Sintonizando


Post teste de um assunto só.

Comecei a ler o guia de viagens da África do Sul que um amigo deu ao Ulisses no aniversário dele. Eis as primeiras sensações.

Nós deveríamos ter reservado mais tempo para esta viagem que se aproxima. Não incluímos Pretória no roteiro e as fotos da cidade são lindas. E fica bem próxima a Johannesburgo, local de nossa chegada, mas exatamente no sentido contrário ao que tomaremos logo após o desembarque. Vou ficar com água na boca: "os monumentos e grandiosos edifícios oficiais, alguns construídos no século 19, perdem impacto para os parques e jardins de Pretória", diz o guia. Também cresci o olho para alguns roteiros de trens sugeridos, algo impo$$ível de incluir em nosso programa a essas alturas. 

Li uma breve introdução à história da África do Sul que, obviamente, passeia pelo apartheid e pelas marcas que deixou no país e em seu povo. É bem angustiante ler que o racismo ainda é muito forte por lá e que o país enfrenta uma tremenda distância social entre os mais abastados e os mais pobres da população. E, a não ser que a pessoa seja feita de metal, não há como não se indignar diante das histórias mais antigas, das colonizações holandesas e britânicas que exploraram as muitas riquezas do país e os donos da terra - e que são a gênese de toda essa desigualdade; e das gerações de descendentes europeus que segregaram e expulsaram de suas casas os moradores negros nascidos no lugar. Em um exemplo tenebroso, o guia conta que um bairro de Cape Town, o District Six, teve 60 mil de seus moradores "transferidos" para regiões rurais entre 1968 e 1982, época em que vigorava o decreto que proclamava a área como lugar "de brancos". 

Para além das histórias de dor, o guia conta que a África do Sul tem o mundo dentro de suas fronteiras: desertos, praias, florestas, escarpados e vinhedos, de tudo tem. A costa esbanja o luxo de abrigar faunas trazidas pelas correntes vindas dos dois oceanos que cercam o país. É diversidade que não acaba mais.

Também tenho aumentado minha wish list de leitura (é, meu povo, sigo agarrada a Anna Karenina, tenham fé). Agora ando curiosa sobre o livro The Story of an African Farm, que parece ser o "primeiro romance sul-africano de destaque". Foi escrito por Olive Emilie Schreiner, em 1883, e publicado sob um pseudônimo masculino. Quero muito ler essa história escrita por uma mulher negra que, na África do Sul do século XIX, empenhava-se em defender a igualdade feminina e lutar pelos direitos dos povos nativos. Olive viveu em uma região que não vou visitar, o grande Karoo, área de muitas reservas naturais criadas para preservar a "fascinante vida selvagem".

Maaas eu vou visitar Cape Town, pulinhos de alegria. Sobre isso falamos depois. Preciso me dedicar ao estudo do manual da máquina fotográfica, não reparem. Conforme contei mais cedo no Facebook, perdi o manual, mas consegui fazer o download do bendito. E como pessoa sensata que sou, vou lá testar minhas habilidades com a câmera fora do status automático bem nas primeiras férias da vida em continente africano. Espertíssima, só que não. 


2 comentários:

Lud disse...

E tem o Mandela, né? Um cara que faz a gente recuperar a fé na humanidade. A autobiografia dele, "A Long Walk to Freedom", é interessantíssima. Se o tempo estiver curto, o filme Invictus também é bacana (só que foca demais nas preocupações da população branca pós queda do apartheid. Mas enfim.)
Beijos e otimíssima viagem!

Fabiana disse...

'tô adorando acompanhar os preparativos de vocês. Há tantos anos não viajo, que até relatos alheios me parecem pequenas férias. : )

 
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