O Horto



Quando me mudei para Floripa passei uns dias hospedada na casa de um primo que fazia mestrado na UFSC. Depois de muitos telefonemas e classificados de jornal, minha amiga e eu encontramos um apartamento que cabia no nosso orçamento e nos mudamos, gratas demais pela hospedagem inicial. Nosso novo endereço era próximo à Universidade e todo mobiliado. Os móveis eram velhos, o apartamento era frio e úmido, tudo mofava, mas tava bom. Para quem passaria os próximos anos com a cara enterrada em textos e livros, não havia necessidade de mais. 

Em frente ao apartamento ficava o horto florestal de Florianópolis, um lugar aparentemente agradável para caminhadas no meio do mato, mas que, infelizmente, estava fechado por tempo indeterminado. Alguém nos contou que o motivo do fechamento fora a queda de um velho eucalipto que tinha atingindo de forma fatal um homem e seu filho. Sempre que eu passava pelo horto e lia a placa de "fechado" pensava na tal história trágica da árvore caída e me perguntava se eles voltariam a abrir o parque. Quando finalmente o horto foi reaberto, sete anos depois do acidente, eu não morava mais no apartamento úmido e mofado. Até fiz algumas visitas ao parque nos anos que se seguiram, mas nunca aproveitei como certamente teria feito se ele estivesse aberto na época em que fazia parte de meu caminho diário entre a universidade e minha casa. 

Hoje voltamos lá com as crianças, fugindo da preguiça que nos impediria de curtir o sol maravilhoso que coloriu o feriado. O lugar cheio de bichos, com suas pequenas trilhas bem amigáveis e parquinho com picolé foi saboreado com gosto pelas crianças. Filhotes de tartaruga, patinhos, coelhos, porquinhos da Índia, jabutis, muitos "oh, que fofo". O jacaré bonachão e a garça, os saguis que quase ninguém viu e algumas árvores grandonas enfeitaram nosso dia. E agora a gente pode se entregar à preguiça, tal qual o jacaré no lago. 

 Amanda e as tartaruguinhas.


A graça da Dona Garça.

Seu Jabuti lanchando. ("Viu, Amanda, ele come todo o verdinho.")

 Seu Jacaré curtindo o feriado.

Senhora Paineira.

E Senhor Pinheiro, lindão.

Porquinho da Índia fofucho.

O rabo do sagui que só eu vi.

Pra mim, uma trilha pequena. Para as crianças, uma trilha de aventureiros. É isso aí.

4 comentários:

Tina Lopes disse...

Sério que é um rabo???

Nina disse...

Mas é um lugar lindo, nem dá para imaginá-lo fechado. E por sete anos? Quase um crime, um absurdo.
Beijão, lindas fotos.

Angela disse...

Que lindo!

Mari disse...

Com certeza um dos meus lugares favoritos, junto com o Parque do Pantano do sul!
mas acredita que ainda não consegui levar a Sofia la em nenhuma das nossas visitas à Ilha?

tsc tsc pra mim!

bjus pra patota!

 
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