Countdown


Faltando duas semanas para as férias, começo a desacelerar os motores estressantes e aquecer os devaneios. É a primeira vez que viajarei para um lugar de onde não sei muito bem o que esperar e isso me agrada ao mesmo tempo em que me deixa um pouco ansiosa. 

Na primeira vez que saí do país, fui sozinha. Fui tão cheia de expectativas que qualquer coisa poderia ter me decepcionado. Felizmente não foi o que aconteceu e ainda guardo na memória minha primeira temporada na Inglaterra como uma lembrança bem vinda - sem muito dinheiro, sem boa comida, estudando, arriscando e andando muito, foi crescimento do primeiro passo no aeroporto ao dia da volta, meio ano depois. Apenas tempo bastante para experimentar de leve o sabor bom de se perder com coragem, meio de propósito, de mudar os planos, de largar o espelho e olhar além. Mesmo que eu nunca tivesse estado lá antes, contudo, visitar a Europa é algo que, de certa maneira, já fazemos sabendo um pouco o que esperar. Conhecemos muitos relatos, vemos ao longo da vida milhares de referências às suas cidades velhas e magníficas. Reconhecemos seus monumentos, seus rios e prédios nos filmes, nos livros, nos olhos do mundo. Agora, não. Vou para o Pilanesberg Park e preciso ir ao mapa um milhão de vezes para memorizar a localização desse lugar de onde eu nunca tinha ouvido falar na vida e que agora será o primeiro ponto de parada das férias de minha família. Não consigo imaginar que paisagens vislumbrarei ao longo da estrada que nos levará do aeroporto de Johannesburgo até lá, algo que, ao mesmo tempo que reflete um pouco da minha imensa ignorância em relação ao continente africano, não deixa de dar um tempero incrível ao passeio. Como será? Não sabemos. Não fazemos a menor ideia.

Na única oportunidade que tive de conversar com alguém vindo da África do Sul, aos meus ouvidos o inglês pareceu "diluído" em um sotaque "escorregadio". Que impressões terei agora? Não sei. Será que terei a chance de ouvir diálogos em algum outro idioma africano? Não sei. O que comeremos no café da manhã, que frutas estarão lá? Não sei. A África do Sul é o país mais industrializado do continente africando e recebe um fluxo enorme de turistas todos os anos. Quão "igual" ela se torna, em uma comparação superficial a outros pontos turísticos que já visitei? Não sei. Não faltam fontes na internet, lógico. Já troquei ideias com duas ou três blogueiras que estiveram por lá, já fucei blogs. Os conhecidos que visitaram o país já me falaram de seus encantos. Mesmo assim, por mais que eu leia, pergunte e me informe, há algo diferente dessa vez. Não sei bem ao certo o porquê, mas não vou com deslumbre - talvez eu o faça em outras visitas, se houver. Por enquanto, vou com vontade. Se uma das coisas de que mais gosto na Europa são seus ares de antigamente, os sinais do tempo, hei de gostar de pisar nas terras desse velho continente contador de histórias ainda tão desconhecidas pra mim.

Não há garantias. Podemos ir aos safáris e não ver nenhum dos grandes mamíferos. Podemos não gostar da comida. Podemos achar tudo longe demais. Ou igual demais. Ou diferente demais. Podemos sentir calor demais ou achar tudo caro demais. Ou não. Não sabemos, não há garantias. É quase como crescer.


7 comentários:

Mlle. Alê disse...

Estou ansiosa pela sua viagem! Contando os dias pra ler suas aventuras Africanas! Vc faz isso como ninguém, Rita. Quando eu leio seus textos viajo junto contigo, entro no clima e acho o máximo! Vai ser incrível! Beijos.

Luciana Nepomuceno disse...

Não há garantias. É quase como viver.

Delícia de post, delícia de viagem. E tenho cá pra mim que ver tudinho pelos seus olhos vai ser tão bom ou melhor do que seri ver com os meus.

Rogério disse...

Caraca, meu sonho de consumo! Foi essa mesma curiosidade, associada àquela mistura deliciosa de medo e fascínio, que me levaram a Xapuri, no Acre. Não se preocupe que a aventura está garantida, nada vai ser demais nem de menos. E não será 'quase' como crescer; nenhum de vocês voltará do mesmo tamanho, a começar pelo tamanho do sorriso. Acho que vocês serão minhas cobaias (no melhor sentido), porque tenho muita curiosidade em relação à África - não somente a África do Sul -, e espero ansioso pelo seu relato, sempre cristalino, humano e saboroso. Boa viagem!

Clara Lopez disse...

Nossa, que lugar interessantíssimo, nunca nem tinha ouvido falar. Morta de curiosidade: vai num pacote? vai por sua conta? hospedagem é cara? vai ficar dentro do parque? oh, asas pra tanta imaginação ::))
beijos, aguardamos relatos e emoções intensas, grandes e belos animais no site oficial do lugar,
clara

Janete disse...

Uma ótima viagem à vocês! Com certeza virão muitas surpresas boas! Bjs.

Angela disse...

HHHmmm as delicias do desconhecido e do inesperado! Adoro, sempre da um medinho e quando comeca a ficar perto sai a ansiedade e vem a animacao! Nao vejo a hora de ler noticias suas, durante ou apos a viajem, ja que tempo na Africa ha de ser muito precioso e tem que ser totalmente aproveitado ;) Beijos e como sempre na torcida que tudo seja tranquilo.

Renata Lins disse...

Que demais, Rita!
Olha, meu pai trabalhou - nos últimos anos da vida dele - como consultor p FAO em Moçambique e Angola. Por isso, passava parte do ano lá. E ele e minha mãe fizeram essa viagem; não tenho certeza do parque que eles foram (talvez tenha sido o Kruger). Gostaram muito - mas talvez gostar não seja a palavra certa pra algo que faz você repensar tanta coisa, né? Beijos! Tire muitas fotos...

 
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