Longe do quarto





Houve uma vez um dia muito difícil. Meu coração estava quebrado e minha respiração pesava muito. Voltei para casa tão triste, tão sozinha, que o único destino possível era o travesseiro. Eu não queria fazer nada, falar com ninguém, saber de coisa alguma nesse mundo porque na véspera eu tinha perdido um bocado de esperança. Era minha dor, era grande e eu precisava chorar. Nada naquele dia me faria sorrir. Eu me lembro nitidamente do momento em que você entrou no meu quarto e se sentou ao meu lado, enquanto eu, de bruços, encharcava o travesseiro. Eu amava muito e por isso sofria muito e disso você entendia muito bem. Você foi tão solidária. Não cobrou, não me incomodou com detalhes, não me pediu para parar de chorar. Apenas passou a mão nas minhas costas e perguntou se eu queria dividir minha história, aliviar a carga. Você se dispôs. Foi tão amoroso. Eu aceitei e falei do jeito que consegui. E, sem qualquer julgamento, você elogiou minha coragem, minha força. Nem disse que iria passar logo, afinal conhecia a natureza da minha dor. Simplesmente me olhou com olhos de amor, amizade e solidariedade que me seguraram naquele dia, que me puseram de pé. Depois fomos tomar café naquela mesa da cozinha e o dia seguiu, depois outro, a semana, meses, anos, vida. Que sorte a minha de você ter entrado no meu quarto, torcendo tanto por mim. Eu sentia a torcida, nas suas mãos, nos seus olhos. Como sempre.

Hoje uma cena semelhante ocorreu em uma sala bem distante do meu antigo quarto. Você teria me ajudado outra vez. Não fosse o infeliz detalhe de que hoje meu choro era inteiro por saudades de você. 

4 comentários:

Disfarçada disse...

Eu me emociono de um jeito com teus posts que vc ñ tem ideia. Sinta-se devidamente abraçada.

Janete disse...

Queria te confortar como suas palavras me confortam muitas vezes...
um abraço... bem apertado...

Anônimo disse...

Poxa, meu zoinho se encheram d'água agora. De verdade.

Só posso concluir que, na tristeza ou na alegria, o compartilhar ou dividir é uma das coisas mais belas que existem. Ainda que se banhando na melancolia, o coraçãozinho se aperta de tanta ternura com esse texto.

Abs.,
P.

Rita disse...

<3

Óin, para vocês todos. :-)

Beijos,
Rita

 
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