A baleia que a Fal me deu


Terminei a leitura de Sonhei que a Neve Fervia, de Fal Azevedo (Ed. Rocco), e, mantendo minha tradição mais verdadeira, chorei um monte. 

Não foi, contudo, a primeira vez que chorei com essa história. Isso já havia acontecido quando recebi em casa dois outros livros da Fal, O Nome da Cousa e Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite. Naquele dia, como diriam na bíblia, abri o pacote do Correio e folheei os dois livros quentinhos, saboreando as novidades. Aí li a dedicatória do primeiro, "Para o Alexandre, que sabe quanto e como", e lamentei comigo mesma porque sabia que o Alexandre, marido da Fal, já havia ido embora. Mas foi só quando li a dedicatória do livro seguinte, publicado depois que a Fal o perdera, que meu peito se apertou de vez: "Para Alexandre Azevedo Cardoso, que sabia o quanto e como". Então o Alexandre já era alguém nos livros anteriores da Fal, já aparecia discreto ali, na letra dela. Sonhei que a Neve Fervia nos conta o que aconteceu, como foi perdê-lo, como foi e é enfrentar a morte de alguém que amamos.

Parte da história seus leitores já conhecem dos relatos em seu blog que dispensa apresentações. É de correspondências com amigos, e com leitores que viraram amigos, que parte do livro é feita. A isso se juntam os registros em forma de carta ao marido falecido e temos uma colagem de momentos vividos ao longo do primeiro ano após a morte de Alexandre. São relatos de experiências e situações doloridas, intensas, difíceis, desafiadoras; ou ternas, hilárias, surreais; ou engraçadíssimas, relatadas com o jeito Fal que quem lê o Drops já conhece. E é muito bom ler esses relatos e ter a sensação maluca de que estamos driblando o tempo e segurando a mão da Fal em cada soluço, cada lágrima, cada dia vazio.

Várias passagens me tocaram como uma dorzinha fina, outras me fizeram rir alto e em muitas pude ouvir a voz da Fal. Uma longa conversa de um ano sobre o que fazemos de nossas vidas, sobre o amor, sobre a dor, sobre amigos e encontros, sobre gatos e cachorros, mudanças e mais amigos. Amigos que a Fal deve ter aos montes. Ela é adorável, inteligente e engraçada. Quem não quer? Amor demais.

"O meu amor permanece, intacto, cuidado como uma coisinha de cristal. (...) Ele está no mesmo lugar - ouça, por favor -, no mesmo lugar em que esteve, a vida toda, a vida toda. 
Ele nunca saiu dali." Fal

***

E aí a Fal nos conta que seu livro favorito é Moby Dick. Juntos, ela e Alexandre chegaram a ter seis edições do livro. Fui lendo e anotando mentalmente "dar uma lida, dar uma lida". Findo o Sonhei, peguei na estante um livro que ganhei de aniversário, meio suspirando na base do "not really in the mood for that right now...". Antes de transferir o marca-páginas para o tal livro da estante (ato simbólico da maior importância: uma vez transferido o marca-páginas, segue a leitura), resolvi dar uma chance ao I-pad, novo queridinho do Ulisses que agora não quer mais saber de livro de papel. Abri a biblioteca de free download e vocês têm uma chance de adivinhar o primeiro da lista dos títulos disponíveis na categoria "Classic Novels". Claro, Moby Dick. Não acredito em bruxaria, mas acredito na Fal e no I-pad e vou me aventurar em minha primeira leitura "grande" sem papel. No entanto, preciso ir aos poucos, então decidi começar a ler os dois livros mais ou menos ao mesmo tempo. Fiquei com muita pena do marca-páginas órfão e o transferi para a primeira página de Jogos Vorazes (curiosa). Vamos ver aonde isso vai me levar. Eu falei que ia ler dois livros, não disse que seriam parecidos.



5 comentários:

Emoções disse...

Escritores são aqueles seres aparentemente comuns,que possuem a misteriosa habilidade de traduzir os sussurros do Vento...

Luciana Nepomuceno disse...

Eu chorei e chorei lendo o livro da Fal. Mas isso você já sabia. Chorei, de novo, lendo este post.

E Moby Dick é um dos melhores livros que li.

Juliana disse...

li quando criança numa versão adaptada. Tá valendo? =)

Juliana disse...

Riiiiita, vc tá lendo Jogos Vorazes??? Não creio! kkkk

Eu tb! tô no iniciozinho por falta de tempo.

Caminhante disse...

Eu quase chorei só de ler o trecho que você colocou.

 
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