Comer - Co-mer - C-O-M-E-R


A gente aprende já na infância que a mastigação é uma fase importante do processo de digestão. Normalmente como devagar e parte da lentidão vem do fato de que costumo mastigar bem os alimentos. Nada como a galera que só engole depois de mastigar um número cabalístico de vezes qualquer - não chego a tanto; mas gosto de saborear a comida sem pressa (quando dá).

Estou há três dias me alimentando de líquidos e alimentos pastosos. Posso falar? Estou morta de fome. É como se não estivesse comendo nada. É impressionante a diferença entre comer normalmente e comer desviando da língua, empurrando a comida goela abaixo sem saborear nada. Nem deveria se chamar "comer"; o que tenho feito nesses últimos dias é algo como preencher a barriga, mas não é comer. Hoje, desesperada por alguma coisa além de fruta amassada, misturei o feijão e o arroz ao purê de legumes, esmiucei o peixe em fiapos e cortei a salada em microscópicos pedacinhos. Olhando para a quantidade de comida que mandei para dentro da barriga até que devo ter me alimentado bem. No entanto, para minha profunda tristeza, foi como se nada daquilo tivesse entrado em mim. Se não mastigo, se não deixo a língua brincar com os alimentos e mandar recados deliciosos para meu cérebro, é como se nem tivesse me sentado à mesa. 

Desde pequena sei que mastigar bem é importante. Nunca foi tão evidente, no entanto, quão prazeroso o troço é. Toda a magia da refeição gostosa passa por saborear sem pressa, ali entre os dentes todos, com as bochechas cheias e a língua experimentando tudo. Comer é isso. Snif, snif.

Além da fome e da consequente dorzinha de cabeça me rondando o dia inteiro, tem sido um desprazer irritante o fato de que não consigo parar de tocar os pontos da cirurgia com a ponta da língua. Olha. É só pensar no assunto (o que ocorre a cada cinco segundos) e, tchan-ans, sinto a coisa ali. Meu dia hoje foi um esforço misto para: não sentir os pontos (em vão), sentir o sabor da comida (em vão), engolir sem mastigar, pensar em outras coisas (em vão). Tá chato.

E quer saber? Não quero mais sorvete. Nem banana amassada. Ou abacate. Ou iogurte. Nem potinhos de açaí. Nem ovos mexidos frios...


6 comentários:

Caminhante disse...

Eu fiquei assim qdo tirei os cisos. Lembro que me deu um desespero e comi purê de batatas gelado.

Juliana disse...

vc é muito disciplina. no primeiro siso, fui toda certinha e cheguei a um ponto de chorar de estresse. No outros, comi comida de verdade no terceiro dia. Só fugia de arroz e carne moída.

Cara, tocar os pontos com a língua é praticamente parte do processo de cicatrização! hehehee

Lud disse...

Ritinha,
força aí! Um dia de cada vez. E daqui a pouco passa.
Melhoras!

Silvia disse...

Olá Rita!!
apesar da nossa distancia física. eu estou com você!!
Acabei de fazer um tratamento complicado por causa de um dente do siso e estou assim nessa situação morrendo de fome e sem poder comer comida de gente grande!!!não está fácil! as melhoras e tudo de bom.
A única coisa que posso dizer, embora não dê consolo nenhum, é que vai passar e depois é só comer e comer!!!! beijinhos

Michelle disse...

Ai, já passei por isso. O pior, para mim, nem foi ter que comer alimentos pastosos, foi ter que comê-los frios. Ugh!
Boa recuperação!

Mariana disse...

ai que martirio!
e esse negocio de passar a ligua nos pontos... compartilho, viu?

melhoras e rapido!

bju!

 
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