Infância é pra brincar


Ando me perguntando se não corro o risco de estressar minhas crianças com tanta atividade extracurricular. Atualmente cada um deles frequenta outros cursos além da escola e não sei se, a longo prazo, eles podem apresentar sinais de cansaço. Decidimos, Ulisses e eu, que nosso guia será a motivação pessoal de cada  um, com exceção da natação que ninguém larga até conseguir nadar muito bem, por questões de segurança (e porque as aulas são ótimas e trazem benefícios que vão além da questão da segurança). Mas além da natação há o judô, a música, o xadrez e o ballet; e para essas aulas a motivação sem grandes sacrifícios é o que os manterá matriculados. Não pretendo insistir para que nenhum deles toque, dance ou dê xeque-mate se não quiser. Com exceção da música, que decidi apresentar ao Arthur para que ao menos ele saiba do que se trata (e a escola de música é na esquina da minha casa, mesmo), os outros cursos são oferecidos na própria escola após as aulas (judô e xadrez) ou, no caso do ballet, atende a uma vontade "antiga" da Amanda. 

Por enquanto, é tudo alegria. Ambos estão empolgados e todos esses cursos não deixam de ser, entre outras coisas, oportunidades para que façam o que precisam fazer: brincar. Mas o ano está só começando e brincar na aula, por mais lúdica que ela seja e mesmo que a criança esteja fantasiada de bailarina, não é o mesmo que brincar na sala descalça e descabelada, despreocupada de tudo. Então se à frase "vamos para a aula de ballet?" segue-se um "vamoooooooooooooooo!", tá tudo certo. Mas se "ai, mãe, hoje não" começar a aparecer, vejo matrículas canceladas no horizonte.


(Adoraria ver artes plásticas, música, dança e outras atividades essencialmente criativas inseridas pra valer no currículo regular de nossas crianças, mas disso vocês já sabem.)


Há quem argumente que assim, desistindo diante de sinais de cansaço, não vou ensiná-los a perseverar e vou tirar a chance de que descubram, lá na frente, que, olha, como foi bom e útil. Mas quero que brinquem enquanto podem porque o futuro, neste sentido, não é muito promissor. Eu queria brincar mais também, mas não tenho tempo. Não quero tirar esse tempo deles.

Eu tinha planos de fazer este post mais elaboradinho, mas a semana tá corrida e etc. :-) Quem sabe volto ao assunto depois, com mais calma. Pitacos?

8 comentários:

Anônimo disse...

Rita,
Me pego com as mesmas dúvidas. Minhas duas filhas fazem natação (tenho a mesma opinião que vc em relação à isso)e ballet. Foram elas que me pediram. A mais velha resolveu agora fazer também futsal depois da aula, na própria escola. Por enquanto vai indo tudo bem, mas outro dia ela me disse um "ballet, hoje de novo?..." que me fez ligar o sinal de alerta!
Isadora Cysne

Tina Lopes disse...

Ano passado Nina fez teatro. Enquanto eram aulas normais, ela adorava. Qd começaram os ensaios pra peça do final do ano, ela passou a ter medo (de falhar, de errar), a ficar cansada, a reclamar. Disse que ela ia ficar só naquele ano, porque a gente não pode abandonar um projeto pela metade: se era pra apresentar a peça, q apresentasse, e tentasse se divertir. Bem, ela foi "premiada" como melhor vilã (ela e a colega que fazia o mesmo papel), mas não queria mais fazer teatro. Ontem me pediu pra entrar na lista de espera da turma porque está com saudade. Já o judô, foi quase igual: as aulas iam bem, mas perder na competição (2 x) foi frustrante demais. Acabou o ano e ela não quis voltar ao judô na outra escola. Hoje será o primeiro dia de francês e desse ela não pode desistir nem que queira. Torçamos.

Angela disse...

Aqui encho o calendario deles sem medo algum. Por conta do frio, as criancas passam muito tempo brincando dentro de casa, depois de passarem o dia aprendendo e brincando dentro da escola. As atividades extras dao mais dinamica a vidinha deles. Max fax ginastica olimpica, natacao e alterna hockey de salao com futebol. Julia faz natacao e ginastica olimpica. Se EU pudesse acrescentar mais ao meu schedule, Max gostaria de fazer karate, eu acho que ele amaria fazer danca, e eu adoraria que ele fizesse libras (faz na escola e as maos estao lindamente fluentes, porem quando mudar de escola nao vai ter mais e logo vai esquecer e perder a fluencia). Julia provavelmente vai entrar no futebol em breve. Durante o verao, cortamos tudo e deixamos eles so em uma atividade.

Eu concordo em prestar BEM atencao em como eles estao lidando com as suas rotinas, mas pensaria duas vezes antes de tira-los ao menor sinal de cansaco ou desanimo... Mas essa parte vou deixar para uma conversa a voz viva :)

Mariana disse...

Imagino que enfrentarei o mesmo dilema num futuro proximo! Com a diferença que aqui as crianças so tem a quarta feira para as atividades paralelas... ou seja: vai ter que ser escolhido a dedo! Acho que estas muito certa em insistir na musica! Nunca tive aula de musica na vida e sinto que tenho a inteligência musical de uma ameba em função disso! Todas as escolas deveriam investir mais não so no ensino curricular de todas as modalidades de artes (com professores qualificados s'il vous plaît) mas também em oficinas extracurriculares... Saiba que vc não esta sozinha nessa luta Rita, os professores de teatro, musica, artes visuais e dança lutam cotidianamente para manter e aumentar a oferta dessas modalidades nas escolas. Isso também é educação, pôxa!
Mudando de tom, estava ouvindo o "pé com pé" do Palavra Cantada hoje e lembrei da Amanda quando tocou a musica do Ballet... Fiz balé dos 5 aos 17 anos... entendo muito a paixão dela!

bjus pra patota!

Mariana disse...

ps: li o comentario logo acima do meu e pasmei: LIBRAS na escola? Que maximo!! Estou aprendendo a Lingua de Sinais Francesa e queria muito que a Sofia aprendesse também mas aqui é carissimo!

Angela disse...

Rita, se tens contato com a Mariana fala para ela dar uma olhada nas escolas da filosofia educacional Reggio Emilia. Pelo comentario que ela escreveu, se houver uma aonde ela mora, aconselho ela a visitar para suas criancas.

Ah e na verdade nao eh libras, eh ASL, mas quando falo portugues acabo falando libras, apesar de nao ser a traducao, nem a mesma coisa.

Rita disse...

Ângela, conheci a Mariana em Paris. Ela é daqui de Floripa. O blog dela é http://marianabresil.blogspot.com/.

Ela mora em Paris por enquanto e não entendi se as escolas que você menciona estão espalhadas pelo mundo. Mas vou dar um toque para ela vir aqui ver sua sugestão.

Bj
Rita

Mariana disse...

Angela, obrigada pela resposta! Vou dar uma olhada mas aqui duvido muito que existam escolas com cursos de LSF para crianças ouvintes pois os formadores surdos cobram carissimo por aqui. O governo ainda investe muito pouco na formação em Lingua de Sinais Francesa e os cursos (todos privados) são carissimos. Como eu preciso aprender por causa do meu doutorado, tive que me inscrever numa graduação em Lingua de Sinais numa universidade publica, foi o jeito! Parece um outro mundo um lugar onde as crianças tem essa oportunidade na escola! Aqui ainda se luta pelo direito das crianças surdas terem o ensino em LSF... ainda estamos longe de uma realidade dessas! Quem dera minha filha pudesse ter acesso à isso na escola publica que ela vai frequentar! Muito obrigada pela dica!!!

 
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