Das misturas doidas que dão certo


Foi Ulisses quem começou. Estava zapeando o controle da TV numa noite qualquer e parou em um canal que mostrava um diálogo interessante numa produção com ares de ser coisa boa. Sabe quando a gente bate o olho e acha o negócio bem feito? Assim. Foi vendo e decidiu ir até o fim do filme. Só que não era filme, a história de repente se interrompeu e ele viu que estava, na verdade, assistindo a um episódio de um seriado da HBO, um tal de Game of Thrones.

Os meses se passaram e toda noite de domingo era a mesma coisa: na hora dos episódios da segunda temporada, Ulisses não estava pra ninguém. O máximo que eu ouvia era "Rita, você tem que assistir...". E eu dizia "é, amor?". Às vezes eu até ia ver e não entendia lhufas, logo levantava para ir até a cozinha pegar um chocolate. Até que um dia parei para ver, lá pela reta final da segunda temporada. Deve ter sido um martírio para ele, tadinho. Porque eu, obviamente, não conhecia os personagens e a toda hora me confundia, quem estava tramando contra quem? E fazia perguntas elaboradíssimas do naipe de "Mas ela não é do mesmo castelo?" ou "Esse moço não é aquele outro moço?". Enfim. Mesmo trocando nomes e perdida na geografia das terras ao sul da Muralha, fui fisgada também. Então descobrimos que todos os episódios das duas primeiras temporadas estavam (ainda estão) disponíveis na NOW da NET. Fiz o dever de casa e passei várias madrugadas vendo/saboreando os episódios. Ulisses, claro, viu tudo de novo comigo. 

Vi as temporadas enquanto lia Anna Karenina. E foi só o Tolstói parar de falar para eu me agarrar com o primeiro livro da série, na semana passada. Hoje devo começar o segundo e não paro de agradecer ao Ulisses. Mal podemos esperar o início da terceira temporada da série da HBO, anunciada para final de março.

Gosto de tudo. Dos personagens. Há alguma caricatura: a rainha muito má, o herói muito justo; em Game, contudo, eles não se prestam ao previsível. Tudo pode acontecer, inclusive com o leitor que, ah, há de se apaixonar por cínicos, torcer pelo usurpador e aplaudir o bruto - às vezes em uma mesma página. Dos diálogos. Foi o que me cativou de vez, enquanto via a série na TV. O texto de Game é bom com passagens ótimas, com vários diálogos que convidam à releitura. Do enredo. Impecável, pelo menos até onde conheço a história. A trama é envolvente, a história empolga com suas mil perspectivas e ninguém sobra. E a ambientação, claro. Quase um personagem, as terras ao redor de King's Landing nos transportam para, olha o clichê, um mundo mágico, com várias sequências que nos fazem adiar o jantar e querer férias de cinco meses.

Game of Thrones é um grande samba do crioulo doido que deu certo. Há reis e suas fortalezas incríveis, florestas mágicas e lobos gigantes (todo meu amor por Winterfell), dragões e nômades selvagens, zumbis e cavaleiros da noite, verões que duram décadas e invernos ainda mais longos, frotas que cortam águas impossíveis, espadas, sangue e guerras absurdas. Há garotos comandando exércitos e meninas mudando o rumo de tudo. E você, livro na mão, feliz. Mesmo para quem passa longe da chamada literatura fantástica, Game of Thrones tem ingredientes para agradar. As tiradas de Tyrion Lannister ou a jornada incerta de Arya Stark, por exemplo, já nos pegam pela mão. Vou indo, de carona nos corvos que tudo sabem, quero ver tudo. Rumo ao livro dois. 


8 comentários:

Silvia disse...

Bem... vou render-me,o meu filho tem os 4 primeiros livros e como gosto de ler primeiro e só depois ver a série, ok, rendo-me!! agora começo acreditar que realmente deve ser bom!! convenceu-me Rita!! :)
Beijinhos

Luciana Nepomuceno disse...

Eu vi a série depois de ler, não curti tanto (apesar do Tyrion ser o máximo). Mas os livros, ah, os livros <3

Amanda disse...

Sou fã! Vi as duas temporadas, fui para os livros. Li o primeiro, o segundo, estou terminando o terceiro de boca aberta com todas as reviravoltas. Lê logo o terceiro pq preciso comentar com alguém!!! Ou vou sair espalhando spoiler por aí! :p

Angela disse...

Quando acabar de ler os livros vou logo avisando que dizem os meus amigos geeks que ate o jogo de tabuleiro (de estrategia) eh dez. Ha algum geek por ai, tipo, na sua casa? :)

disse...

Vejo todo mundo falando desse tal de Games of Thrones, mas pra variar, é so' ler vc falando bem da coisa que eu começo a me interessar de fato (graças a vc tenho um lindo Kindle que amo!). Estava mesmo precisando de uma leitura relax para as férias, vou comprar o primeiro pra ver o que rola. :)

Nina disse...

Sou dessas pessoas que passa longe da literatura fantástica. Vi alguns capítulos da série e o conteúdo me agradou - embora eu tenha parado de assistir por motivos de: prefiro ler antes.
Mas Game of Thrones é muito extenso. Já me disseram que eu leio num tapa, quea história é emocionante. E eu confio. Todo mundo que eu conheço gostou bastante de Game of Thrones. Só que para mim, no momento, não dá. ERm breve, tirarei férias da livraria. Só aí poderei começar a leitura dessa série, apesar de meus problemas com sagas incompletas.
Abraços.

Ashen Lady disse...

Menina, até o quinto livro acontece tanta coisa, tanta reviravolta. A gente começa gostando de uns e odiandos outros, mas depois tudo muda e você passa a gostar de quem odiava e vice-versa. Só não pode se apegar a ninguém, o autor mata personagens sem o menor remorso.
Tyrion já foi meu preferido, depois a Arya, hoje é o Jon Snow mas vai saber qual será no sexto livro?

Anônimo disse...

Os livros são fantásticos, como alguém consegue escrever tanto, com tantos personagens, e manter a coerência?! O único problema é: o sexto livro ainda não foi escrito, li em algum lugar que não sai antes de 2014, e se o autor morre antes disso?! Deve ter muita gente torcendo pela saúde dele...

 
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