Of shades and patches


Passadas todas as expectativas que rondam a virada do ano, cá estamos nós em mais um 02 de janeiro, olhando a vida nos olhos. O verão de Floripa resolveu esfriar os bigodes e agora temos tardes de vento frio, vejam vocês. Crianças em férias, seu Sol, tenha dó. Enquanto elas se viram com jogos e correrias pela casa, eu me viro com pensamentos que enfrentam o vento e saem janela afora. É ruim ver alguém de quem gostamos enfrentar abalos em sua saúde, é muito ruim. Não importa o que digam os anúncios de felicidade irrestrita para as festas de final de ano, pessoas adoecem em dezembro e nossos laços de afeto não tiram férias. Ironia dos mundos é ver a depressão bater à porta na semana em que sorrisos parecem uma sentença. Aos trancos e barrancos, do meu jeito desajeitado e às vezes tão confuso, seguro a mão de meu marido e admiro sua dedicação para ajudar, mais uma vez, sua mãe a se reerguer. A depressão tem cores horríveis, mas o amor também sabe pintar. Eu acredito.

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Então queremos um ano de conquistas e superação. Quando o sol se lembra de que é verão, Amanda trata de fazer a parte dela, nadando pela primeira vez sem boias e sem apoio piscina afora. E a cara de "eu posso" nos faz olhar pra frente. 


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Minha amiga ligou e conversamos por horas, como se não existisse o skype. Reveillons se acumulam, nossos filhos crescem, impérios caem e a gente ali, entendendo a outra, talvez completamente. Sempre acho que ela é a inspiração para aquela canção da abertura de Friends.

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Acabei de inventar uma meta para o ano novo: tomar tento.

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Karenina: ainda. Ah, Tolstoi, aonde você quer chegar, querido? Anda logo, que decidi ler as Crônicas de Gelo e Fogo

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Chorei tanto que alguns telefonemas na noite da virada foram meio ridículos. Os vazios têm essa mania irritante de se expandir na última semana do ano. Finjo que não estou vendo, mas minhas viagens de final de ano eram, via de regra, para encontrá-la.  Saudade é um bicho de pernas grandes e braços largos, desobediente e impetuoso. É preciso agir com naturalidade, fazer cara de paisagem e lavar a louça, atender o filho. Quando não dá, existe o choro, a fuga para o quarto, as árvores na rua me ouvindo pela varanda, além do novo ano que se avoluma diante de nós, com contas a pagar, decisões a tomar, tanto pra falar e tentar ouvir. Chama-se vida e não quero escapatória, quero os saltos, todos eles. O ano novo começou.

     

4 comentários:

Silvia disse...

Desejo tudo bom neste novo ano, para si e para os seus, beijinhos!

Rita disse...

Obrigada, Silvia. Tomara que seu Natal e sua virada de ano tenham sido tudo de bom. Beijos!

Clara Lopez disse...

Lindas e inspirads palavras, pele de tantos belos pensamentos. Ano bom, que sua sogra supere.
Abraço, clara

Clara Lopez disse...

Lindas e inspirads palavras, pele de tantos belos pensamentos. Ano bom, que sua sogra supere.
Abraço, clara

 
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