Quero


É fácil me lembrar do pior dia do ano: perdi a conexão em Congonhas e, por isso, perdi o funeral de minha Tia Maria. Foi em abril desse ano de altos e baixos, como todos os anos. O melhor dia pode ter sido há duas semanas, em férias; poderia ser um domingo qualquer de preguiça em setembro, uma manhã de risadas no inverno ou uma madrugada de bons filmes em qualquer mês. Minha felicidade é simples, quase sempre. Das resoluções inventadas, nem me lembro. Mas me lembro de alguns desgostos, de esperas e pequenas surpresas. E de lágrimas boas, daquelas que brotam porque o amor nos toca e nos mostra onde mora o que temos de mais precioso. Encerro o ano dividida entre sustos e alegrias, torcendo que estas soterrem logo aqueles. Quero um ano simples, uma vida boa, amigos e palavras honestas. Quero saber estender a mão e entender que, se eu me concentrar bem, a neblina vai parecer menos espessa. Quero as risadas deles pela casa, nossas mãos unidas, nosso mundo anil. Quero o brisa que traz o amor e nos tira para dançar. Vem, 2013. Bem vindo.

Feliz ano novo, querid@s.

Rita  

What's in a violet?


Hoje contei no Facebook que ganhei de uma amiga  uma violeta no final de abril. E que, tantos meses depois, ela nunca deixou de ter flores, nem que seja uma só, a última antes que os novos botões se abram. Disse que já perdi a conta, nem sei mais se a floração atual é a quarta ou quinta em sequência. Uma amiga então me pediu fotos e aqui estão.

Essa foto foi tirada no final da primeira floração e ilustra outro post aqui no blog.

Essa foi tirada no início de agosto, semanas antes de elas se multiplicarem loucamente e ficarem quase todas brancas.

Quando o branco tomou conta e me deixou toda boba, foto também já publicada em outro post.

Hoje, toda roxa. 

Sem intervalos comerciais, houve pelo menos outra floração que não fotografei. Quando as flores secam e começam a cair, corto os galhinhos secos e as folhas muito grandes. Aí já descubro por entre o verde os pequenos botões espevitados e digo "gente, de novo!" E lá vem 2013. Os amigos dizem que a planta gosta de mim. Acho fofo, mas, né? I'm the one in love.

Lost (and finally found)


Houve um dia na África do Sul em que a gente resolveu entrar aqui:


Primeiro, a gente foi por aqui:




Aí a gente entrou, com muito otimismo.


Depois a gente se perdeu.



E procurou passagens secretas.



E deu com a cara na parede.


Mas a gente insistiu.


Pensou.



E chegou ao final, onde fica um bar que serve cerveja assim, em mostruários para você provar e escolher a sua. Eu, que não gosto de cerveja, achei um desperdício. Vinho seria melhor, ou quem sabe suco de frutas. Bem sei que sou uma voz sozinha na multidão, então fica a dica. Nada de pote de ouro no final do arco-íris; na África do Sul tem cerveja no final do labirinto.



(Fui em outro labirinto uma vez com as crianças; e em outro, com uma amiga, há muito tempo. É sempre a mesma coisa: vou rodando e morrendo de rir. Não sei o que acontece, sempre sou acometida por uma crise de risos. Acho que vou erguer um no quintal, para os dias mais cinzentos, já que os labirintos internos nem sempre surtem o mesmo efeito.)

May your Christmas have the colours of your dreams



A volta para casa foi longa, com uma conexão de sete horas em Guarulhos. Sobrevivemos. As crianças permaneceram acordadas, brincando e bem humoradas (e bem ativas). Depois dormiram durante todo o voo para Floripa e perderam, portanto, o visual impecável que nos recebeu na ensolarada manhã de domingo. Malas de roupas sujas foram minhas companheiras ao longo do dia e têm sido ainda hoje nessa véspera de Natal meio fora de foco para nós. Não embarcamos no clima natalino de todos os anos, sinto como se tivéssemos acabar de chegar de outra dimensão. Os enfeites iluminados de Cape Town nem de longe nos colocaram em sintonia com a festa. Mesmo assim teremos nosso jantar, certamente menos barulhento que a maioria.

Ontem à noite olhei para o lado e vi Ulisses e, de novo, eu soube o de sempre. As crianças dormiram, cansadas de toda a muvuca, ainda falando de leões e pinguins. Hoje cedo anunciaram a chegada do Natal diante da árvore sem presentes que ostenta, otimista, duas cartinhas. Numa delas, o Arthur pede que os brinquedos estejam escondidos. Em outra, Amanda pede um dente mole. Há que se celebrar.

A vocês que viajaram conosco, mais uma vez, obrigada pela companhia. A África do Sul ainda será assunto por aqui, acredito, já que às vezes este blog vira uma sala a mais em minha casa - ou quase. A todos vocês, que o Natal traga aquilo que cada um esperar de melhor, seja um abraço, aquele telefonema, uma tarde com os filhos, uma boa noite de sono, um presente bem escolhido, uma passagem de avião, um filme antigo, um reencontro ou uma sobremesa com direito a bis. Felicidade pode vir em todas as formas, bem sabemos.

Amor e paz,
Feliz Natal.

Rita  



Dos azuis do fim do mundo


Desde que chegamos a Cape Town, tudo me parece azul. O céu incrível que cobre nossas cabeças faz do protetor solar nosso melhor amigo e nos convida a bater pernas sem parar. A cidade que cresceu ao pé da intrigante Table Mountain não nos desapontou: é vibrante, cosmopolita, tem cara de verão; é mais cara do que pensávamos (ou nós andamos comendo demais) e cercada de muitas belezas naturais; seus restaurantes servem peixes deliciosos e seus garçons são simpáticos e muito atenciosos; os brasileiros estão por toda parte e eu, que não sou de comprar quase nada em viagens, passo longos minutos namorando a arte exibida nas vitrines; há pedintes nos trens, beleza por toda parte, prédios incríveis e favelas no subúrbio, como no Brasil. E é linda.

É impossível não erguer os olhos para a grande montanha, com seu longo platô em formato de mesa, que lá de cima observa a cidade azul a seus pés. A Table Mountain é incrível e, turista que somos, foi nosso primeiro passeio. Subimos de carro o morro sinuoso que leva até a estação do bondinho elétrico e nele fomos até o topo da "mesa". De lá curtimos as vistas incríveis da cidade e suas praias. As crianças se esbaldaram no platô sem fim (não percorremos nem um terço de sua extensão), brincando sem parar de "aventureiros". As inúmeras pedras fazem do relevo do platô o cenário sob medida para quem tem sete ou cinco anos, energia e imaginação. Fizemos bem em aproveitar nosso primeiro dia em Cape Town para subir lá, já que no dia seguinte ela estava coberta por um fenômeno meteorológico comum que "estaciona" as nuvens ao longo do platô. Os nativos chamam de "toalha de mesa" e os turistas torcem o nariz porque não conseguem enxergar nada lá de cima. Não nós, que vimos todos os azuis possíveis.

A Table Mountain, vista do Gardens (grande área verde no centro da cidade), no dia em que a visitamos.

A "table cloth", vista do agitado V&A, centro comercial e gastronômico da cidade, um dia depois.

Parte de Cape Town, vista lá de cima.

Meu aventureiro.

Amanda no bondinho, feliz como pinto no lixo.

A Table Mountain faz parte de uma cadeia de montanhas que se estende por boa parte da Península do Cabo, a ponta do continente africano que termina lá no Cabo da Boa Esperança, um dos fins de mundo desse mundão. Hoje nos descambamos pra lá. Queríamos ter alugado um carro, mas descobrimos que é preciso reservar com muita antecedência, talvez meses antes, para conseguir um mísero carrinho qualquer. Não conseguimos nadica de nada, em nenhuma locadora - e tentamos em muitas. Mas Ulisses é um caboclo empolgado e bateu o pé: vamos de trem até não sei onde, de lá a gente pega um ônibus não sei pra onde, e a gente se vira. Vumbora.

Pegamos um trem para a pequena Simon's Town. A estação central de trens de Cape Town é grande e moderna, mas o trem que pegamos é velho e todo pichado. Velho, mas anda; e segue sua rota deslumbrante com o Oceano Índico acenando da janela - e foi só chegar à costa para o cenário virar de cinema. De um lado, a cadeia de montanhas; do outro, o Oceano Índico de águas verdes. Não foi uma viagem feia, se é que vocês me entendem.

Os primeiros olhares sobre o Oceano Índico, da janela suja do trem. 

O que eles viam.

Simon's Town abriga uma base da Marinha Sul-Africana e já foi endereço de bares e hotéis que serviam de point para marinheiros durante muitos anos. Hoje, navios de guerra e outras embarcações dividem o cenário com o mar verde cheio de algas e com as pedras que marcam o encontro das águas com a terra. Achamos graça das piscinas naturais construídas com pedra na praia e que se enchem com as ondas que quebram em suas paredes. Não me pareceu um balneário muito atraente para um bom veraneio, já que a palavra "praia" me faz pensar em faixa de areia. A beleza do lugar, no entanto, é incontestável (a foto aí de cima é quase exceção; quase toda a costa nesse trecho tem pedras, não areia). Nós, no entanto, não queríamos exatamente praia; queríamos os moradores daquelas praias. Simon's Town, para nós, era apenas uma estação de trem e nosso ponto de partida para Boulders Beach, uma praia vizinha dali.

Em Bolders Beach fomos à caça do motivo de alegria da Amanda cada vez que mencionávamos nossa vinda à África do Sul: os pinguins. Ela até já tinha visto alguns exemplares no Two Oceans Aquarium, em Cape Town, no dia anterior, mas é claro que nada se compara a ver o bicho em seu habitat, livre e pinguinzante. E lá fomos nós, procura daqui, procura dali, encontramos a rota que nos levaria ao balneário dos pinguins africanos, uns bichinhos simpáticos demais da conta. Já no estacionamento próximo à colônia de pinguins um bichinho perdido e desorientado nos recebeu, caminhando pelo asfalto quente, tadiiinho. Avistamos vários outros enquanto caminhávamos rumo à grande colônia. E, ah, como valeu a pena. Amanda não foi a única e ficar, desculpem a repetição do adjetivo, encantada.

Eles ficam o tempo todo assim, sendo fofos.

Amanda, satisfeita, com os pinguins ao fundo.

Meu trio, num cenário meia boca.

Fofices.

Pegando onda.

Essa foto inaugura uma série que vai mostrar a você, leitora antenada, as tendências da moda em matéria de penteados para você arrasar no fim de mundo que se aproxima. Cabelo das tormentas, parte 1. Fique ligadinha.

Devidamente deslumbrados, almoçamos e pegamos um táxi para o fim do mundo, já que a conversa tá na moda. Descemos um pouco mais, por cerca de vinte minutos, e alcançamos o acesso à parte do Table Mountain National Park que nos levaria ao Cabo da Boa Esperança, antes conhecido pelo famigerado termo Cabo das Tormentas. E aí, amiguinhos, faltam adjetivos. Cinematográfico? Deslumbrante? Incrível? Escolha o seu e segure (ou não) os cabelos. Foi um dos lugares mais lindos que vi na vida. A irritante mania de cobrar ingresso  pra tudo nem me tirou o humor (mas esvaziou nossa carteira) - respirei e pensei "é para a preservação do lugar" e segui em frente. Quer dizer, segui pra cima. Depois de passar pelo portal pago, embarcamos no funicular que nos levou ao antigo farol a 238m acima do nível do mar e apertei o botão da máquina fotográfica como louca. O adjetivo que escolho é: emocionante.

Se você conferir no mapa, verá que há duas pontas bem próximas no finalzinho da Península que encerra o lado sul do continente africano. São Cape Point, onde fica o farol, e Cape of Good Hope, o famoso cabo tormentoso virador de navios. 

Arthur e Ulisses, no funicular rumo a Cape Point.

Cape of Good Hope, visto do alto do Cape Point.

Um penhascão de tirar o fôlego.


 O farol que avisava aos navegantes que o Cabo estava ali (existe outro, mais novo, em outro ponto perto dali).

Meu aventureiro favorito observando o ponto onde os oceanos se encontram (somos uma família organizada: primeiro a gente faz o safári; só depois a gente compra o binóculo).

:-)

:-D

Cabelo das Tormentas, o grande ensaio.

Cabelo das Tormentas, o definitivo.

E como não poderia deixar de ser, fomos lá na plaquinha do Fim do Mundo registrar nossa presença. Perto dali, vimos windsurfistas corajosos brincando com o vento que não é de brincadeira, em águas que abrigam o famoso tubarão branco. E eu me achando aventureira, vejam vocês. Para registro globalizantes, lá no alto, no farol, encontramos um angolano que conhece Campina Grande, lá na minha Paraíba, e, no Cabo da Boa Esperança, onde a África despenca no encontro dos dois oceanos, Arthur cruzou com um xará paulista. O mundo.

Minha sogra, no fim do mundo.

Nós, lá, torcendo para o vento não nos levar.

Voltamos no mesmo taxi para Simon's Town e, de lá, de trem para Cape Town. Jantamos no hotel, cansados e felizes. Amanhã pretendemos explorar um pouco mais a cidade, quem sabe visitar um museu interessante ou outros lados que ainda não vimos. Tá quase acabando. Mimimi.
    
Nosso mundo, lindo.


Travelling to be wild


Mufasa...

...Pumba...

...Timão...

... e Simba.

Estamos prestes a encerrar a primeira parte de nossa viagem. Daqui a pouco vamos nos despedir dos arredores do Pilanesberg Park e rumar para o agito de Cape Town. Os últimos dias aqui foram, como era de se esperar, de sol e bichos. Ontem visitamos uma fazenda de crocodilos do Nilo para ver de perto essas criaturas imensas e, a partir de agora, todo jacaré vai me parecer uma lagartixa. Amanda, naturalmente, não desperdiçou a chance de segurar um filhotinho com as próprias mãos e achou "tão fofinho".

Ele já foi "fofinho".

O crocodilinho não foi o único filhote a receber os afagos da Amanda hoje. O Simba aí da foto também teve a mesma sorte. Num lugar que me cortou o coração, fomos brincar com filhotes de leão porque agora a gente é assim, da aventura, hohoho. Zoológicos e afins sempre me incomodaram um pouco com toda aquela bicharada confinada para satisfazer nossa curiosidade. Agora então, depois de ver os bichões correndo soltos pelas planícies e ribanceiras daqui, acho que vou me incomodar ainda mais. E aí eu não sabia muito bem o que esperar do programa que nos cativou com a ideia de ver de perto os filhotinhos dos grandes felinos; se tivesse usado dois neurônios, saberia que me deslocaria e pagaria para ver bichos em cativeiro. Foi isso aí, evidentemente. Vimos animais lindos, aparentemente muito bem tratados, em ambientes até bem grandes. Mas o que é "grande" para quem poderia ter a savana inteira? Mimimi. Amanda e Arthur entraram na jaula dos filhotes e acharam, adivinhem, "fofinho". 

Enfim, encerramos a sequência de safáris com um passeio noturno cheio de corujas e hienas. Vimos bem menos bichos que durante o dia, como já esperávamos, mas fomos presenteados com uma noite perfeita, o Cruzeiro do Sul coroando nossas cabeças. Quem já viu um céu estrelado longe das luzes da cidade sabe do que estou falando: mesmo que a gente não tivesse visto nenhum vagalume teria valido a pena se meter no meio da reserva de Pilanesberg depois que o sol se foi. Em certo momento, o guia desligou o carro, apagou todas as luzes e ficamos ali, em silêncio, ouvindo os grilos e arbustos se mexendo, mirando aquele manto de luzes lá no infinito. Aí um besouro entrou na minha roupa, mas não vamos nos apegar a detalhes.

Vamos partir felizes por termos vindo e por muito tempo nos lembraremos da simpatia do povo dessas bandas, do carinho com que fomos tratados, do peixe delicioso que comemos e, principalmente, dos momentos valiosos que vivemos nos safáris. Eu teria um monte de papo para puxar com vocês, mas tenho malas a arrumar. Se der, mando notícias lá da linda Cape Town. 'Há quem diga que se parece com o Rio. Torço muito que assim seja.  


O dia dos grandes



Nosso guia de hoje não tinha a mesma simpatia do de ontem, mas sobrou na eficiência – ou na sorte. Conseguiu nos levar a vários pontos de onde pudemos observar a fauna do Pilanesberg Park e fez de nosso segundo safári um passeio tão gostoso quanto o primeiro. Nem a chuva que nos visitou por alguns minutos atrapalhou, ainda que tenhamos nos molhado um pouco e sentido frio em um dia que, até aquele momento, tinha sido de sol e calor. Mas ela logo foi embora deixando um arco-íris perfeito para enfeitar ainda mais a paisagem.

Se o que eu queria era ver girafas, não preciso querer mais nada. Hoje elas não economizaram na beleza e se mostraram lindonas em seus passeios cadenciados bem pertinho de nós. Cruzaram nosso caminho, fizeram pose, esperaram os cliques, viraram de lado para mais fotos, comeram e mostraram a enorme língua, tudo sem pressa, várias vezes. Um deleite. Em um dos encontros, uma girafa ficou tão próxima de nós que as crianças gargalhavam de alegria e nós, contagiados, vibramos como elas. 

Sou bonita?

Acho que hoje não houve aula para os bichos, porque todos os filhotes estavam na companhia de suas mães ou pais. Vimos vários bebês, sempre acompanhados de um exemplar maior e protetor: hipopotamozinho, zebrinha, gnuzinho, elefantinho, rinocerontezinho. Amanda batia palmas, foi à loucura de fofice.

Mamãe gnu e gnuzinho.

E se ontem foi o dia dos antílopes aos montes, hoje era o dia dos grandões. Os rinocerontes estavam por toda parte. Vimos um grupo de elefantes bebendo água, além de um enorme e solitário, caminhando lentamente no meio de uma grande planície – uma cena tão encantadora que merecia um poema. O cenário era perfeito, com luz de final de tarde, montanhas ao fundo e todo aquele tamanho. Elefantes são imensos e por isso me assustam tanto, mas vê-los assim, livres e tão bonitos, apenas ao alcance de meu olhar, foi algo incrível.

Um bicho enorme com um chifre de respeito. 

Nem senti medo.

Já na reta final do passeio, um outro carro cruzou caminho conosco e avisou ao nosso guia sobre a localização de alguma coisa interessante. Ele acelerou ignorando a buraqueira da estradinha e logo entendemos o porquê de tanta pressa: um casal de leões a pouquíssimos metros do limite da estrada, rondando grupos de antílopes que conseguíamos avistar ao fundo. Comecei a fotografar a leoa porque foi tudo o que vi até que alguém mencionou a presença do macho. Ulisses falou para eu olhar um pouco mais para trás e mal pude acreditar. Ele, com toda aquela juba e imponência, seguia os passos da leoa. Logo, tendo recebido o aviso por rádio, outros carros de safári se juntaram a nós. O casal real continuou seu caminho, cruzou a estrada bem a nossa frente – eu tremia de emoção – e se abaixou no meio do mato para espreitar o cardápio. Alguém chegou a perguntar ao guia sobre nossas chances de ver um bom pega-pega, mas ele explicou que aquilo provavelmente levaria horas, eles ainda seguiriam as possíveis vítimas por um bom tempo e talvez acabassem optando por outras presas, já que os tais antílopes são bons de canela. Nunca saberemos. Mas jamais esqueceremos, de novo. 




Voltamos com a noite já chegando, uma lua fina sobre as montanhas. A poucos metros da saída do parque ainda vimos uma mamãe hipopótamo com seu filhote gorducho caminhando pela beira da estrada. Ela se escondeu e ficou quietinha. Nós paramos ao lado e Ulisses, rápido e malvado, tacou um flash bem aceso nos olhos dela, que saiu correndo. Os outros turistas não devem ter gostado nada, já que mal tiveram tempo de ver o bicho. 

Amanhã faremos nossa última visita ao parque e nem sei mais o que esperar. Já tenho lembranças valiosas daqui, já vi mais do que esperava, já vi aquele brilho nos olhos das crianças. Sou toda gratidão. Salve, África.


 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }