Ao som do violão que vem do quarto junta-se a voz. Às vezes rouca, às vezes grave o suficiente para aquecer a casa inteira, a voz gosta de melodias velhas. O passado que ela momentaneamente traz de volta pode ser dissonante ou perfeitamente harmônico, não importa: tem os tempos e os tons de nossa história.
Agora há também as notas que saem da flauta e essas enchem casa, carro e calçadas. Enquanto a voz de menina canta versos curtos de passarinhos e galinhas cantoras, a flauta segue. Gosto das hesitações, das notas atrasadas, das acertadas, de tudo. Rimos muito das notas trocadas que torcem a canção. Admiro a rapidez com que novas notas desafiam os dedinhos quase todos os dias e o modo como as mãos do menino aceitam a brincadeira - e embalam nosso ninho.
Contribuo para o concerto com um coração que samba.
3 comentários:
A melodia nao da para escutar, mas o samba chegou no coracao aqui!
Adoro teus textos sobre sua família Rita. Poucas pessoas conseguem escrever tão bem sobre coisas simples, sobre cotidiano. Lindo demais!
Melodia que aquece, que alegra, que faz feliz!
Abraço,
Ju
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