De perdas e buscas


Um acidente de carro na tarde da última terça-feira perto da cidade onde nasci deixou dez vítimas, sendo seis fatais. Entre os mortos estava o sobrinho da esposa de meu tio. Um primo de meus primos. Meus primos, os mesmos que me ampararam na morte de minha mãe, que sofreram comigo a perda de Tia Maria há menos de um mês, agora enfrentam o sufoco de se despedir de alguém próximo que vai embora de repente de uma maneira que nos parece absurda. Uma distração, chuva, fim. Lamento por eles que perderam alguém com quem dividiram a infância.

Sei que eles sabem que sinto muito, mas a morte traz consigo essa coisa pesada que faz com que toda palavra pareça oca. Digo mesmo assim que trago todos em meu coração.


Ontem fiquei sabendo que uma amiga querida também perdeu uma prima em um acidente de carro aqui em Santa Catarina. Estava grávida e deixou um filho adolescente.


A vida às vezes parece misteriosa demais pro meu gosto.


Busco luzes no fim da estrada e vejo algumas. Torço para que meus primos se mantenham fortes para receber, em poucas semanas, o bebê que seria o segundo filho daquele que se foi. À minha amiga fica o consolo por saber que todos os órgãos da prima foram doados.


Para além disso, só me chegam as tais palavras ocas.

3 comentários:

Silvia disse...

olá Rita, a vida tem destas coisas mas nós nunca vamos estar preparados, nunca mesmo... um beijinho e muita força.

Clara Lopez disse...

As suas são palavras tão adequadas, sorte de quem as lê,
abraço, clara

Sheila disse...

Thanks...;...)

 
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