Band-aids


As duas últimas semanas não foram as melhores da minha vida. Desde a morte de minha tia tenho estado "meia-pilha". Tenho andado mais triste que aqueles três tigres que comem trigo. Tenho me esforçado (vide frase anterior) para não deixar a peteca cair, então mereço os parabéns. Obrigada. A virada abril/maio me ofereceu uma sequência de baques que pôs à prova minha capacidade de lidar com a tristeza sem despencar barranco abaixo. Sou muito grata pelas crianças, que tornam tudo tão mais fácil, e aos amigos que não economizam palavras e gestos de pura doçura. Faz muita diferença sentir a empatia do outro, receber aquele telefonema, aquele e-mail ou mesmo um rápido, porém doce, tweet. Ô, gente, vocês são todos lindos.

Faço sala, converso, dou risada. O esforço, sabe. O que quero, porém, é que seja inteiro. Sei, já aprendi, que a dor tem seu tempo, mas quando se acumulam as surpresas ruins a gente sente urgência. Estou com pressa de me sentir bem de novo. Só que não é exatamente assim que funciona. Entrego-me, portanto, às possibilidades: um dia por vez, uma alegria pequenina aqui, um papo leve ali e daqui a pouco vou estar de novo em paz. 

Uma semana após minha tia ter ido embora perdemos um colega de trabalho. Não era uma pessoa com quem eu tinha muito contato além dos bons dias e boas tardes nos corredores e elevadores, mas seu desaparecimento repentino foi uma rasteira forte em mim e em muitos onde trabalho. A morte de alguém jovem é algo esquisitíssimo. De alguém jovem e querido por muitos, que vai embora de forma trágica, é algo que não sei nomear. 

Hoje minha casa está mais cheia e barulhenta e acho bom. Por causa do dia das mães a família de meu marido está reunida aqui. Dia das mães - não seria exatamente a data ideal para o calendário me apresentar agora, mas vamos tentar. Por causa desse mesmo dia das mães já ganhei das crianças uma coleção de desenhos onde apareço fina, elegante e sincera. Pensei em usá-los como band-aids da alma. Acho que vai funcionar.

Eu e Amanda, by Amanda.

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5 comentários:

Dária disse...

A gente dá carinho virtual se você precisar moça!

Final do ano passado faleceu um colega de faculdade num acidente de carro. Nem exatamente amiga dele, mas fomos da mesma geração do centro acadêmico, e o simples fato de saber que alguem que fazia parte do seu cotidiano não está mais ali é algo difícil de superar. E eu já tinha perdido uma amiga de escola em acidente de carro... o problema das dores é que relembram das outras dores não é? Ao invés de superar uma coisa, a gente acaba tendo de superar de novo outras histórias passadas.

Mas, infelizmente, faz parte.

Torço para que fiques bem! E feliz dia das mães aí com sua prole ;)

Daniela disse...

Não estava sabendo da sua tia. Lamento, querida. Anteontem também perdi uma amiga, 34 anos, câncer de mama. Também tenho essa sensação. De que quando alguém é jovem é muito esquisito. Melhoras, fique bem! Um beijão.

Rita disse...

Dária e Dani

obrigada, meninas. Tão ruim ver pessoas partindo, né? Não conheço nada mais inquietante. Um beijo grande pra vocês, que, né, são lindas. :-)

Rita

Janete disse...

Oi Rita. Queria ter o dom de postar palavras bonitas que te confortassem a alma e num "plim!" toda a tristeza fosse embora...
Você é tão querida, tão doce e linda... tenho certeza que isso vai passar. O melhor remédio você já tem: seus filhotes lindos que com certeza são um bálsamo...
Grande beijo. Te admiro muito. Muito mesmo.

Rita disse...

Ah, Janete, você me comove com seu carinho. Gosto muito de você também, viu.

Muito obrigada, beijo grande.

Rita

 
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