Aumenta um pouquinho


A música invadiu minha casa de vez. Desde a chegada dos livros de música clássica das crianças, uma onda musical se apoderou de nós. O Ulisses, que já andava às voltas com a organização de nosso acervo de CDs (convertendo tudo para arquivos em nosso micro), resgatou nossos CDs de música clássica e redescobrimos antigas paixões e deslumbres. As crianças seguem empolgadas: Amanda dá piparotes pela sala e Arthur voltou a praticar sua flauta, além de continuar se dedicando ao piano (ainda treinando em nosso teclado mequetrefe, enquanto o piano não se torna algo viável e palpável - e tocável). Eu continuo ferindo o ouvido deles com minha própria prática, tadinhos.

Nossa nova brincadeira é acionar o som da sala a partir do computador, do iPad ou do celular. O bom da história é visualizar na tela nossas músicas do jeito que quisermos: por álbum, por cantor, por banda, por ordem alfabética, o que vier. Assim, acessível, temos ouvido coisas que há muito não ouvíamos por pura preguiça de procurar o CD ou arquivo. Na onda da coleção de música clássica das crianças, Vivaldi virou nosso xodó e Bach nos arranca muitos suspiros. Hoje recebemos mais um lote dos livrinhos e Arthur me ligou afobadíssimo, todo alegria. Agora temos a Ave Maria, de Schubert, em casa e não preciso mais esperar outra amiga se casar para eu me emocionar, vejam só. (Mas podem continuar se casando e entrando na igreja ao som da Ave Maria, que eu garanto as lagriminhas e a maquiagem borrada.) E estou convencida de que Chopin tinha oito mãos. 

Para quem me perguntou sobre a coleção, adiciono algumas informações: a seleção dos CDs pode ser frustrante se você já tiver em casa um bom acervo de música clássica. Tive a impressão de que a qualidade do som não é a melhor do mundo (não é ruim, longe disso; mas quando ouço outras gravações, percebo uma sutil diferença); além disso, muitas faixas são fragmentos de peças, não as peças completas. Serve perfeitamente para apresentar os compositores às crianças e para nos entreter bastante também, mas quando já conhecemos uma ou outra peça e percebemos o corte, o lamento é inevitável. No caso do Vivaldi, por exemplo, o CD traz apenas um movimento de cada Estação, o que é quase um crime; várias outras peças em outros CDs são cortadas sem dó. Ainda assim, reforço: tem valido muito a pena. Há muita coisa completa também e o propósito da coleção, despertar o interesse da criança pela música, é alcançado com louvor, já que os livros em si são lindos e trazem passatempos e sugestões de brincadeiras - e muitas das músicas, ainda que incompletas, são irresistíveis.

Falta o Ulisses tirar o pó dos pedais e da guitarra e ressuscitar a bandinha dele. Que a gente bem que gosta do Mozart, mas o rock também tem um lugarzão nessa casa barulhenta.

3 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Eu gosto de música. Mas não conheço quase nada. Acho o máximo gente assim, informada, organizada e desatradOPSissoeradopostanterior. beijocas

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Deh disse...

Então. Meu bode, imagina o tamanho dele, quando descobri que em muitos casos colocaram apenas excertos das peças nos CDs. Humpf.

Mas serve. Outro dia o Alê ouviu a Habanera de Carmen e reconheceu "mamãe, é a música que toca no "Up" quando o Sr. Fredriksen desce a escada!!". Babei-me de orgulho. <3 então serve, uai. Por enquanto.

:*

 
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