Truco!


Brincando de ignorar o calendário, fomos ontem a uma festa junina. Pus um vestido caipira e fiz dezenas de tranças no cabelo. Completei com um arco que prendia um pequeno chapéu no topo e minha filha de quatro anos adorou:

- Mãe, você tá linda!!
- Ah, filha, obrig...
- Tá parecendo uma palhacinha!!
- :-/

Era, na verdade, o aniversário de um amigo, o homem do gesso. A festa foi organizada em um galpão escondido no meio desse mundo, com comida típica e forrozinho pé de serra. A noite estava gelada e dançar era a solução mais óbvia, mas depois do casamento caipira (protagonizado pelo aniversariante e meia-dúzia de amigos que o mundo da dramaturgia está perdendo) e da quadrilha, o negócio era mesmo comer e jogar truco.

Aceitei o convite para a jogatina. Era a primeira partida de truco da minha vida (prefiro pôquer) e depois que Ulisses me passou as instruções mais básicas combinamos nossos sinais. Acertamos que se eu tivesse apenas cartas ruins, franziria o nariz de leve; se tivesse cartas matadoras, tiraria a tiara do cabelo. A partida rolou e lá pelas tantas me esqueci completamente do combinado. O homem do gesso tinha acabado de distribuir as cartas da rodada quando a pressão que o arco exercia atrás de minhas orelhas passou a me incomodar demais e retirei o troço da cabeça. Vendo aquele sinal inequívoco de bonança, Ulisses cresceu na partida e gritou truco! feliz da vida. Truco! Truco! Truco! Tadinho. Eu, novata na história, fiquei achando que não tinha entendido as regras direito. Por que cargas d'água Ulisses parecia tão empolgado? É claro que perdemos de lavada porque eu não tinha nada de bom nas mãos. Prometi mais atenção na próxima vez. 

***

Primeiras impressões sobre Jogos Vorazes: BBB + Jogos Mortais. Aguardemos. Li a primeira página de Moby Dick e já me senti feliz. 

*** 

E eu acho muito esquisito que agora todo mundo seja fã de luta. Não é ironia, não. Fico espantada mesmo. Assim, do nada, o troço vira febre. O mundo é assim, moda vem, moda vai. No caso das lutas, no entanto, acho estranho como as pessoas não se incomodam. Tipo, tourada causa repulsa, mas pessoas ensanguentadas não? (A comparação é péssima porque o touro não tem escolha, eu sei. O que quero dizer é que dia desses, Ulisses ligou a NET e o canal de abertura estava exibindo uma luta e ficamos sem acreditar na quantidade da sangue que estava rolando.) Sei lá. Gosto é mesmo como nariz. :o) :-) :<)

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6 comentários:

disse...

Ufa, entao nao sou só eu. Estava agora mesmo comentando com o Roberto dessa nova moda de luta no Brasil. De repente virou mania nacional! Acho horrivel, violento e sem a menor graça.

Menina, tb sou pessima no blefe, nunca aprendi a jogar truco direito!

Ana Claudia disse...

Concordo plenamente com vc em relação à luta. Acho agressivo demais. Ontem concordei em assistir com o meu marido ( ele adora...) porque o tal do americano conseguiu mexer com meu sangue brasileiro ao dizer que aqui só tem macaco, que as crianças só brincam na lama e por aí vai. Nas lutas que antecederam a principal, eu só ficava de olho fechado, achando horrível aquele sangue no chão e todos gritando felizes. Mas na hora do Anderson Silva, acho que o que há de pior em mim aflorou, porque tudo o que eu fazia era torcer para ele socar o outro direito e calar a boca da criatura. Mas hoje, felizmente, já voltei ao meu normal... :)

Luciana Nepomuceno disse...

Eu nunca acerto jogar truco. Mas adoro buraco. E ri demais da empolgação do Ulisses, tadinho.

E amo Moby Dick. (ah, estou sendo repetitiva?)

e, no meu esporte favorito, se tem sangue não pode ficar em campo. né?

Juliana disse...

tb fico besta com a luta. Todo mundo so fala disso. parece copa do mundo. O que não é a propaganda, né?

Tenho pavor de toda e qualquer luta, especialmente desse MMA. Me assusta tanta violÊncia e sangue.

E o que dizer de bares que ficam passando essas lutas o tempo todo. Tipo, música ao vivo, povo conversando, a tevÊ sem som ligada no diabo dessas lutas. Não entendo.

Juliana disse...

ah, eu ia esquecendo: tô achando JV legal e tal, mas fico com a impressão que a coisa toda poderia ter sido mais bem desenvolvida. O texto me parece meio truncado, sei lá. Agora, o livro te ganha, apesar de qq defeito que possa ter, com aquele negócio de uma irmã se sacrificar pela outra.

Anônimo disse...

Cade as fotos da palhacinha!? Oh, quero dizer, da caipirinha.
Beijos,
Ju

 
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