Mirante


Por falta de asas, botei minha saia mais rodada e minha blusa rendada. Subi descalça as costas do morro, pisando e sorrindo sobre a grama úmida e fria. Foi bom alcançar a árvore quase no topo. Pude me apoiar no tronco e, com as costas arqueadas para recuperar o fôlego, ouvir o silêncio da tarde com mais atenção. Depois voltei a estufar o peito e dei os passos finais até o cume. E aí pude ver. A cidade lá embaixo, o céu quase cor-de-rosa, a estrada (de longe, tão linda), o verde todo. Pelos meus pés eu sentia o planeta, meus cabelos lambendo minha testa me mostravam a direção do vento, meu coração acelerado me dizia quem eu sou. Mas era a lembrança de você que me fazia sorrir inteira. Fui ali olhar de longe e vi que não estou errada: é tudo imenso. Ainda me sinto como quando vi meu nome escrito com sua caligrafia no encarte do CD que você mandou pra mim. 

1 comentários:

Fred Caju disse...

Bom... Só não sei porque você diz que não tem asas...

 
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