Sem letrinhas, com notinhas



Não sei se o blogger decidiu acabar com a cultura de comentários, mas o fato é que as letrinhas de verificação têm impedido muita gente de se manifestar por aí. Vários leitores me disseram no twitter que estavam desistindo de comentar porque é impossível decifrá-las. Eu mesma não consegui publicar meu comentário no blog da Mariana outro dia (quer dizer, achei que não tinha conseguido e segui tentando; viu, Mariana, não foi de propósito aquela bagunça; o blogger publicou todas as tentativas sem me avisar que eu já tinha conseguido comentar) e em outros acho que tenho tido sorte. Tem sido mais fácil fechar os olhos e digitar qualquer coisa no teclado do que entender o que raios está escrito ali. Resolvi excluir a verificação no Estrada, apesar de alguns amigos terem me alertado para o pesadelo do spam. Farei o teste: se o filtro de spams do blog funcionar a contento, as letrinhas ficam de fora de vez. Se a coisa se tornar muito chata, vejo o que fazer depois. 

***

(Olhem pra lá, vou corujar.)

Hoje o Arthur tocou pela primeira vez na aula de prática de conjunto. Tocou pequenos trechos introdutórios em duas canções, com o auxílio carinhoso da professora, não mais que quinze ou vinte notas por canção. Mas tocou. Junto com todo mundo, na hora certa, no ritmo certo. Sentiu-se tão feliz que passou de levemente amedrontado a tagarela em dois segundos e meio. Eu sei que foi grande. Porque foi um desafio e ele tinha um medinho. Foi imenso. Vinte notinhas de nada, em um momento muito, muito grande. No meu coração, uma sinfonia inteira.

(Eu avisei.)

***

Às vezes acho que presto atenção demais. Preciso ser mais distraída. Assim: de repente, foi. Ou assim: não vi, passou. Sem crises. Nem tudo precisa ser notado ou corrigido. Às vezes acho que é na distração que mora a mágica. Quando menos esperamos, ela acontece. É básico, eu sei, mas me esqueço de ser distraída. Não estou falando de perder coisas, esquecer objetos ou a hora do remédio, nisso sou ótima. Estou falando de filosofia de vida.

***

"Não quero ser triste
Como o poeta que envelhece
Lendo Maiakóvski na loja de conveniência
Não quero ser alegre
Como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
Sob o sol de domingo
Nem quero ser estanque
Como quem constrói estradas e não anda
Quero no escuro
Como um cego tatear estrelas distraídas"

Ah, Baleiro.





4 comentários:

Disfarçada disse...

Nós mães e nossas corujices escancaradas. E quem poderá que dizer que não temos razão em corujar, não é? Parabéns pelo menino lindo! Bjos

Clara Lopez disse...

Nossa, vc é uma mãezona super carinhosa, seus filhos devem ser umas fofuras, se têm tanto afeto e dedicação,
bjo, clara

Luciana Nepomuceno disse...

Gostei de tudo, de abolir as letrinhas, de corujices, de deixar passar. mas, qual a novidade? sempre gosto de você, né

Mariana disse...

Perdoadissima pelos 543 comentarios!!! Deduzi que o problema era do blogger, nem precisava explicar! Mas vou dizer que muito embora saiba que foi mesmo uma falha nossa, por um segundo fico alegre ao ver "14 comentarios" embaixo do post!

Também vou tentar tirar as letrinhas la!!

bjus!

 
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