Dos festejos equivocados


Não sei detalhes porque não vi nem a notícia na internet. Não vi noticiário ou li qualquer coisa a respeito. Mas basicamente, parece que houve um assalto a mão armada em um mercado de minha cidade. A polícia foi acionada, chegou a tempo e matou o assaltante com um tiro nas costas. O assaltante estava armado, segundo fiquei sabendo. Tinha dezesseis anos, também segundo meu informante. É só o que sei.

Não vivo no país das maravilhas. Acho bom manter a capacidade de vibrar com piados de coruja, mas não estou tão anestesiada que não tenha certo grau de noção, mínimo que seja, sobre o mundo que me cerca para além da calçada. Então não precisa me lembrar de que o buraco é mais embaixo, estou sabendo. Ainda assim.

Ainda assim, não vejo motivos para se festejar um acontecimento como esse. Não há nada bom nessa história, sabe. Há uma rede muito longa de falhas e lamentos que poderíamos desfilar ao se falar do caso. Não há motivos para comemoração, por qualquer ângulo que se escolha para examinar o que ocorreu. É tudo lamentável. Que o assalto tenha ocorrido, que o garoto tivesse uma longa ficha policial, é dolorido isso. É muito triste que sua vida tenha se encerrado com um tiro nas costas. É só triste. 

Não me leve a mal, cara. Não é pessoal. Mas procure outra pessoa com quem festejar uma notícia assim, porque eu escuto e fico triste e acho sua alegria muito esquisita. 

8 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

ai, Rita, é isso mesmo. Não consigo sentir senão um peso imenso. Ontem mesmo eu comentei algo parecido no twitter. Uma pessoa que não conheço pessoalmente, mas instigante e engraçado (eu achava) e aí, pá, me puxa o tapete comemorando algo semelhante. Deixei de seguir, com a sensação que isso era pouco, muito pouco.

Cecilia disse...

Triste demais. Quando é que coisas ficaram mais importantes que pessoas?

Anônimo disse...

Muito triste o que aconteceu e, mais triste ainda, é alguem achar engraçado.
Ju

Anônimo disse...

Oi, Rita. Que notícia triste, eu não estava sabendo... Por acaso vi a chamada pro blog no facebook. Concordo com vc, é triste que um jovem tenha uma vida tão marcada e sua morte continua a ser uma injustiça, uma falha da sociedade em corrigir de outra maneira. Um abraço, de outra Cecilia comovida (a filha da Lúcia de Brasília)

Fabiana disse...

" É tudo lamentável."

Alegria pela morte alheia me soa doentia.

Silvia disse...

Muito triste tudo isso Rita...

kaka disse...

é Rita não as pessoas mas o mundo se tornou anormal!

Mari Biddle disse...

Festejar uma vida de miserias que deve ter sido a vida desse garoto? Festejar que temos uma policia que extermina? Nao da.

 
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