Nosso primeiro safári


A notícia ruim seria o fato de não termos conseguido comprar um binóculo. Mas a boa é tão boa que nem me lembro mais disso: nosso primeiro safári foi uma sequência de boa sorte, com vários bichos bem à frente de nossos narizes eufóricos. Estou muito feliz por termos agendado três passeios pelo Pilanesberg Park; se tivéssemos agendado apenas o de hoje eu certamente já teria corrido para tentar conseguir vaga em outros grupos. Nem sei dizer o quanto estamos, todos, encantados. É uma sensação maravilhosa observar os bichos no ambiente deles, livres, soberanos (o leão não vê muita soberania na zebra, mas vocês me entenderam). É assustador, sim, às vezes. Emocionante, quase sempre. Lindo, lindo, lindo. Sabe quando a gente visita um lugar bacana e fica morrendo de vontade de que todos nossos amigos tenham a chance de fazer o mesmo? Pois então. Arthur hoje me perguntou de onde gosto mais, citando várias cidades que visitamos juntos. Não soube responder e comecei com “ah, são lugares tão diferentes...”, mas ele foi logo arrematando “pois eu gosto mais da África”. Se eu tivesse sete anos, não teria dúvida alguma também. Como tenho um pouquinho mais, sei que não preciso escolher e vou me alegrar a cada lugar que ele visitar e eleger como favorito temporário. 

Nosso passeio começou às oito e meia da manhã. Não consegui fotografar tudo que vi. Quase nenhum pássaro fez pose pra mim, o grupo de girafas estava camuflado entre árvores e o guia nem chegou a parar o carro; vi tanta zebra e gnu que a certa altura eu já dava de ombros, sabe como é. Mesmo assim, voltamos para o hotel com 220 fotos de bichos, feitas em três horas de passeio. Nosso guia, Joseph, é uma espécie de google dos bichos e a cada encontro nos dava uma rápida aulinha sobre nossos modelos fotográficos, o que tornou a coisa ainda mais rica. Foi mais ou menos como um programa do National Geographic ao vivo, hehe. Houve um trecho do passeio em que, acredito, chegamos a ficar cerca de 20 minutos sem ver nada muito interessante. Os momentos de emoção, contudo, compensaram. E muito.

As grandes estrelas em um safári são, normalmente, os chamados Big Five (leopardo, leão, búfalo, hipopótamo e elefante). Nossa aposta, contudo, incluía qualquer bicho da categoria "grande", então girafa também entrava na jogada. E foi ela, a pescoçuda, justamente o animal que eu mais queria ver, quem primeiro deu o ar de sua alteza para nosso grupo.


Não foi a única que vimos, mas foi a única que consegui fotografar. Quando chegamos ela estava com a cabeça escondida entre as folhagens de uma árvore, provavelmente se alimentando. Alguns minutos depois nos presenteou com seu elegante balançar de pescoço, sua graça desengonçada de que gosto tanto. Muito amor girafildo. Espero encontrar suas amigas no safári de amanhã. Antes dela vimos algumas aves lindas, pequenos passarinhos e algum parente da garça dividindo águas com uma dupla de hipopótamos. Desses bocudos só vi a as orelhas, então ainda espero ver, de longe, bocejos generosos. O Joseph nos explicou que o hipopótamo é o segundo animal que mais mata seres humanos na África. Eu, abobada, nem perguntei qual é o primeiro. 

Chega de lero lero, vamos ao que interessa. Todo meu amor e respeito por essa terra, santuário de tanta riqueza. É lindo, gente.

Escolinha de impalas na hora do recreio.

Momento fofura-mor de toda a viagem: mamãe impala amamenta filhotinho cute cute. 

Zebrilda. Vimos aos montes, correndo, dando coice, alimentando-se ou simplesmente fazendo pose.

Gnu, amigão da zebra. Ele enxerga pouco e se vale de sua amiga para identificar sinais de ameaça. Vimos vários grupos dos dois animais juntos.

Nosso único elefante. Ao contrário do resto do grupo, que aparentemente estava todo eufórico para chegar mais perto e encontrar outros orelhudos, eu fiquei satisfeitíssima de ver esse aí, a certa distância. Morro. De. Medo. Esse tem até nome, é velho conhecido dos guias do parque. Senhoras e senhores, eu vos apresento Pilani. E o bicho é imenso.

Aquela pedra menor lá em cima não é uma pedra; é um bichinho camuflado, óin.

Um antílope de cujo nome não me lembro.

Este se chama bongo e tem listras pelo corpo, lindo.

Os dois grandes momentos do dia ficaram por conta de duas espécies de beldades que já me pagaram a viagem. Quando eu já dava tudo por encerrado, no caminho para a saída do parque, eis que Quindim e Quindim 2 aparecem assim, coladinhos à estrada por onde seguíamos. Imensos, esquisitos, antigos, tranquilos, nem aí, da paz, lambendo o chão. Ficamos um tempão ao lado deles, pasmos. Jamais, jamais, jamais vou me esquecer.  Com tchiluanda e tudo, porque esse safári foi de luxo, viu. Tchiluanda é o pequeno passarinho que acompanha o rinoceronte, comendo os carrapatos, que meigo.




Quando vimos os rinocerontes eu já estava em estado de graça. Minutos antes tinha vivido um dos momentos mais emocionantes na categoria "férias" de minha vidinha. Nosso guia nos mostrou um pequeno grupo de leoas descansando à sombra de uma árvore e desligou o motor do carro (um veículo grande, com capacidade para, sei lá, umas vinte pessoas). Tirei mil fotos. Outros dois carros menores se aproximaram e também pararam, em sentido contrário ao nosso. Aí uma das leoas resolveu esticar as pernas e dar uma olhada na movimentação. E veio vindo. Vindo. Vindo. Outras mil fotos, além de filminho. Lentamente, como quem não é de muito stress, ela se aproximou de nós. Ficou ali paradinha, sondando tudo. Na retaguarda, uma outra leoa também se levantou e ficou na espreita. Com o coração aos pulos, maravilhada, cheguei a dizer "let's go...", porque, meu, Sua Majestade estava muito próxima mesmo e ela não é exatamente uma gatinha amestrada. O guia todo tranquilão falava e falava que leões caçam à noite e que sei lá mais o quê, não me perguntem. Sei que ao final, quando ela aceitou nossa presença e deu as costas, retornando para sua sombra fresca, Joseph nos falou que fomos muito sortudos. Na maioria das vezes os leões são avistados a certa distância, como foi com o elefante, o que costuma frustrar muitos turistas. Sorrimos e ficamos nos achando o último biscoito do pacote. Ou a última zebra da savana, como queiram. 


Cheguei a selecionar sete fotos do encontro com as leoas para dar a vocês uma ideia do passo a passo da aproximação, mas minha conexão de rede está tão ruim que basta dizer que foi mais fácil encontrar a leoa no parque do que carregar a foto dela aqui. Saibam, porém, que na foto acima ela estava a pouquíssimos metros de nosso carro; pura emoção, pessoas! 

O resto do dia foi de tagarelices sobre o safári, lógico. E de muita piscina para as crianças que, exaustas, despencaram na cama bem cedo (há um pequeno tobogã em uma das piscinas do hotel; Arthur subiu e desceu 759 vezes).

Não vimos hienas, mabecos ou búfalos (perdi feio a aposta). Ainda temos chance. Contudo, se não avistarmos um passarinho sequer, não vou reclamar de nada. Juro. Nem das nuvens que insistem em esconder o sol ou do frio surpreendente que nos levou a cobrir as pernas com cobertores durante o safári. Mas o clima daqui é outra história. Conto depois. 


10 comentários:

Caminhante disse...

Que medo e que legal!

Marissa Rangel-Biddle disse...

Que máximo!

Aline Mariane disse...

lá no Quênia, disseram que o hipopótamo é o animal mas perigoso para o homem na savana. Foi o único bicho que tivemos de ser escoltados pra chegar nem tão perto assim (fizemos safáris independentes, sem guia nem nada, com um carro alugado que quebrou no meio do caminho, imagine só)
Tô adorando acompanhar mais essa viagem de vocês!! Bjss!!

Tina Lopes disse...

Awnnnn que lindo tudo! Vocês mereciam mesmo todo esse encantamento já de cara <3 mas quero saber qual é o primeiro bicho que mais mata, ok?

mllealeh disse...

Ai como eu sonho em ver um rinoceronte assim de pertinho! <3 muito legal!!

Silvia disse...

Que maravilha!! beijos

Rita disse...

Ah, gente, que bom que vocês estão aqui. Tomara que eu consiga passar um gostinho de tudo que estamos vivendo. A gente tinha certeza de que seria muito legal, mas não esperávamos tanto, na boa. É tudo incrível. <3

Bj!
Rita

Luciana Nepomuceno disse...

Eu senti essa semana uma coisa muito parecida com o que você conta no começo do post: uma vontade de partilhar tudo com que eu amo. mas, velhinha, senti também uma tristeza doce de saber que mesmo que eu volte ao mesmo lugar com os alguéns, não será a mesma coisa. Enfim. Que bm que vocês estão curtindo todos juntos. <3

Anônimo disse...

Menina, tudo está uma delícia!! Continua aproveitando e nos contando.
Beijos,
Ju

Adriana Pasello | Diário de Viagem disse...

oi Rita, já estivemos 3 vezes na África do Sul e não vemos a hora de apresentar nossos filhotes para este país maravilhoso e acolhedor. Delícia ler o post e saber que outras pessoas estão levando os filhos e a-do-ran-do. Faremos isso, assim que nosso pequeno tiver 5 aninhos. Bjks

 
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