A tal alma do negócio


Não planejei reduzir meu tempo diante da TV a quase zero. Foi acontecendo naturalmente, uma atitude facilitada pela qualidade sofrível de boa parte da programação aliada à falta de tempo. Se tem coisa boa passando em alguns canais nem fico sabendo porque não vejo as chamadas ou consulto os sites das emissoras. Às vezes alguém comenta no twitter sobre algum programa e aí ligo, se me interessar. Quando as Olimpíadas começarem devo "compensar" o tempo sem TV acompanhando tudo, creio. Ainda vejo filmes, um ou outro programa, uma entrevista aqui, outra ali. Falamos da outra tela, a do computador, outro dia.

Uma das consequências da pouca TV dos pais é a pouca TV dos filhos. Pelo menos é o que tem ocorrido aqui em casa. Meus filhos veem muito pouco. Há excelentes desenhos animados que eles acabam perdendo, mas não se pode ver tudo nesse mundo. Chego a sugerir que liguem a TV, enquanto preparo algo na cozinha, por exemplo, mas eles normalmente optam por outra atividade. Quando assistem, largam sem dramas no momento em que chamo para comer ou sair, sei lá. Claro, eventualmente pode rolar uma birra - entre dormir ou tomar banho, o desenho animado ainda parece mais atraente - mas em linhas gerais a TV está numa fase bem negligenciada aqui em casa e praticamente se reduziu a uma tela de videogame.

Daí que no último aniversário do Arthur ele tinha apenas um objeto de desejo - um DS (que não ganhou). Era um pedido bem óbvio que não tinha relação direta com publicidade, mas com o fato de que os amigos mais próximos têm o brinquedo. Fora isso, não pediu nada. Nem um pedido, nem um brinquedo, ele não sabia o que pedir de aniversário. Fomos à loja para ele dar uma olhada e ver que brinquedo despertaria seu interesse e se a compra seria possível. Achei curioso. A conexão com a pouca TV foi imediata, obviamente. (Acabou ganhando um kit de robô/avião para montar, no estilo lego, que normalmente o desafia por horas e tem um resultado incrível - o robô é lin-do.) Amanda vai na onda e também quase não tem visto TV. Mas é só ver por três minutos que sejam e já solta um "mãe, no meu aniversário você me dá um/uma [brinquedo do comercial]?".

Tenho visto com bons olhos toda a discussão em torno da regulamentação da propaganda direcionada ao público infantil. Sem tirar em nada a responsabilidade da família no desenvolvimento do posicionamento crítico dos filhos, acredito na importância do papel do governo nessa questão. É preciso estabelecer limites na publicidade voltada ao público infantil e levar em conta que nem toda criança dispõe de pais presentes e escolas envolvidas na discussão do assunto. Nem toda criança tem um adulto por perto em suas horas de lazer para sugerir uma atividade mais criativa ou, ao menos, ver TV junto para discutir eventuais (frequentes) abusos das propagandas. Num mundo ideal a propaganda seria sincera, todo mundo teria tempo sobrando e as crianças desenvolveriam senso crítico sem grandes riscos. Mas, né. Muitas crianças crescem sozinhas em suas salas enquanto pais se desdobram para se virar num mundo cada vez mais consumista. Além do mais, se é verdade que existe de nossa parte algum compromisso mínimo com a questão ambiental, é para o consumo que a gente tem que olhar. E é na infância, muitas vezes, que os freios se vão de vez.

4 comentários:

Dária disse...

Aii Rita, taí uma discussão que me apaixonei desde que assisti o documentário "criança, a alma do negócio" (se não viu, recomendo demais). Tem no site do instituto Alana para baixar. Discute isto: a influência da publicidade sobre os desejos das crianças e a necessidade de regulamentação.

Graças a ele e ao site do instituto escrevi um artigo sobre o tema no final da faculdade... que por preguiça nunca tentei publicar rs
Mando pra você, se quiser ler a respeito em um ponto de vista um pouquinho jurídico ;)

Beijos

Rita disse...

Quero sim, Dária. :-)

Bj
Rita

Anônimo disse...

Rita,
Faço parte de uma ação de simplicidade voluntária, conforto essencial e viver na frequencia do limite, do que é sufuciente para cada um.Gostaria de te enviar um e-mail sobre isso que pode te inspirar...marianakapps@yahoo.com.br
Gratidão por compartilhar...
Mariana

Rita disse...

Oi, Mariana.

O blog tem um e-mail: estradaanil@gmail.com.

Fico no aguardo. :-)

Um beijo,
Rita

 
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