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Tem muita coisa acontecendo na minha vida agora. Coisas grandes e pequenas, boas e outras nem tanto. Algumas bem tristes, outras tão bonitas. Há as imprevisíveis, que me dão sustos e há as que eu já sabia, mas que me assustam também. Ao fundo de tudo, o cotidiano e suas exigências marcadas em calendário.

Em fases assim, de mar mais agitado, navego mais devagar, se o dia permite. Tenho olhado muito pelas janelas que me aparecem pelo caminho, bem fujona. Eu queria crescer um pouco mais e ser capaz de cuidar melhor. De mim, inclusive. Ou de me expressar com clareza, para não gerar dúvidas indesejadas. (Mas, né, as palavras, coitadas.) Ou de ter mais autoconfiança e não esperar tanto que me digam que "é assim mesmo", porque eu já sei que é assim mesmo.

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As crianças são um arco-íris. Amanda queria ter um sabre de luz e chorou porque o maribondo ficou sem casa. Arthur gargalha e o som que sai de sua boca cheia de dentes é uma rede na varanda. Aí o humor se rebela e tenho dois adolescentes que cruzam os braços em protestos veementes. Mas a varanda ainda é boa. Então aviso com cara de urgência que  eles falaram tanto que os beijinhos vão cair no chão - aí eles correm para depositá-los em minhas bochechas. Arco-íris.

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A caixa lacrada de projetos mirabolantes vibrou como um telefone. Talvez eu a abra, nem que seja para jogar mais coisas lá dentro.

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Nossos cachorros estão aos poucos se tornando amigos. Aos poucos. Talvez a paz reine se eu comprar espelhos para o pequeno. Ele acredita, mesmo, que pode enfrentar o grande. O grande já o abocanhou três vezes. Nas duas últimas ele, o pequeno, resmungou, rosnou e quis mais. O grande já estava recolhido calado em sua casa, obediente às ordens de meu marido, e o pequeno ainda latia na base do "vai encarar??". Cachorro sem noção, temos um. Ele não entendeu que só está vivo porque o grande tem bom coração. Ou já entendeu e está se divertindo.


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Daí naquele momento de muita fome eu reclamo. Nossa, como é ruim sentir fome. No segundo seguinte, digo "isso não é nada, fome mesmo passou a Arya". Juro que digo, como se a Arya fosse real. Do mesmo naipe, acho que quando os esqueletos dos Lannister vierem à tona e a galera perceber que está morando sobre o chão de Westeros, a sensação será ainda maior do que a causada pela descoberta dos ossos de Richard III. Eu ficaria o dia inteiro largada no sofá lendo As Crônicas, se pudesse. Só largaria o livro para comer, porque já basta a Arya com fome. Onde vende noção?



3 comentários:

Silvia disse...

..." eles falaram tanto que os beijinhos vão cair no chão - aí eles correm para depositá-los em minhas bochechas" :)
AMEI SIMPLESMENTE!! Beijinhos Rita!!

Clara Lopez disse...

Bom te ler, demais. E esse livro parece ter o encanto que achei há anos em O senhor dos anéis, parece da mesma estirpe.
bjos
clara

Clara Lopez disse...

Bom te ler, demais. E esse livro parece ter o encanto que achei há anos em O senhor dos anéis, parece da mesma estirpe.
bjos
clara

 
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