Ondas


Organizar o material escolar das crianças, com tudo que a tarefa implica, não é exatamente um sacrifício pra mim. Gosto da função de mexer com tesouras e etiquetas, do gostinho de material novo. É engraçado ver o entusiasmo das crianças que, de repente, numa semana de praias e passeios, começam a desejar a volta às aulas. Hoje, no entanto, o bicho pegou. Não sei se porque passei praticamente o dia inteiro envolvida com a coisa; ou se porque eles estavam especialmente agitados com tanta canetinha e folhinha e livrinho e mochila e papelzinho, ufa!; sei que cansei. Uma dorzinha de cabeça insistente me rondou na reta final e comecei a ficar tonta por causa das mesmas vozes que, horas antes, me faziam dar risada. Daí pro mau humor foi um pulo e por pouco, controlada que sou, não joguei as sacolas de livrinhos e canetinhas pela janela #drama. Mas fiz um lanche e resolvi todos os males, sabe como é.


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Para iniciados --> Nível de envolvimento com o Livro Um das Crônicas de Gelo e Fogo: chamo Ulisses de Khal e digo que me chame de "lua da minha vida", hohoho. É pra rir mesmo, fiquem à vontade.

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Não é exatamente falta de assunto. É, antes, um assunto sobre o qual pouco se fala. Ou sobre o qual muito se fala, baixinho. É também um assunto que gostaríamos de ver esgotado, passado, superado. Vivo tempos de paciência ou de tentativa de. Vivo tempos de aprendizado, de torcida, de espera. Vivo tempos de mãos dadas, de longas caminhadas e de planos teimosos. Ou seja, vivo.

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Levei as crianças à praia novamente. O mar, que na véspera cuspia peixes mortos na praia e berrava alto com suas ondas metidas, ontem estava tranquilo como uma piscina e tão sereno como eu gostaria de estar. De cada quatro horas gastas na praia, Arthur passa quatro dentro d'água. Ontem, então, esbaldou-se na calmaria verde, só interrompida por ondas carinhosas e brincalhonas. De vez em quando, eu com ele. Mas não sou páreo para sua sede de mar e, a certa altura, fui para a areia observá-lo. E vi um menino bronzeado e espoleta assim: feliz. Arthur combina com aquelas ondas mansas (com as bravas também, diga-se), ele se entrega àqueles mergulhos "dentro da onda" e tenho medo de perguntar se ele gosta mais de mim ou de "pegar jacaré". Pensei em prancha e acho que rola. Vamos ver.

Enquanto isso, Amanda coleciona conchas. De repente, um berro choroso na areia:

- Minhas conchas estão se mexendooo!!

E então expliquei que só devemos catar as conchas abertas, minha flor, que já foram abandonadas por seus ex-moradores. E devolvemos juntas os pobres bichinhos ao mar; já estavam desesperados dentro do baldinho de plástico amarelo.



3 comentários:

Deh disse...

Só digo que ia colocar "Khaleesi" na bio do tuintos. Num coloquei, mas vai lá ver como ficou! :P

Juliana disse...

olha, ontem, quase trouxe o vol 1 dessas crônicas pra casa por sua causa. Quase.

Para, Rita! PARA! =p

Luciana Nepomuceno disse...

E você não queria ler esse livro, né. Amo.

 
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