Dueto




O bom de tocar sua vida com alguém é a sensação de compartilhamento. Sua alegria se estica porque atinge outra pessoa e o milagre da multiplicação das alegrias é algo muito divertido. Nas fases mais pesadas, sua tristeza tem colchão para se espalhar e isso é um alento maior do que pode parecer aos desavisados. É bom comemorar, reclamar, descobrir uma banda, detestar um filme, cair pra trás com a novidade, tudo a dois é bom. Aqui em casa nos damos muito bem com esse negócio de vida a dois. Até nos dias chatérrimos, quando o mau humor pegar carona no engarrafamento e se agarra ao nosso pé na sala de espera de um consultório azedo, até nesses dias sabemos que seria pior se não fosse a dois. É muito comum experimentar certa euforia por saber disso e trocar um beijo ao som de "é tão bom ter alguém, né?". Parece piegas e, alguns diriam, bobo demais, algo meio adolescente. A gente tá cem por cento nem aí. 

Há uma coisa em que somos especialmente bons: fazer planos. Saber se extrapolamos e damos conta de efetivamente segui-los é outro papo. O que importa é que fazemos ótimos planos e sempre nos divertimos muito com eles. Desconfio que o tempo tem outra cadência quando traçamos um roteiro, imaginamos os passos seguintes, planejamos cortes e gastos. Como se o plano nos olhasse lá do futuro, todo convidativo enquanto a gente acena pra ele. Fazer planos é ficar na ponta dos pés para tocar o futuro com a pontinha dos dedos das mãos; depois recuar um pouco e recomeçar a caminhada com mais riqueza. E a dois é ainda mais excitante.

É claro que dá para fazer tudo isso sozinha, fui sozinha por muito, muito tempo. E fiz planos ótimos e não me faltou vento para esparramar minhas alegrias nem colchão para os choros. Muitos planos até cumpri, vejam lá. Admito, no entanto, que o compartilhamento diário do queijo fatiado e das broncas nas crianças combina comigo. Aceito que não combine com muita gente, aceito toda forma de alegria nessa vida, quem me conhece sabe. É que hoje eu queria celebrar que gosto de ser par. 

Hoje fizemos planos e comemos pizza. E, como de costume, foi bom. 

8 comentários:

Principal disse...

Uma bela história de compartilhamento do queijo fatiado. Onde esta o "Curti"?
Peti

Daniela disse...

Não sei nem dizer o tanto que eu gosto desses seus posts "o amor da minha vida e eu". Nossa, muito! :-)

Anônimo disse...

Rita, que texto bonito. Sou impar na vida já há um bom tempo, mas não é por vocação, não. Isso é que é ruim. Nem sempre a vocação da gente tem vocação pra gente. :)
Um beijo, que esse dueto continue sempre afinado. E que não tenha medo de desafinar também, porque de vez em quando faz parte.
Ana

Anônimo disse...

Rita,
que texto lindo! E que dueto lindo vocês formam! Seu texto me inspirou, vou enviar agora mesmo uma mensagem para o meu par...
Beijos, Ju (sua amiga sumida/cigana, agora morando em Aracaju)

Denise disse...

Ai Rita, muito lindo este texto, pura poesia, puro amor...
Acho que tudo na vida tem seu tempo, tem tempo de ser ímpar e crescer, depois ser par e então se multiplicar.
Parabéns pelo post, que vc continue com toda esta inspiração escrevendo lindos textos!!

Anônimo disse...

Adorei seu dueto, aliás, adoro tudo o que você escreve. Parece que você dá vida as palavras...
Me faz muito bem ler seus textos, principalmente quando não estou muito legal, pois tenho a sensação, quase palpável, de que tudo pode melhorar... depende da gente... mas também dá um medinho: temos que encarar umas mudanças, tomar atitudes...
Mas você transmite encanto, parece uma fada escrevendo...
Virei sua fã!
Beijos,
Janete (Gu)

Rita disse...

Ô, pessoas, vocês são uns doces. Posso gostar muito dos comentários de vocês? Obrigada demais. Mesmo.

Beijos!

Rita

Maite disse...

Rita, sua linda!!!!
Lindo, lindo, lindo!
Um beiji!

 
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