duas vezes na fila do estabanamento. Na última vez que eu e Ulisses compramos um conjuntinho de taças, sugeri "vamos levar umas seis?'. Ele sabiamente respondeu "vamos levar umas doze - pra ter umas seis no mês que vem"; ou algo assim. Achei justo.

(Este post poderia ter muitos parágrafos, mas acho que vocês já me entenderam.)



 

7 comentários:

Iara disse...

Que fofa, você <3

Meu estabanamento é de outra natureza. Eu bato pernas e braços em todos os móveis da casa. Muito raro eu quebrar alguma coisa, mas eu vivo roxa. Muitos hematonas espalhados. Até já rasquei blusas que prenderam na maçaneta da porta. Ah, e piso em falso, mesmo sem usar salto (quando uso, é só um pouco pior).

Fabiana disse...

Sinto alívio ao ler isso? Também descubro marcas roxas-azuis-verdes nas pernas semanalmente? Por acaso me lembro no que bati pra ficar parecendo vítima de violência doméstica? Quebrei três copos da menina com quem dividia apartamento em uma lavada? Responsabilizo o detergente, que torna tudo escorregável?

Anônimo disse...

Faço das palavras de Iara as minhas... Meu estabanamento é desta natureza, me machuco toda. Léo ao ouvir o barulho ja imagina o que é... já falei para ele, a solução é comprarmos uma casa beeem grande. Por via das dúvidas usar proteção nos cantos...
Beijos,
Ju

Thaís Helena disse...

Oi Rita,
talvez se eu escrevesse um post desses, não o terminaria... pois até enquanto escrevo consigo derrubar coisas tipo café no teclado, essas coisas. Como diria uma tia minha: tem duas mãos esquerda (claro que serve só para nós q somos destros).
Adoro seus textos.
BJs

Marcia disse...

Eu tô é pegando antipatia de copos de vinho de vidro fininho feito papel. Não aguentam nem um leve *ploc* e pronto, estraçalham-se em drama. Vou trocar os meus por uns vintages, bem bem grossos, cansei.

Silvia disse...

Eu também sou assim... Esbarro em tudo e para partir copos.. ui,ui!!

Juliana disse...

eu sou como a iara. esbarro em tudo, em casa, no trabalho, na rua. ontem eu passei 3 vezes perto de uma aluno, na sala, 3 vezes bati nele, 3 vezes pedi desculpa. ele me sacaneou na terceira vez: " não precisa mais pedir desculpa, professora. eu já sei que não é de propósito". vê se pode? hehehehe

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }