Homemade


Não sou grande fã de sanduíches. Até como de vez em quando, mas sem grandes interesses. Mas. Ulisses adora e agora resolveu fazer hambúrguer em casa. Todo disciplinado, compra a carne, tempera, molda, frita. E eu que torço o nariz para os hambúrgueres que chegam do supermercado agora me acabo de comer o sanduíche do Ulisses. Que também tem ketchup e maionese feitos por ele, ali, na horinha. Tudo fresquinho, com bastante salada e bate-papo. Rola um certo ar de fritura no ambiente, mas se eu reclamar podem me prender.

Quem manda é o freguês: o meu vem sem queijo e sem esse molho esquisito de mostarda e mel (que ele prepara na hora também). 

Sem limites


"Ando devagar porque já tive pressa..." diz o Sater com aquela voz tão boa, né? Se eu me apropriar da letra da canção é só pra fazer charme, já que, na verdade, acho que sempre andei meio devagar mesmo. Em termos, claro. Para muita coisa nessa vida sigo lá atrás, sem muito alarde, chego quando der, não há problema em ser a última a saber, a comprar, a conhecer, a ouvir, a aprender o passo. Leio depois que todo mundo já leu, vejo o filme quando passa na TV a cabo e quando "descubro" uma receita todo mundo já anda meio enjoado daquilo. Paciência, tenho preguiça de sair correndo para chegar logo. 

Pois bem, ontem resolvi conferir o primeiro episódio da primeira temporada de Game of Thrones. Enquanto meu digníssimo marido, fã de carteirinha da série, conta os meses para o início da terceira temporada e lê o quarto livro, eu ainda não li nenhum e só vi a segunda metade da segunda temporada. Ou seja, vi os episódios da segunda temporada sem entender bulhufas, a toda hora interrompendo o lazer do coitado com perguntas no nível "quem é esse?", "mas o rei não é o outro?", "quem matou?", "por que matou?", etc., além de não assimilar metade do conteúdo das respostas porque, digam-me vocês, quem no mundo memoriza tanto nome de terra e gente em três episódios de um bonde que já vai longe? Daí que descobrimos que toda a primeira temporada está disponível na NOW da NET. E, claro, depois de ver o primeiro episódio vi outros dois e só não vi os seguintes porque a madrugada já ia longe e havia pedalada programada para a manhã de hoje. Gostaria apenas de anunciar que, depois que toooodo mundo já enjoou da série, acabo de me tornar fã. Sou assim, vanguarda.

***

Arthur não queria ir pedalar. Voto vencido. Foi reclamando dessa vida difícil em que os pais levam os filhos para pedalar numa manhã ensolarada de domingo. Resmungou, falou sozinho, ficou caladão, depois passou, fez graça, chegou perto e foi. Sol a mil pelo Brasil, calor derretendo o juízo, anunciei o fim do passeio mais cedo. Arthur não queria ir embora, queria correr mais, brincar de pega-pega, resmungou, etc. Voto vencido. A vida do meu filho não anda fácil.

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Amanda: - Mãe, vou desenhar uma catreca.
Eu: - Oi?
Amanda: - Na lua.
Eu: - Oi?
Amanda: - Ai, mãe, não é catreca, como é?
Eu: - [pensa, pensa] - Ah! Cratera!! É isso, você quer desenhar uma cratera?
Amanda: - Ufa!

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Meus filhos me pediram uma ou duas abóboras na parede, uns docinhos para distribuir, um fantasma assustador. Querem brincar de Halloween. As crianças no bairro onde moramos costumam pedir doces, fantasiadas, na noite do 31 de outubro. No ano passado, fiz pacotinhos de balas e eles se juntaram aos vizinhos, foi uma alegria. Não me importo com o fato de o Halloween não ser uma festa nacional, de ter suas origens tão fora de nossa cultura. O interesse pela coisa é, a meu ver, naturalíssimo. A criançada frequenta cursos de inglês que sempre comemoram a data (naturalmente), veem em filmes e desenhos, falam do assunto com amigos; e que criança não curte uma boa festa que inclui fantasias, doces e sustos? O Arthur ainda não começou a estudar inglês em cursinhos, mas comenta sobre os Halloweens dos amigos. Essa semana contei pra ele como eram as festas de Halloween nos meus cursinhos de inglês. Em uma das escolas, a dona dava carta branca para alunos e professores transformarem o prédio (uma casa antiga, perfeita) o quanto quisessem para a festa. Cada turma assumia uma das salas, escolhia o tema (monstros, fantasmas, bichos, zumbis, etc.) e mandava ver. Não havia limites, podíamos soltar a imaginação, fazíamos tudo com efeitos de luz e som, caprichávamos nas fantasias. A festa era uma loucura, cada centímetro da escola decorado com sangue, teias e múmias. Nós adorávamos aquilo, era um momento de integração fantástico, foram festa memoráveis. E eu nem era mais criança. Não idolatro os Estados Unidos, podem acreditar. Então disse sim, vamos brincar, ressuscitei a caixa com restos dos velhos artesanatos, cortei, colei, pintei e minha sala tem abóboras, corujas e gatos pretos. Vou fazer docinhos para os vizinhos. Boo.

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O sábado teve Mostra do Conhecimento na escola das crianças. O de sempre, tudo lindo e colorido (olhar de mãe?), certo clima de muvuca, alguns horários confusos, todo mundo se acertando no final. Amanda cantou, Arthur cantou, eu fotografei, achei fofo, beleza. Dessa vez, contudo, o ponto forte não ficou por conta de um trabalho caprichado do Arthur ou uma graça da Amanda. Dessa vez não pude deixar de me emocionar com a apresentação da turma da dança. A coreografia estava linda, o figurino era um mimo. Mas não era só isso. O astro da turma, o personagem central da coreografia era um aluno do terceiro ano, que fez sua parte muito bem. Dançou, acertou a coreografia inteira, mandou ver. Não sei seu nome, ele não é amigo de meus filhos. Mas sei que ele é cadeirante e vê-lo como astro da apresentação da turma de dança deixou meu coração mais quentinho. Ah, gostei demais. Escola é pra isso, para mostrar que não há limites para essa criançada. No bom sentido, claro. :-)



The colours of the sky - and the ship


O horário de verão nos deixa sair do trabalho com o dia ainda claro para apreciar a generosa paleta de cores do céu nos fins de tarde. Gosto de chegar em casa e ver o morro que mora lá atrás refletir os últimos acenos do sol, pintando meu quintal de verdes mesclados com tons dourados. 

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Em 1964 Bob Dylan lançou When the Ship Comes In

Em 2000 a banda Idlewild gravou uma versão

Em 2012 Ulisses toca a canção em seu violão enquanto ando pela casa arrumando as mochilas da natação das crianças para a correria da manhã seguinte. Entro no quarto da Amanda, que dorme, para pegar uma peça de roupa. E fico ali, na penumbra, ouvindo a voz dele que vem de nosso quarto; que resgata a velha canção e me faz ver que não é a primavera, apesar de ela também ser bem vinda com seus fins de tarde impressionistas; mas não é ela que faz meu coração dançar, não é. Ela é só o cenário. Um cenário com uma trilha sonora linda. 


A song will lift,
As the mainsail shifts
And the boat drifts out to the shoreline
And the sun will respect
Every face on the deck
The hour that the ship comes in

Sem leite, por favor


Seis meses depois da primeira consulta com uma nutricionista funcional, passado o inverno, acho que posso dizer que cortei definitivamente o leite de minha dieta. Não mais a ingestão de leite com café, como eu fazia uma ou duas vezes ao dia, não mais queijos e farinha láctea (eu era dessas). Ainda consumo pães, bolos, iogurtes e requeijão, ou qualquer outra coisa que leve leite no preparo, mas dificilmente voltarei a tomar leite como fazia até abril passado. Este foi o primeiro de muitos invernos que passei sem sinusites, faringites ou laringites e com ingestão zero de antibióticos. Até tive uns dois resfriados entre julho e setembro, um deles bem chato, mas nenhum se converteu em infecção das vias respiratórias. Tenho motivos de sobra para comemorar o resultado das pequenas alterações que fiz em meus hábitos alimentares, sugeridas pela nutricionista que riscou a margarina da minha vida. Meu apetite anda ótimo, sinto-me bem disposta e é isso aí. Meu nome do meio é aveia e meu sobrenome é pão integral.

É engraçado como foi só tocar nesse assunto aqui, após a consulta feita em abril, para eu ficar sabendo que trocentas pessoas que conheço (pessoal ou virtualmente) têm algum histórico de intolerância à lactose. Como fui criada em uma casa onde podia faltar água, mas nunca leite, ainda acho isso muito curioso. O leite está muito presente em nossos hábitos alimentares e muita gente (como eu, durante muito tempo) o considera vital na alimentação. A nutrição funcional, por outro lado, enfatiza que nosso intestino sofre para quebrar a lactose, tadinho. 

Não sou nutricionista e estou apenas fazendo eco às orientações que recebi (cada um, cada um - e é preciso ficar de olho na ingestão de cálcio, então não é só cortar o leite e ir dormir, hein, gente). Por enquanto, sigo toda satisfeita sem o copo de leite de cada dia. Ganhei algum peso, o que para mim é sempre um evento, visto que meu metabolismo é algo fora desse mundo. Considerando o alto valor calórico do leite integral que eu costumava consumir, acredito mesmo que meu intestino está permitindo um melhor aproveitamento dos alimentos ingeridos. E mesmo que eu não ganhe nem meio quilo a mais, invernos sem sinusites de repetição não têm preço. Leite? Não, obrigada. 


Das pequenices


O dicionário me contou que "pequenice" é sinônimo de ninharia ou insignificância. Mas eu, teimosa, chamo de pequenices as miudezas prazerosas do dia a dia. Depois de uma semana bem corrida no trabalho, entreguei-me aos pequenos prazeres com sede de náufraga que avista a praia. Tudo hoje me é pequeno e bom.

Boa pequena descoberta das que muito me agradam: receita que funciona. Fiz muffins de chocolate e, hummm, deu muito certo. Faltaram as forminhas de papel, então eles não estão fotografáveis, perdão. O destino grandioso do muffin de chocolate é ser despido do papel à medida que o devoramos. Mas pequei assando-os em forminhas de alumínio e eles saem de lá quebradiços - nada que atrapalhe a comilança degustação, apenas enfeia a fotografia. Logo eles voltarão à cena, devidamente vestidos e fotografáveis, confiem.

***

Eu não poderia fazer fotos ruins hoje, não hoje. Hoje acordei com os quadros indefectíveis da linda fotografia do filme argentino Medianeras dançando em minha cabeça. Eu nunca tinha ouvido falar do filme (ou, se tinha, já havia me esquecido dele), não conhecia os atores (ou, se conhecia, já havia me esquecido deles), tampouco sabia qualquer coisa sobre o diretor Gustavo Taretto (continuo praticamente na mesma, mas já o admiro). Passei o olho na locadora e trouxe para casa. Amei cada minutinho, cada enquadramento, cada linha de cada fala. Mariana e Martin, vizinhos que nunca se viam. Buenos Aires, que ainda preciso sentir, pegar e ver. E tanta delicadeza no olhar de quem criou essa lindeza. Se você ainda não viu, recomendo. É arriscado recomendar, eu sei. Mas é um risco pequenino. 

***

E no mundo das pequenices, meu filho está às voltas com a montagem de uma maquete de sua sala de aula. A irmã cresceu os olhos para a tarefa suculenta, cheia de pincéis, tintas, tesoura, cartão, miudezinhas. Onde tem estilete e tesourona, pai e mãe metem o bedelho e lá fomos nós de carona na diversão do pequeno. No final do dia eles discutiam para ver de quem era aquela carteirinha, "eu sento aqui e você ali", essas coisinhas. "A melhor tarefa de todas", diz o empolgado.

***

Não tem foto, mas tem receita retirada do livro Cupcakes, bolos & doces, da Ed. Larousse. Foi presente de aniversário daqueles que a gente agradece várias vezes ao longo da vida, toda vez que usa. Os muffins são leves, fofíssimos e formam uma maravilhosa capinha crocante na parte de cima... heaven. Assam em 15 minutos. A receita facílima diz que rende 12 muffins, provavelmente se referindo às forminhas de papel; as minhas de alumínio são menores e consegui 26 gostosurinhas. Ao que interessa:

225g de farinha de trigo
60g de chocolate em pó
1 colher de sopa de fermento em pó
1 pitada de sal
115g de açúcar demerara (usei cristal)
150g de gotas de chocolate (usei granulado, não achei as gotas no supermercado, damn it)
250ml de iogurte natural integral
6 colheres de sopa de óleo de girassol
1/2 colher de chá de essência de baunilha
2 ovos

Pré-aqueça o forno a 200 graus Celsius e "forre com forminhas de papel uma forma para 12 muffins" (vide primeira parte deste post). Misture em uma tigela grande os ingredientes secos: farinha, chocolate em pó, fermento, sal, açúcar e as gotas de chocolate (ou chocolate granulado, deu certo também). Na batedeira bata o iogurte, o óleo, a baunilha e os ovos. Em seguida faça uma cova no centro dos ingredientes secos e acrescente a mistura úmida. Misture com uma espátula ou colher de pau até obter uma massa granulosa. Com uma colher de sopa coloque a massa nas forminhas até 3/4 da capacidade de cada forminha. Asse por 15 minutos. Transfira-os para uma gradinha até que esfriem. Passe o café e chame a galera. 


Penso, logo divago


Arthur, sete anos, anda se gabando de que é mais velho que a irmã de cinco. Diz coisas assim:

Ele - Eu sempre vou ser maior que você.
Ela - E daí?
Ele - Daí que sempre vou ter dois anos a mais, você nunca vai ter a minha idade.
Ela - [cara pensativa, seguida de cara de leve preocupação]

No dia seguinte, volta a atacar:

Ele - Eu sempre vou estar na frente na escola.
Ela - E daí?
Ele - Daí que sempre vou aprender primeiro.
Ela - [cara de paisagem]

E no outro dia:

Mais do mesmo.

Até que ontem, na hora do almoço:

Ele - [cara pensativa, olhando pro teto]
Ela - [mastiga, mastiga]
Ele - Ai, como a Amanda é sortuda!!
Ela e eu - Por quê?
Ele - Porque ela vai morrer por último!

Pensei em explicar que não é exatamente assim que a banda toca, mas deixei pra lá. Adoro a lógica infantil.

***

Amanda, toda docinha enquanto se apronta para dormir:

Ela - Ah, mãe, você é muito fofinha!
Eu - [beijinhos, beijinhos]
Ela - É sim, você é tão fofinha... cute cute!!
Eu - :-)
Ela - Mas eu sou mais, tá?
Eu - Ok. 




A incrível transgressão de não ver a novela


A última novela que vi se chamava América, de Gloria Perez. Nem era muito boa, mas eu acompanhei mesmo assim, do começo ao fim. Morria de rir da Debora Secco eternamente segurando um bibelô e dizendo que queria ir para os Estados Unidos, achava aquilo meio patético (não o querer ir para os EUA, mas viver segurando um bibelô). Essa foi a última das muitas novelas que vi (acho que minha favorita continua sendo Vale Tudo, um grande sucesso que muita gente viu - mas se você não viu, ou viu e não gostou, tudo bem, acredito que ninguém julgou você por isso). Vi muitas outras na companhia de minha mãe, noveleira que só ela. De uns tempos pra cá, enjoei, fiquei sem saco e com menos tempo.

Então. Há uma coisa engraçada nas redes sociais: o papo de que todo mundo precisa gostar de Avenida Brasil. Assim: precisa. Porque se você não gosta... não, não existe essa possibilidade. Existem as pessoas que fingem que não gostam, sabe? Que fazem pose de intelectual porque, né, novela é popular e aí pode não pegar bem e tal. Ah, gente, na boa? Menos, por favor. Que sono. Você assiste e gosta? Ótimo, bom pra você, divirta-se. 

É assim: não estou nem aí pra novela das oito, ou das nove, sei lá. E é só isso, sem viagens na maionese. Não classifico pessoas entre "as que assistem novelas" e "as que não assistem" porque o mundo é um tiquinho mais variado que isso. E tô sabendo que Avenida Brasil vai acabar essa semana. Ainda bem, assim vou poder não dar a mínima pra ela sem ser taxada de esnobe. Porque, olha, é muita regra, Brasil.

"Horinhas de descuido"


Não sei se vocês se lembram, mas foi através de um programa de distribuição de livros infantis promovido por um banco que conheci o saboroso livro do Chico Buarque Chaupeuzinho Amarelo, ainda hoje firme e forte nos top hits da "hora da história" antes de dormir. Há alguns dias me inscrevi no mesmo programa outra vez e hoje recebi outros três exemplares de livros infantis. É gratuito e você pode pedir os seus também, se já não o fez. É só entrar no site da Fundação Itaú Social e seguir as instruções. A proposta é simples: leia para uma criança. Se você não tem criança em casa, pode doar os livros para uma biblioteca ou escola pública, presentear alguém, ou ler para você mesmo, sei lá. Os livros estão disponíveis, as crianças estão por aí. Por que não?

Gostei dos três exemplares que recebi: Lino, de André Neves, Ed. Callis; O Ratinho, O Morango Vermelho Maduro e o Grande Urso Esfomeado, de Don & Audrey Wood, com lindas ilustrações de Don Wood, Ed. Brinque-Book; e o adorável Poesia na Varanda, de Sonia Junqueira, com ilustrações de Flávio Fargas, Ed. Autêntica.

As crianças daqui gostaram de todos, mas O Ratinho, que a Amanda já conhecia da escola, e o Poesia na Varanda abriram mais sorrisos. Este último está dançando em mim. Tem coisas assim:

"Brilhou pra mim a poesia
na forma de lua cheia
e de um céu estrelado
despencando no telhado
de zinco do avarandado,
pronto para ser pisado
por alguém bem distraído..."

O livro fala de como a poesia anda por aí, louca para ser fisgada, percebida, enamorada. Acho mesmo que esse precisa ser lido em voz alta, para que a criança perceba o tom encantado de cada estrofe. Um amor. A citação escolhida para abrir o livro não poderia ser mais adequada. É do Guimarães Rosa e reza assim: 

Felicidade se acha é em horinhas de descuido.

Amém. 


Parece um post, mas é uma maçã


Eu não saberia dizer qual o/a melhor nem qual o/a pior professor/a que tive ao longo da vida. Sei que muitos marcaram meu caminho, seja porque me ensinaram muito, seja porque não me ensinaram nada - e isso também pode ser marcante, certo? Ficar meses assistindo aulas e não aprender nada é uma coisa, convenhamos, curiosa. Pois bem, tive de tudo: entusiasmados no cursinho; tias derretidas do fundamental; vovozinhas fofinhas no curso de datilografia (hahahaha, eu fiz!); freiras assustadas, jovens descolados e arrogantes, pessoas cansadas, artistas e distintas senhoras no colégio; esquisitos e sádicos nos cursos de Jornalismo e Agronomia que larguei; perdidos, engajados, comprometidos, poetas, competentes e lunáticos no curso de Letras; gênios, cansados e loucos na pós; adoráveis nos cursinhos de inglês (ah, quanta gente boa!); elegantes madames e compenetrados senhores nos cursos de francês; um competente professor de árabe; figuras estranhíssimas em curso de formação profissional; narcisos em academias; gente zen na yoga e vários outros que tentaram me ensinar a bordar, tocar violão e sei lá mais quanta coisa já tentei fazer por aí. 

A beleza da profissão de professor está na chance de observar bem de perto as transformações dos alunos. Do lado de lá, sempre tive enorme prazer em ver o progresso dos meus alunos que se aventuravam no idioma que escolheram aprender. Acho emocionante, gratificante de verdade, coisa que abre sorrisos e é disso que mais tenho saudade quando penso nos anos que passei em sala de aula como professora de inglês. Quem não gostaria de ver a profissão ter o reconhecimento que merece em nosso país? Quem duvida que passa pela valorização da carreira de magistério a revolução que queremos ver na educação brasileira? Ninguém, certo? Então comemoro a data, celebro minha memórias da época do colégio, quando meus professores alimentavam minha imaginação, embora muitos deles nem soubessem disso. E torço muito pelo dia em que veremos esse jogo virar e a profissão de professor virar sonho de consumo de milhares de jovens. 

E mando daqui meus parabéns aos dois abnegados que ainda acreditam que vou falar francês fluentemente e tocar piano lindamente. Porque, né, professor que é professor acredita no potencial (ainda que mínimo) dos alunos. :-) Obrigada pela fé, professores, perdão pelas notas erradas e conjugações trocadas e parabéns pelo seu dia!

Rocking, falling, rolling


Ainda não dá para dizer que ela desliiiiza por aí, mas achamos que ela se saiu muito bem na primeira tentativa com seus rollers. Para mim, que duvidava se ela sequer ficaria de pé em cima daquele trambolho, foi um sucesso total. Após os primeiros tombos, ouvimos um choroso "nunca vou conseguir!"; mais tarde, "faz parte, eu tô aprendendo". E seguiu toda rosa, corajosa demais, pela estrada afora. 


 
Vai, flor.

Blue


Hoje fomos à festa de aniversário de uma amiga nossa. Não era uma festa infantil, mas ela fez de conta que era e decorou tudo com o tema do desenho Padrinhos Mágicos, afinal era dia das crianças, coisa e tal. Para quem não sabe, os tais Padrinhos Mágicos moram dentro de um aquário e, por isso, nossa amiga decorou as mesas dos convidados com pequenos aquários; quem quis voltou pra casa com um peixinho beta de presente. Amanda quis. E assim Blue é o novo morador da nossa casa.


Assim que percebeu os aquários Amanda ficou maluca. Depois que descobriu que ganharia um tratou logo de escolher o seu. Li que eles podem viver alguns anos se bem cuidados, mas já ouvi relatos que dizem que o beta morre fácil. Não sei, nunca criei peixes. Ulisses já teve um beta, chamado Afonso, que morreu de velhice. (Pedi ao Ulisses que me contasse a história de Afonso para eu contar a vocês. Eis o relato: "era um peixe que depois morreu".) Veremos qual será a trajetória de Blue. Confesso que olho e sinto certa aflição: um aquário tão pequeno, uma vida tão monótona, tanta solidão. Um peixe num aquário é um pouco como um pássaro numa gaiola. Não? Melhor pensar que não.





A primeira mudança de casa de que me lembro aconteceu quando eu tinha cerca de 8 anos. Eu já havia mudado antes, mas minha memória não me deixa saber como foi. Naquela de que me lembro iríamos para a casa onde minha mãe morou até morrer, que por acaso fica na mesma rua da outra que estávamos deixando para trás. Sairíamos do aluguel, iríamos para nossa própria casa semipronta e cheia de reformas por fazer, havia grande expectativa. Eu me lembro da muvuca em quadros avulsos. Sei que parte da mudança foi feita à noite e me lembro de móveis sendo carregados rua acima em carros de mão, comuns naquela época no lugar onde eu morava. Sei que a casa nova tinha metade de seu terreno habitável e metade por construir, o que dava a ela um ar de transição, ainda que estivéssemos mudando para lá definitivamente. Eu me lembro que ela me pareceu clara e sei que isso tem a ver com a cor das pequenas lajotas de cerâmica que formavam o piso meio cor de rosa. Gostei mais daquilo do que do piso escuro da casa velha e dei meu jeito para conviver por vários anos com os pedreiros e serventes que passaram a dividir a rotina conosco. Transformei o quintal cheio de pés de cana em floresta encantada e as eternas pilhas de tijolos em cenário para minhas manhãs de menina que falava sozinha. Também gostei dos vitrais coloridos que vieram depois, da goiabeira do jardim da frente e do pé de siriguela do quintal.

A casa velha, alugada, ficou em minha memória de forma meio turva porque confundo um pouco sua arquitetura com a da casa vizinha, habitada por uma velha amiga de minha mãe que eu visitava com frequência. De vez em quando penso na sala de TV e aí me dou conta de que aquela não era a nossa TV, era a da vizinha. Eu me lembro da sala da frente apinhada de estantes de metal cheias de livro e papel, muito papel; lembro do pequeno terraço da frente, onde um dia encontrei uma cobra preta que por pouco não peguei, pensando tratar-se de uma pequena bengala; lembro do quintal que um dia vi cheio de pintinhos amarelos que corriam desengonçadamente e me assustavam um pouco - e de como fiquei triste quando a chuva forte matou todos eles. E me lembro de meu aniversário de cinco anos, com chapéu de papel e os amigos uniformizados trazidos da escola pela professora. 

No dia da mudança Mimi não foi. Alguém o colocou em uma caixa de papelão e até o levou para a casa nova. Não sei se por descuido - e a quem culpar, com tanta coisa por fazer? - ou por ser inevitável, o fato é que me disseram que "o gato é da casa, não da pessoa" e precisei me conformar. Ainda o vimos pela rua, alguém disse tê-lo visto nos telhados por ali, magro e sem rumo. Não sei. Ganhamos casa nova, mas perdi o gato. 

Naquela época, Severino, um velho irmão da minha avó materna, ainda morava conosco. Minha mãe assumira seus cuidados quando ainda era solteira, aos 26 anos, após a morte de minha avó. Severino tinha saúde frágil e em seus últimos anos de vida era visto como um "esclerosado". Talvez hoje fosse diagnosticado como portador de Alzheimer, nunca vou saber, é só uma suspeita. O fato é que Severino também se perdeu várias vezes. Demorou muito tempo até que ele se acostumasse a ir à barbearia e voltar para a casa nova. Severino, como Mimi, parecia querer a velha casa da parte mais baixa da rua. Passamos a esperá-lo na porta e a trazê-lo para casa até que o novo hábito substituiu o velho. Dos tempos de Severino na casa nova, lembro-me especialmente de sua mania de limpeza que o levava a catar incessantemente as folhas secas que caíam da goiabeira. Quando ele morreu do coração, nossa casa "nova" estava completamente revirada por uma de suas muitas reformas e aquilo tudo certamente o incomodava mais do que posso suspeitar. Quando as primeiras visitas chegaram para velar o corpo, havia chuva e goteiras pela sala, faltava luz. Os quadros também são avulsos aqui e eu não seria capaz de tecer uma teia muito fiel daqueles dias. Mas eu me lembro da sensação de tempo passando e de como minha mãe se emocionou no enterro lembrando-se de minha avó. Também me lembro de não ter entendido muito bem o que uma coisa tinha a ver com a outra, tão mergulhada na infância que eu estava.

Quando revisito essas lembranças fico pensando em como tudo parece ter acontecido em outra vida, com outra menina. No entanto, era eu, eu já me sentia eu. Os sustos, as angústias, as perguntas, tudo já me rondava naquela época empoeirada. Penso um pouco mais e vejo que de certa forma eu era mais triste, mais saudosa. Parece absurdo, mas é como se naquela época um pedacinho de mim sentisse saudade do futuro que eu teria depois. Cabiam muitos sonhos e caminhos indefinidos nas minhas brincadeiras e, sem suspeitar que o fazia, eu ensaiava caminhadas que de fato experimentei depois. Hoje penso que muitas escolhas que fiz começaram naquelas casas de minha infância, em meio a planos mais imediatos, como a melhor posição do sofá ou o posicionamento da porta nova da cozinha. Com o passar dos anos, minha mãe fez todas as reformas que quis, escolheu quadros e vasos, construiu quarto para os netos. Foi brincando na sala, iluminada pelos grandes janelões que ainda hoje estão lá, que exercitei essa mania de olhar pela janela e de relembrar que a rua é mais comprida do que a vista do terraço permite perceber. Foi naquelas casas gerenciadas pela minha mãe que comecei minhas construções internas, minhas eternas reformas. 

Houve vários endereços depois, outros gatos também. Mas nenhum dos apartamentos da época da faculdade, ou a casa inglesa que me acolheu naquele inverno afoito, ou as primeiras moradas em Santa Catarina, nenhuma dessas moradas surge em primeiro plano quando olho para dentro. (A casa onde moro agora é outra história.) 

A poeira em minha alma é constante. Vivo revisitando gavetas velhas e testando novas arrumações. E acho graça como o tempo tem seus poderes. Porque eu sei o que faltava, e sei que não era pouco; mas as camadas de poeira são tão bonitas, às vezes. Como quando a luz do sol invade a sala e torna coloridos os pequenos grãos de pó. Igualzinho. 


Das febres


A virose que bagunçou o estômago da Amanda mudou a cara da nossa segunda-feira. Amanhecemos entre termômetros e dengos. Além da moleza da febre, doeu ver a carinha de triste por perder o passeio da escola no primeiro dia das comemorações pela tal "semana da criança". Não parece ser nada grave e espero que as poucas fatias de maçã e torrada engolidas ao longo do dia consigam ajudá-la a se recuperar logo. Fora isso, fizemos a ciranda do revezamento e minha tarde teve trabalho, mas também teve Uno com a convalescente, bonecas e canções do Toquinho. Teve também um irmão todo cuidadoso dando beijinhos na testa e perguntando se ela "ainda tá com frio".

***

Há outras febres no ar. Desde ontem vejo pelas redes sociais a euforia de quem teve seu candidato avançando ou vencendo nas eleições. Também vejo a decepção de vários que lamentam alguns resultados, digamos, desinteressantes. Sinto-me meio órfã em uma eleição em que ninguém me convenceu de nada. Estranha, aérea. Como consolo, vejo, aqui da margem, como os ânimos exaltados facilitam a distorção, o exagero, as reações desmedidas. Uma observação que pretende acrescentar ao debate vira afronta aos olhos do outro. Aparentemente "crítica", ou mesmo "mas e...", virou sinônimo de "censura". E não sei se perdi alguma coisa, mas eu estava achando que quando alguém puxa o assunto é porque quer conversar sobre ele. Sei lá. Devo estar muito por fora mesmo. 

***

Stepan Arkadyevitch Oblonsky
Darya Alexandrovna
Anna Arkadyevna
Philimonovna
Alexey Alexandrovitch Karenin

Adoro os nomes dos personagens em Anna Karenina. Deve ser a sonoridade esquisita, o tamanhão das palavras. Eu, que normalmente prefiro nomes curtos, acho lindo os "exageros" russos. Também acho uma graça como Tolstoi sempre (pelo menos até aqui) se refere a Stepan Arkadyevitch assim, usando os dois nomes, mesmo tendo apresentado a variante "Stiva" na primeira página. Estou, claro, supondo que a tradutora Constance Garnett adotou as escolhas do autor para os nomes. E, sim, estou me divertindo bem.

***

Por causa das minhas aulas de francês ando recaída de amores pela história do Pequeno Príncipe. Me deixem. E aí quero contá-la às crianças, ler com elas. Na livraria vi uma edição com pop-ups que dá água na boca: os planetas, as lunetas, a caixa com o carneiro, o sol que se põe mil vezes, tudo salta da página. Mas resisti e devo ficar com uma edição tradicional: a história é tão linda, bem sei que vai tudo pular da página mesmo. (Nem sempre me seguro: temos uma edição do Peter Pan em pop-ups que sempre me comove. Cada página é sonorizada e quando o navio voa pelos ares a musiquinha sempre me arrepia.)

***

Arthur vê a mana encolhida no sofá, com febre, embaixo do cobertor à uma da tarde. De uniforme, mochila na mão, ele olha, pensa na tarde que passará na escola, abandona o lado irmão solidário e lamenta: 

- Ai, Amanda tem tanta sorte. 




Um bolo para Ana


De vez em quando uso uma receita de bolo de chocolate bem básica. É uma daquelas receitas coringas que sacamos quando queremos bolo, mas não alarde ou muita louça para lavar depois. Ou simplesmente não estamos com vontade de derreter uma barra de bom chocolate amargo. A receita bondosa manda jogar todos os ingredientes na vasilha da batedeira, bater de uma vez, assar. Uso quando as visitas chegam e quero bolo, uso se acabou o pão e não quero ir à padaria. Uso quando sirvo bolo com preguiça. A massa está no forno agora e já vou lá retirar. 

***

A primeira frase traz:

"Happy families are all alike; every unhappy family is unhappy in its own way."

Segue-se um parágrafo fluente em tom de caso contado à mesa enquanto partimos um bolo e servimos a segunda xícara de café preto. Há tempos sinto vontade de conhecer a história de Ana Karenina e acho que vou passear por ela como quem ouve o relato de uma viagem de férias em que tudo deu certo. Vou lá, que o forno já apitou.


A Louca


Em certo momento d'A Louca da Casa (Ed. Pocket Ouro, tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman), Rosa Monteiro fala de como o projeto desse livro se transformou à medida em que foi sendo escrito. O que seria um ensaio de literatura, sobre o trabalho do romancista, tornou-se principalmente um livro sobre a imaginação. Sobre a louca que trazemos dentro de nós. O livro é ainda sobre literatura e o ofício dos que se dedicam a criar romances, sem dúvida, mas é mesmo muito mais ligado ao papel da imaginação na vida dessas pessoas. Não sei o que mais me agradou nesse livrinho aparentemente bem despretensioso, mas que contém pequenos tesouros que trarei em minhas lembranças por muito tempo. 

Gostei da forma como Rosa menciona muitos de seus autores favoritos ou mesmo grandes ícones da literatura mundial que ela, por alguma razão, não aprecia. Não é que ela os indique ou desencoraje a leitura deles, ainda que acidentalmente o faça duas ou três vezes. É que ela conseguiu ilustrar muito bem suas ideias sobre o processo criativo com exemplos do mundo da literatura, gerando no leitor um efeito cascata saboroso: vamos não só curtindo a leitura do que a Rosa escreve, mas fazendo notas mentais sobre obras que gostaríamos de conhecer também. É verdade que de vez em quando ela extrapola e me parece um pouco dada a conclusões generalistas demais, mas isso não chega a prejudicar a conversa.

Entre os capítulos que abordam o afastamento que o escritor busca de si mesmo; ou a forma como a imaginação do escritor se aproxima daquela da infância; ou os dissabores dos grandes gênios que viram suas vidas viradas do avesso por causa da perigosa vaidade; ou o poder dos sonhos para alguns, da percepção distorcida da "realidade" para outros, e ainda da solidão para muitos; entre esses e vários outros temas que permeiam a vida de tantos escritores ao longo da história, Rosa nos apresenta relatos de experiências pessoais cuja veracidade o leitor logo percebe ser difícil de atestar. A mesma história é narrada várias vezes, com detalhes e sequências distintas, com o mesmo tom autobiográfico que num primeiro momento bem que nos passa a perna. E assim, brincando de contar versões, Rosa nos mostra a quantas anda sua própria imaginação. 

Mas volto a dizer que gostei mesmo das imagens. Gostei a ponto de querer dar uma lida em um de seus romances e ver o quanto ela me fisga. Dureza é agora decidir o que ler primeiro, se um livro dela ou outro entre os tantos que ela cita em seu pequeno tratado sobre a imaginação. Ou outros que já me esperam nas estantes de madeira e virtual. Esse delicioso sofrimento... Rosa conta que ouviu em uma palestra, certa vez, a ideia de que a morte não nos leva se estivermos no meio da leitura de um bom livro: ela se distrai, espia sobre nossos ombros e quer saber o final da história. Vai saber. Coisas da Louca. Mas fica a dica. :-)


Aula de bobó


Eu tinha dois compromissos para a noite passada: aula de francês e jantar com amigas. Como a aula de francês acontece via skype, fui para a casa da amiga e me conectei por lá. Na hora devida, fugiria da muvuca, iria a um lugar reservado da casa, faria minha aula e depois repetiria o prato. Pois bem. A aula, não a de francês, foi assim:

Manteiga e azeite numa panela.

Alho.

Cebola.

Pimentão verde e depois vermelho.

Cheiro verde (cebolinha e salsinha).

Tomate.

Camarão pré-lavado e temperado com sal e "outras coisinhas".
  
Cinco minutos.

Creme de aipim da terra da minha amiga (interior de Santa Catarina; não me responsabilizo por receitas utilizando aipim que não seja da terra da minha amiga.)

Azeite de dendê.

Leite de coco.

 Travessa.

Prato.

 
Felicidade.

A aula de francês? Atrasou. Depois foi adiada. Enfim, foco, minha gente. Bobó de camarão pra vocês. Nham! 
 

Recreio


Esta semana preciso parir alguns pequenos textos técnicos, com certo tom acadêmico, para um curto curso que estou fazendo. O assunto que não me atrai muito (bem que deveria) aliado à sensação de redigir por obrigação tornam a tarefa um pouco (só um pouco) maçante. Sobreviverei. O bom é o recreio.

Depois de dar forma aos tais textos, corro para a cama e me agarro com um livrinho emprestado por uma colega: A Louca da Casa, da escritora espanhola Rosa Montero. Eu teria meia dúzia de poréns para trocar com a autora em relação a uma ou outra opinião expressa no livro, mas, ah, quem liga. Tenho me divertido com suas imagens, seus relatos sobre sua relação com a escrita e a leitura. E adormeço pensando no papel maravilhoso da imaginação em nossas vidas. Em como ela nos salva. "Porque ler é uma maneira de viver."

"Com esforço e dedicação"


Para quem acompanhou por aqui minhas narrativas sobre o tratamento oftalmológico de meu filho, trago ótimas notícias. Hoje ele recebeu alta definitiva do tampão ocular (já não usava há muitos meses, mas ainda estava em fase de observação). O exame de hoje apontou que não houve qualquer perda do desempenho visual nos últimos meses. Com o olho que antes tinha desempenho inferior agora em igualdade de condições com o outro, podemos jogar fora todos os tampões que ainda estão no armário. Ganhou até diploma e muitos abraços. Vai ter brinde no almoço. Vou dispensar o vinho que normalmente tomo e tomar suco com meu pequeno. Feliz demais. 
 
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