O pote de amêndoas encalhado


A pessoa decide fazer um prato X. Abre a geladeira, retira de lá o que precisa, assobia uma canção, pega utensílios na gaveta. Quando abre o armário descobre que o ingrediente central do molho acabou. Sem tempo de ir ao mercado, revisa os planos e saca lá das gavetas mentais uma outra receita, muda a canção e se põe toda faceira a preparar outro prato. No meio do caminho, já lá pela terceira melodia, decide experimentar aquele condimento esquisito e adicionar um pouco de vinho pra ver no que dá. E dá numa coisa linda, colorida, saborosa, que todo mundo vai comer rezando e elogiando.

Essa pessoa não sou eu. 

Pra começo de conversa, não sei assobiar. Mas o que pega mesmo é ser dependente de boas receitas. Se a receita for ruim, não vou saber, a não ser depois que o prato estiver pronto. Perdi todas as aulas de criatividade na cozinha e só cozinho alguma coisa com a receita de lado, conferindo se o correto é mesmo 157g ou 159g de manteiga. Vai que dá errado e vou ficar pensando se não foi culpa dos 2g de diferença, né? Não arrisco muito. Diferente de mim, Ulisses entra dançando na cozinha, saca um punhado de carne moída, uns tomates e meio copo d'água (além de outras coisinhas, sei lá o quê) e, vinte minutos depois, temos lindos sanduíches com hambúrgueres feitos por ele, lambrecados com molhos feitos por ele a partir de receitas inventadas ali, na hora. Ou pega um peça de peixe e, 40 minutos depois, serve o melhor prato do mundo, com um molho que nos faz acreditar em paraíso. Inventado por ele também. Sei fazer nada disso, não. Mas, justiça seja feita, já melhorei bastante. Já acrescentei castanhas de caju em uma receita que só pedia castanhas do Pará. \o/ Revolucionário. 

Pois bem. Aí um dia eu vou ao mercado e compro amêndoas. "Vou fazer um bolo", penso. Os dias passam, faço outros bolos e me esqueço das amêndoas. Outro dia arrumo o armário e coloco o pote de amêndoas bem na frente, em evidência, para que eu trate logo de usá-las. Até que começo a ficar irritada com o pote que, ora, nunca sai dali. Então quando ontem vi o bolo sueco que a Patricia publicou, pensei "é agora".


Hoje mal terminei o café da amanhã, pus a mão na massa. Não sei assobiar, mas Adelle estava berrando no som da sala; juntei-me a ela, retirei o bolo do forno cinco minutos antes do tempo sugerido na receita (fiquei com medo de queimar bolo tão leve) e voilá. Deu certo, foi-se o pote de amêndoas. A julgar pela foto do TK, meu bolo cresceu um pouco menos, mas ficou bem fofo. Perfeito para tomar com café pretinho e quentinho. Sirvo fazendo cara de quem sabe cozinhar, vocês precisam ver. :-)


3 comentários:

Silvia disse...

Olá Rita! o bolinho tem bom aspecto!
Acabei de fazer um de maçã e ficou muito bom!! beijinhos

Angela disse...

YUM! Post leve e engracado :) Beijos!

Patricia Scarpin disse...

Nem sei o que é mais lindo: o teu bolo ou o teu texto. <3

 
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