Sem limites


"Ando devagar porque já tive pressa..." diz o Sater com aquela voz tão boa, né? Se eu me apropriar da letra da canção é só pra fazer charme, já que, na verdade, acho que sempre andei meio devagar mesmo. Em termos, claro. Para muita coisa nessa vida sigo lá atrás, sem muito alarde, chego quando der, não há problema em ser a última a saber, a comprar, a conhecer, a ouvir, a aprender o passo. Leio depois que todo mundo já leu, vejo o filme quando passa na TV a cabo e quando "descubro" uma receita todo mundo já anda meio enjoado daquilo. Paciência, tenho preguiça de sair correndo para chegar logo. 

Pois bem, ontem resolvi conferir o primeiro episódio da primeira temporada de Game of Thrones. Enquanto meu digníssimo marido, fã de carteirinha da série, conta os meses para o início da terceira temporada e lê o quarto livro, eu ainda não li nenhum e só vi a segunda metade da segunda temporada. Ou seja, vi os episódios da segunda temporada sem entender bulhufas, a toda hora interrompendo o lazer do coitado com perguntas no nível "quem é esse?", "mas o rei não é o outro?", "quem matou?", "por que matou?", etc., além de não assimilar metade do conteúdo das respostas porque, digam-me vocês, quem no mundo memoriza tanto nome de terra e gente em três episódios de um bonde que já vai longe? Daí que descobrimos que toda a primeira temporada está disponível na NOW da NET. E, claro, depois de ver o primeiro episódio vi outros dois e só não vi os seguintes porque a madrugada já ia longe e havia pedalada programada para a manhã de hoje. Gostaria apenas de anunciar que, depois que toooodo mundo já enjoou da série, acabo de me tornar fã. Sou assim, vanguarda.

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Arthur não queria ir pedalar. Voto vencido. Foi reclamando dessa vida difícil em que os pais levam os filhos para pedalar numa manhã ensolarada de domingo. Resmungou, falou sozinho, ficou caladão, depois passou, fez graça, chegou perto e foi. Sol a mil pelo Brasil, calor derretendo o juízo, anunciei o fim do passeio mais cedo. Arthur não queria ir embora, queria correr mais, brincar de pega-pega, resmungou, etc. Voto vencido. A vida do meu filho não anda fácil.

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Amanda: - Mãe, vou desenhar uma catreca.
Eu: - Oi?
Amanda: - Na lua.
Eu: - Oi?
Amanda: - Ai, mãe, não é catreca, como é?
Eu: - [pensa, pensa] - Ah! Cratera!! É isso, você quer desenhar uma cratera?
Amanda: - Ufa!

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Meus filhos me pediram uma ou duas abóboras na parede, uns docinhos para distribuir, um fantasma assustador. Querem brincar de Halloween. As crianças no bairro onde moramos costumam pedir doces, fantasiadas, na noite do 31 de outubro. No ano passado, fiz pacotinhos de balas e eles se juntaram aos vizinhos, foi uma alegria. Não me importo com o fato de o Halloween não ser uma festa nacional, de ter suas origens tão fora de nossa cultura. O interesse pela coisa é, a meu ver, naturalíssimo. A criançada frequenta cursos de inglês que sempre comemoram a data (naturalmente), veem em filmes e desenhos, falam do assunto com amigos; e que criança não curte uma boa festa que inclui fantasias, doces e sustos? O Arthur ainda não começou a estudar inglês em cursinhos, mas comenta sobre os Halloweens dos amigos. Essa semana contei pra ele como eram as festas de Halloween nos meus cursinhos de inglês. Em uma das escolas, a dona dava carta branca para alunos e professores transformarem o prédio (uma casa antiga, perfeita) o quanto quisessem para a festa. Cada turma assumia uma das salas, escolhia o tema (monstros, fantasmas, bichos, zumbis, etc.) e mandava ver. Não havia limites, podíamos soltar a imaginação, fazíamos tudo com efeitos de luz e som, caprichávamos nas fantasias. A festa era uma loucura, cada centímetro da escola decorado com sangue, teias e múmias. Nós adorávamos aquilo, era um momento de integração fantástico, foram festa memoráveis. E eu nem era mais criança. Não idolatro os Estados Unidos, podem acreditar. Então disse sim, vamos brincar, ressuscitei a caixa com restos dos velhos artesanatos, cortei, colei, pintei e minha sala tem abóboras, corujas e gatos pretos. Vou fazer docinhos para os vizinhos. Boo.

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O sábado teve Mostra do Conhecimento na escola das crianças. O de sempre, tudo lindo e colorido (olhar de mãe?), certo clima de muvuca, alguns horários confusos, todo mundo se acertando no final. Amanda cantou, Arthur cantou, eu fotografei, achei fofo, beleza. Dessa vez, contudo, o ponto forte não ficou por conta de um trabalho caprichado do Arthur ou uma graça da Amanda. Dessa vez não pude deixar de me emocionar com a apresentação da turma da dança. A coreografia estava linda, o figurino era um mimo. Mas não era só isso. O astro da turma, o personagem central da coreografia era um aluno do terceiro ano, que fez sua parte muito bem. Dançou, acertou a coreografia inteira, mandou ver. Não sei seu nome, ele não é amigo de meus filhos. Mas sei que ele é cadeirante e vê-lo como astro da apresentação da turma de dança deixou meu coração mais quentinho. Ah, gostei demais. Escola é pra isso, para mostrar que não há limites para essa criançada. No bom sentido, claro. :-)



4 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Eu acho divertida toda festa. E se mexer com criatividade e imaginação, melhor.

Quanto às Crônicas de Gelo e Fogo, eu amo. Todo mundo reclamando do livro 4 e eu amando igualmente. Não tá com cara de que eu vá enjoar tão cedo. da série de tv não gostei tanto, apesar do Tyler arrasador e do Ned dos meus sonhos. É que os demais atores são MUITO diferentes do que eu pensei pros personagens.

Eu ri da cratera. Muito.

Angela disse...

Oi querida

Game of Thrones continue no meu plano e continuo louca para assistir pela primeira vez. Desde ha um ano atras. Mas entao, concordo que voce eh muiito devagar. A prova ta aqui, que blogueira nesse mundo iternautico posta apenas um post obra-prima por dia? ;)
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Catreca foi a melhor coisa do meu dia
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Amo Halloween mais pelas fantasias (Carnaval!) do que pelos doces. Max e Julia andam comemorando e seguro o coracao quando vejo meu ninja e minha borboleta monarca. Hoje lendo isso lembrei da vez que levei uma mala enorme inteira de decoracao de Halloween para a nossa escola de Ingles, e da cena na alfandega do aeroporto quando deu luz vermelha e tive que abrir para que revistassem.
E a burra aqui nem sabia que Halloween era de tradicao americana, so sabia que era nao brasileira. Ai, devagar sou eu aqui.
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Inveja boa da Mostra do Conhecimento. Max saiu da escola Regio Emilia e la se foi metade da educacao artistica. Um crime. Sempre falo para ele "quando as pessoas se limitam, deixam de aproveitar", entao espero que o cadeirante continue dancando.

No final do St Patricks day esse ano quando tava todo mundo ja morgando menos eu, um amigo da prima de Pete que havia acabado de conhecer foi chegando e foi avisando que estava louco para ir dancar. Fui logo levando a cadeira para o meiao do dancefloor e dancamos ate o clube fechar. Ja pensou se alguem resolvesse que para dancar a gente precisasse de pernas?
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Desculpa o comentario longo, mas imagino que saibas que isso aqui nao eh bem um post de blog e um comentario. Eh o substituto do nosso bate papo. Beijos e saudades.

Anônimo disse...

Prazer Game of Thrones!! Ja viu Angela, Rita devagar!? Se vc eh devagar Rita, eu sou o que?? hihi
Na escola de Raquel nao tem Halloween, e aqui no predio nao tem nada parecido com pedir doces etc., e ela queria pq queria ir a um, por sorte a levei semana passada para cortar o cabelo, e fomos convidadas para a festa de halloween do salao que Raquel frequenta, jaja vou pega-la na escola pois a festa eh a partir das 17 horas. Levo a fantasia dela no carro e de la vamos direto. Raquel vive querendo fazer uma festa a fantasia, ja programou varias vezes, e a mamae parada aqui nada de colocar em pratica.
Beijos,
Ju

Rogério disse...

Acho que minha pressa é ainda menor do que a sua, porque Game of Thrones sequer figura na minha lista de prioridades.
Confesso que já tive muito preconceito quanto ao "Dia das Bruxas", por achar que era mais uma das imposições culturais americanas sobre nosso lombo. Na realidade é, mas de repente deixei de ver naquilo somente a parte negativa, e apreciei observar meu filho se fantasiar e curtir adoidado o 'espírito da coisa'. Então, desarmei o espírito e deixei a coisa fluir, no melhor estilo 'dane-se'. A gente sofre muito quando analisa demais.

 
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