Trânsito da depressão


Eu estava aguardando a minha vez de virar à direita porque a preferência era dos veículos que seguiam rumo ao viaduto, vindos do meu lado esquerdo. À minha esquerda, uma van branca, dessas com o baú completamente fechado, sem vidros nas janelas de trás, também aguardava para seguir no sentido contrário ao que eu tomaria. Como ela tapava minha visão por completo, nem me preocupei em esticar o pescoço para ver se dava para passar. Simplesmente aguardei, sabendo que quando a van desse a partida eu teria meu sinal verde. Mesmo assim olhei casualmente para a esquerda, na direção da van. O cara que estava sentado no banco do carona sorria e conversava com o/a motorista, sorria, olhava de lado, sorria; de repente abaixou o vidro de sua janela e fez sinal para que eu passasse, agitando o braço para fora da janela em sinal de "vai, vai", ele que tinha visão livre à sua esquerda. Ignorei, sei lá por quê. Não estava com pressa, não quis arriscar, esperei como sempre faço naquele cruzamento, whatever. Sorte a minha. Se eu tivesse avançado como ele tão alegremente sugeriu, teria sido atingida em cheio por um pequeno carro cinza que passou à minha frente, vindo da esquerda, um segundo depois que o cara fez o sinal. Não há chances de o cara não ter visto o carro, sua posição era privilegiada. A única coisa que me faz alimentar o benefício da dúvida é o absurdo que seria o cara brincar de me mandar passar pra ver no que dava. Mas cada vez que penso nos sorrisos e no gesto tão enfático com o braço, vai, vai, e no fato de que a van não avançou (que seria o normal a fazer, se acreditavam que havia tempo para tal), volto a cogitar que hoje cruzei meu caminho com o de um sádico.

  

10 comentários:

Silvia disse...

Bom dia Rita!! Ainda bem que o seu instinto não a deixou seguir em frente, graças a Deus!!
Infelizmente existem pessoas que só querem mal aos outros, é triste e lamentável mas verdade... beijinhos

Angela disse...

Horror eh a palavra. Ainda estou tentando me recuperar da minha imaginacao do que poderia ter sido. Que bom que seus mecanismos de protecao estavam antenados, calibrados, ativados e foram propriamente acionados. Um grande beijo, preciosa.

Claudia Serey Guerrero disse...

Ufa... ainda bem Rita!!! beijinhos, Claudia

Dária disse...

Credo!!! Isso foi de verdade? quando li fiquei esperando que aqui nos comentários vc dissesse que era ficção. Que absurdo!

Grazi disse...

... ou com um psicopata, é mais provável.
Agradeça a Deus pela proteção e peça a Ele que continue sempre presente na sua vida.
Bjs e fica com Deus.

Anônimo disse...

Que horror! Em Floripa isso???
Ana Carolina

caso.me.esqueçam disse...

que horror! eh como tu dissesse: por que o proprio nao avancou se o caminho estava livre? olha, do jeito que eu sou distraida, teria ido sem pensar duas vezes.

transito nao eh para os fracos. :/

Mari Biddle disse...

:(

Anônimo disse...

Que bom que seu anjinho te protegeu! Beijo,
Ju

Joao Santos disse...

Eita acho que voce aprendeu a licao. Lembra quando voce seguiu a orientacao do caminhoneiro que dirigia lentamente a sua frente (nao so voce, como outros motoristas tambem) e no final da longa subida tinha um policial rodoviario com o bloco de multas? e pra se livrar "mas ele deu sinal para passar..."

 
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