Sunday afternoon




(daqui.)

E daqui de casa. 



 


    
Etc., por horas.

 ***

Desde sempre Ulisses queria uma tomada na sacada, onde fica a esteira elétrica. Para evitar a função de esticar o fio lá para dentro do escritório todas as duas vezes por ano em que usa a esteira. Aí um dia ele aproveitou que um moço viria aqui consertar sei lá o quê e pediu  pra ele resolver isso aí. O moço fez, bateu bateu bateu, furou furou furou, passou fio passou fio, instalou a tomada. Problema resolvido. Mas o Ulisses se esquece que isso já foi feito e aí estica o fio pra dentro do escritório, com se a tomada nova não existisse. Ele é assim. Mas agora tanto faz, porque a esteira queimou mesmo. Problema resolvido.

***

A gente se joga na cama do Arthur pra ler gibi, Arthur, Amanda e eu. O Arthur adora ler em bando. Mas adora porque assim ele tem com quem dividir as historinhas engraçadas. Não consigo ler duas páginas seguidas sem parar para ouvir "hahaha, olha essa, mãe!". E lê a história dele pra mim; ou me mostra a tirinha do final do gibi, com uma das mãos escondendo o último quadrinho, fazendo suspense. A prova de que mãe é bicho tolo é que acho isso lindo - e até estranho quando consigo ler uma historinha toda em silêncio.

***

Quando fui a Nova York, anos atrás, comprei para minha mãe uma caneca cor-de-rosa. Era de um tom fechado, um rosa profundo, quase cereja. Uma cor linda. Tinha o desenho de uma pequena flor e o nome da cidade. Um souvenir clichê para que ela tomasse leite se lembrando de mim. Ela não tomava. Guardou a caneca no armário da sala e seguiu tomando seu leite num copo de vidro. Esse era o jeito que ela tinha de mostrar que valorizava o objeto: preservá-lo, não usar. Depois que ela morreu, eu trouxe a caneca para minha casa. E, do meu jeito, valorizei cada café tomado nela. Rotineiramente, café após café, revivi o dia em que entrei na loja de lembrancinhas em Manhattan e escolhi a caneca mais linda; e me lembrei do lugarzinho no armário da sala de minha mãe em que a caneca morou por anos. Essa semana a caneca caiu no chão e se quebrou. Ela nem usava, penso eu. Mas não adianta. Quebrou-se e fez eco aqui dentro. Várias canecas no armário, é a dela que se quebra. Brinquei de jogo do contente e busquei um pensamento que me tirasse do banzo. Achei. A sala onde morava a caneca fica naquela casa. Que não está mais à venda. Arranquei a placa. Foi-se a caneca, fica a sala.  


2 comentários:

Angela disse...

Bom ouvir noticias das bandas dai.

O jogo do contente, jogamos juntas. Ja tinha falado para Ju outro dia um monte de coisas que havia acontecido esse ano e eu nem estava reclamando. Finquei o pe, so quero me chatear se o negocio ficar muito muito preto. Hoje por exemplo foi a terceira ida a emergencia em quatro semanas. Dessa vez foi Julia, 3 pontos no queixo. Tem sido assim o ano todo, como um teste, mas nao vou reclamar.

Otimos pensamentos os seus, tao bom saber que a sala e a casa esta firme e ocupada por quem queres bem. Esperando outra visita de voces, que irao encher os quartos e jardins e quintais com criancada e muita brincadeira.

Um beijo!

Luciana Nepomuceno disse...

Jogo do contente é o meu esporte. Amei as notícias e imagens das leituras. Ler é compartilhar, vou já procurar um link pra você de um texto que eu amo.

Quanto à caneca, eu não tenho consolo, porque o Ivan Lins disse que, no caso do coração, fica tão cicatrizado que ninguém diz que é colado, mas não mencionou nada sobre canecas, xícaras, peças do aparelho de jantar da avó, etc.

 
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