Dia 06


No dia 06 de fevereiro de 2002 minha Tia Maria registrou em seu diário que ganhou uma "surpresa de aniversário". Além dos nomes que participaram da "surpresa", não há maiores detalhes registrados. Entre outras pessoas, estavam lá minha mãe, meus tios e eu. Ela estava completando 72 anos e era a mesma Tia Cebolinha que me divertia nos anos 70, 80, 90. Era sorridente, passava a mão no cabelinho que caía sobre a testa, ria das próprias piadas, tinha olhos muito azuis por trás dos óculos. De quaisquer óculos - ela tinha muitos, espalhados pela casa e, segundo ela, isso era bom - "sempre acho um, se precisar". Eu sei que não era verdade, ela nem sempre achava, mas não vamos nos apegar a detalhes. Ou vamos. Eu gosto dos detalhes nas histórias de que me lembro e que têm Tia Maria como personagem. São quase sempre engraçados e dignos de relato. Como a agulha que ela guardava espetada no colchão da cama onde dormia. Agulha no colchão, gente. Tia Maria.


Hoje ela faria, então, 83 anos. No ano passado, eu não estava lá. Mas meus tios e primos estavam e comemoraram com ela, partiram bolo e tiraram muitas fotos. Eu babei com as fotos no Facebook, liguei pra ela e nos afofamos pelo telefone. Ela era linda, gordinha, baixinha, booooa de abraçar. A pele era a mais macia de todas, quem abraçava sabe. Meses depois ela nos deixou e hoje a gente fica assim, achando o dia 06 de fevereiro menos fofinho.

Com muitas, muitas saudades.  

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