Semidiário atrasado de viagem - Canadá e EUA


Visitante do quintal da minha amiga, em Erie, 2004.

O Canadá sempre esteve ali, piscando pra mim. Quer dizer, o Canadá nunca esteve nem aí pra mim, mas eu sempre flertei com ele, sozinha mesmo. Cheguei a cogitar um doutorado sanduíche por lá, ideia que abandonei para concluir a pós em menos tempo. Quando a chance de visitá-lo chegou pra valer, eu estava no início da gravidez de meu primeiro filho, o que, basicamente, significa que eu estava verde de enjoo. Eram minhas primeiras férias em conjunto com o Ulisses depois que voltamos a ficar juntos (sete anos depois de termos "dado um tempo", sabe como é). Ulisses organizou praticamente tudo sozinho, da compra de passagens, passando pelas reservas de hotéis, à escolha do roteiro, enquanto eu me encarregava de comer e me esforçar para não vomitar. O Canadá seria, na verdade, a parte estendida da viagem que tinha como principal objetivo (além de namorar e celebrar nossa vidinha juntos) visitar a Ângela, na Pensilvânia, norte dos EUA. Com pouco mais de vinte dias e um monte de lugares na cabeça, acho que seguimos um excelente roteiro. É claro que deixamos muitos lugares tentadores fora da lista, mas optamos por circular sem pressa e olhar bem por onde passássemos. 

Nossa primeira parada foi Montreal e, com exceção da tarde em que nem dei conta de sair do hotel por causa do enjoo, foi um passeio e tanto. O outono gelado nos recebeu com ventos que despistávamos fugindo para a cidade subterrânea para mais tarde voltar à superfície e curtir as avenidas largas e o astral bom da cidade. Grávida, com o pensamento fixo em comida, elegi como lugar favorito um mercado cujo nome eu adoraria me lembrar. Lá fomos nos dias em que ficamos em Montreal para tomar sucos e comer comidinhas cheias de nutrientes para alimentar o Arthur que curtia tudo no forninho. De Montreal seguimos de trem para Quebec, nosso lugarzinho favorito naquelas bandas. Em Quebec comemos o peixe mais gostoso do mundo (não me perguntem), dormimos no menor hotel do mundo (Ulisses precisava se abaixar para passar pela porta) e nos entregamos à preguiça. Lembro de uma tarde em que caminhamos por um parque grande da cidade, colina acima, escolhemos um banquinho com uma vista boa e lá dormi. Havia gente correndo e jogando bola, mas eu achei um bom lugar para cochilar mesmo. Quebec é um daqueles lugares em que toda esquina se parece com um cartão postal, mas grávidas dormem. Comem e dormem.

Em Quebec pegamos um avião para Toronto onde Ângela e seu respectivo nos esperavam. Começava ali a parte barulhenta da viagem porque a gente nunca mais parou de conversar. Ângela ainda não tinha seus lindos dois filhos (o mais velho faz seis anos hoje), então tagarelamos mais do que nossas crianças tagarelam hoje. Muito mais. Nos dois dias de Toronto conheci parte da família do marido da Ângela, fui hipnotizada diversas vezes pelas cores das árvores (o mundo é lindo) e fomos à cata da filial do tal mercado bom que havíamos conhecido em Montreal (achamos! - sou ótima em planos de viagem: tínhamos apenas uma tarde para explorar o centro da vibrante Toronto e convenci meia dúzia de pessoas a seguir durante horas na busca por um suco de laranja; em minha defesa, todos gostaram do suco). No dia seguinte o ponto alto seria a visita às Cataratas do Niágara, não fosse aquele um dos dias em que os enjoos me pegaram pra valer. Fomos mesmo assim e é claro que fiquei impressionada com o tamanho de tudo, mas eu queria muito que aquele dia terminasse logo. 

Demos tchau para o Canadá e seguimos de carro para a Pensilvânia, norte dos EUA. Curtimos uma semana de sonho na casa da Ângela (o quintal dela é uma floresta), comemos, cozinhamos, fizemos café ruim, rimos, viramos noites, compramos um violão e passeamos pelas margens do Lago Erie, um dos Grandes Lagos. A cidade onde Ângela mora em si nos pareceu tranquila, sem grandes atrativos (com bons restaurantes). O diferencial está na presença do Lago, claro. Imenso, como um mar, margeado por velhas árvores coloridas, compõe um cenário pra ninguém botar defeito. E, para nós, evidentemente, é casa de amigos. E tava tudo lindo e aconchegante, mas, né, Nova Iorque chamou.

É óbvio que foi um deslumbre e é óbvio que eu estava enjoada. Ainda assim batemos perna até não mais poder, fomos ao teatro duas vezes, comemos um monte, visitamos o que deu e dormi no metrô. Comi sanduíches horríveis e pratos incríveis. Nem me dei ao trabalho de lamentar o pouco tempo. Incluí a cidade na lista de favoritas e na próxima vez pretendo não estar enjoada. O efeito que Nova Iorque teve em mim foi algo como "olha só o que você precisa vir curtir com calma". Espera aí, espera aí. E de lá voltamos felizes da vida, planejando um dia voltar para ver o lado de lá do Canadá. Há muito tempo um velho amigo visitou Vancouver e as fotos que vi de lá me deixaram cheia de vontade. Não deu para incluir em nosso roteiro, a cidade fica do outro lado do país e ir a Vancouver significaria não visitar a Ângela ou Nova Iorque. Mas...

O mundo é um ovo. Vocês se lembram do João? Pois é, encontramos a figura (ele disse que posso ficar com o livro) e vocês têm apenas uma chande de adivinhar onde ele está morando desde que sumiu. Bingo, Vancouver aí vamos nós. Não, não é agora; nem dinheiro, nem férias, sem chance. Será depois, um dia aí qualquer, mas a gente vai. Planos já fizemos, só falta o resto.


2 comentários:

Lud disse...

Oi, Rita!
Eu também flerto loucamente com o Canadá. Já preenchi o questionário "veja se você tem pontos suficientes para imigrar pra cá" vááárias vezes. Mas é um amor platônico porque a gente nunca se encontrou =D.
Depois de ler seu post, voltei a ter vontade de conhecer ao vivo. Vou botar na lista!
Beijos,
Lud

Anônimo disse...

Bom dia!!! Adorei ler seu diário atrasado!!! Tenha um ótimo final de semana. Abração,
Ju

 
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